2 doses de delírio e 3 baldes d´água

Inventuário de criações descabidas e realidades nuas. Transeunte cotidiano da terceira margem do olhar.

Noronha Rosa

Um espasmo em contratempos, mil compassos em transe.

Vamos revelar-mo-nus

'Há um incendio sob a chuva rala...'



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Pega fogo a nossa estupidez cotidiana Queima na beira das estradas o vermelho alaranjado dos nossos tempos secos, ocos de casca e ventos A lua vermelha paira gorda no céu. queima labaredas de almas humanas frígidas Corpos-espíritos incapazes do gozo Inabilitados à fruição e ao zelo Pequenos presságios incendeiam na indiferença nossa de cada dia

É Fim dos tempos, Maias, Zumbis, Afoxés, Zarabatanas, Pra toda a gente insossa, de hálito escroto e seus discursos malacabados Pra toda gente de viés, que anda de esguelha, Incapazes de invadir latifúndios, Pra toda gente que não se atreve ao corpo, ao outro Pega fogo no morro, na rua, nos campos É que gente tem caminhado na beirada d’alma Feito bicho acuado, de espreita, tocando a vida com a ponta dos dedos Ecoam ordens de despejo aos mandarins do mundo, é poesia, é fogo, é gente gritando – saiam!

Desocupação dos egos, desapropriação de arrogâncias, vão se os patrões! Ficam-se os ais e as artes, parangolés de toda ordem e orgia Com seus lenços, sem documentos Livres de todas as burocracias apáticas e dos três, quatro, cinco, todos os poderes Vestidos de Oiticicas, feminismos, Baudelaire, heróis de nós mesmos, marginais de terceiras margens Rosas e Guimarães.

***

O fim do mundo já foi. Outro tempo desperta, suspenso Vem descendo entranhas, estômago adentro São as travessias, olha! Escuta! Sentinelas de libertação, manto impuro de bacantes, saravás, evoés! Vem tinindo no asfalto, na lama, no breu, na terra Abram passagens camaradas de merda! Recua-te! São os afetos! É justiça de Camões, das línguas sem pátrias, dos povos sem eira, de sentimentos sem beira, de roçar as línguas, tropicálias, avessos do avesso, modernismos, marginais Antropofágicos fantásticos, Novos Baianos, Leminsks de flores no asfalto! Vamos revelar-mo-nus

Outro tempo está!

Noronha Rosa

Um espasmo em contratempos, mil compassos em transe..
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