2 doses de delírio e 3 baldes d´água

Inventuário de criações descabidas e realidades nuas. Transeunte cotidiano da terceira margem do olhar.

Vamos revelar-mo-nus

em geral por em 11 de set de 2012 às 16:34

'Há um incendio sob a chuva rala...'


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Pega fogo a nossa estupidez cotidiana
Queima na beira das estradas o vermelho alaranjado
dos nossos tempos secos, ocos de casca e ventos
A lua vermelha paira gorda no céu.
queima labaredas de almas humanas frígidas
Corpos-espíritos incapazes do gozo
Inabilitados à fruição e ao zelo
Pequenos presságios incendeiam na indiferença nossa de cada dia

É Fim dos tempos, Maias, Zumbis, Afoxés, Zarabatanas,
Pra toda a gente insossa, de hálito escroto e seus discursos malacabados
Pra toda gente de viés, que anda de esguelha,
Incapazes de invadir latifúndios,
Pra toda gente que não se atreve ao corpo, ao outro
Pega fogo no morro, na rua, nos campos
É que gente tem caminhado na beirada d’alma
Feito bicho acuado, de espreita,
tocando a vida com a ponta dos dedos
Ecoam ordens de despejo aos mandarins do mundo,
é poesia, é fogo, é gente gritando – saiam!

Desocupação dos egos, desapropriação de arrogâncias, vão se os patrões!
Ficam-se os ais e as artes, parangolés de toda ordem e orgia
Com seus lenços, sem documentos
Livres de todas as burocracias apáticas
e dos três, quatro, cinco, todos os poderes
Vestidos de Oiticicas, feminismos, Baudelaire,
heróis de nós mesmos, marginais de terceiras margens
Rosas e Guimarães.

***

O fim do mundo já foi.
Outro tempo desperta, suspenso
Vem descendo entranhas, estômago adentro
São as travessias, olha! Escuta!
Sentinelas de libertação, manto impuro de bacantes, saravás, evoés!
Vem tinindo no asfalto, na lama, no breu, na terra
Abram passagens camaradas de merda!
Recua-te!
São os afetos!
É justiça de Camões, das línguas sem pátrias, dos povos sem eira, de sentimentos sem beira,
de roçar as línguas, tropicálias, avessos do avesso,
modernismos, marginais
Antropofágicos fantásticos, Novos Baianos, Leminsks de flores no asfalto!
Vamos revelar-mo-nus

Outro tempo está!

 

Artigo da autoria de Noronha Rosa.
Um espasmo em contratempos, mil compassos em transe..
Saiba como fazer parte da obvious.

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