2 doses de delírio e 3 baldes d´água

Inventuário de criações descabidas e realidades nuas. Transeunte cotidiano da terceira margem do olhar.

Noronha Rosa

Um espasmo em contratempos, mil compassos em transe.

Virá que eu vi!


Aldeia Maracanã  - Foto: Noronha Rosa Aldeia Maracanã - Foto: Noronha Rosa

Ontem fui ver Caetano Veloso cantar o seu abraçaço, foi lindo. No fim do show, nas últimas três músicas, já não havia mais show, mas muita gente continuou cantando feliz, Luz de Tieta, mãos pra cima. Como o Rio, afinal, grande parte - leve e cantarolando, mãos pra cima, gol! Como se fosse a cidade maravilhosa - que pachorra.

Caetano cantou "Um Índio", forte, como só poderia ser. Antes de começar disse: Em São Paulo, o que aconteceu com a aldeia Maracanã saiu na primeira capa de um grande jornal, no Rio... no Rio me parece que não. Uma ovação, alguns sussurros de protestos, 5 minutos, no tempo da canção. No mais alegria alegria, muito nos bolsos e realmente nada nas mãos. Nem a vergonha, nem o medo, asco então, ninguém viu. O show continuou, e ninguém pareceu entender porque terminou sem oba-obas. Apagaram-se as luzes - silêncio. Aqui no Rio as pessoas parecem mesmo não entender lá grande coisa, como em São Paulo, como em Minas... como são as pessoas, grande parte. Falta o quê? Talvez nada, talvez seja é excesso.

Hoje acordei com vergonha dessa cidade. Deixamos queimar um pouco mais da nossa história. Desonramos mais uma vez sangue e ancestrais. Isso não há de ser bom, não há. Alguns bravos mantiveram-se de pé! Na minha casa mantivemos o pé firme e a faca amolada da nossa força e fé. Virá que eu vi!


Noronha Rosa

Um espasmo em contratempos, mil compassos em transe..
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