À boleia da ideia

Em lugares escondidos encontram-se ideias imprevistas

Sofia Pires Lopes

Se tivesse um cêntimo por cada ideia, como levaria todas as moedas para o banco? Com sorte, algumas serão boas e é a essas que peço boleia

5 teorias que o vão deixar feliz

Nem todas as teorias são conspiratórias – há algumas que podem ajudar-nos a ver a vida de outra forma. Não acredita? Conheça 5 teorias que vão convencê-lo de que até as mais pequenas coisas o podem deixar feliz: mexericos, quedas aparatosas, universos paralelos, gatos e até plataformas vibratórias. Qual delas é a sua preferida?


Vá lá, conte uma cusquice! Quando coscuvilhamos há uma parte de nós que nos diz para irmos em frente e partilhar o conhecimento; outra que se auto-repreende e pergunta como fomos capazes de nos intrometer na vida alheia. Mas e se lhe dissermos que a bisbilhotice tem benefícios sociais e psicológicos comprovados? Nesta teoria, os mexericos são vistos como benfeitores sociais, já que os comportamentos menos próprios serão veiculados em forma de cusquice, fazendo com que os protagonistas reflitam acerca das acções criticadas e se retratem, evitando a exclusão social.

Claro está que a teoria só trata de um certo tipo de mexericos (não entram aqui as coscuvilhices acerca das horas a que a sua vizinha do lado chegou ontem à noite). Por outro lado, diz-se que o acto de partilhar informação sobre terceiros alivia o stress de quem conta. Partilhar uma situação injusta ao seu melhor amigo ou mesmo uma má experiência num fórum online é uma excelente forma de ser ouvido e até de ser ajudado por quem o lê.

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Schadenfreude. Quer que repita? Se disser Benny Hill, de que se lembra? Pessoas a cair, trambolhões fenomenais e outras cenas de humor físico, espero. Talvez até se lembre de uma queda de alguém próximo que também o fez soltar uma risada. Se se censura por isso, há boas notícias – o riso provocado por uma dessas situações é natural e não deve ser reprimido. É um mecanismo de auto-afirmação, uma forma instantânea de aumentar o ego de quem ri (infelizmente, não o de quem cai). Mas atenção: quem ri mais é quem tem a confiança mais em baixo. Dependendo da situação, pode até mostrar que a pessoa se sente inferior, que cobiça algo ou que se sente ameaçada. A teoria do Schadenfreude está a ser estudada pela Universidade de Nijmegen, na Holanda, e pretende entender este comportamento e de que forma poderemos tornar-nos mais confiantes.

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Teoria dos Muitos Mundos. Muitos? Muitos. Mais uma vez, perdeu-se no caminho para um evento, com a "preciosa" ajuda do seu GPS. No próximo entroncamento vira à direita ou à esquerda? Se virar à esquerda, não se preocupe – a Teoria dos Muitos Mundos afirma que, num outro mundo, virou à direita. O que quer dizer que, pelo menos num dos mundos, terá acertado no caminho correcto. A teoria, formulada por Hugh Everett, explica que estas decisões causam uma quebra no universo, que se desdobra sempre que temos pela frente uma decisão. Por outras palavras: quer tome a decisão de virar à direita, à esquerda, ou de não virar e esperar que o venham buscar, há um universo em que optou por cada uma dessas escolhas. Um outro exemplo: se já esteve em perigo de vida, imagine que, noutro universo, o final não foi o “e foram felizes para sempre”. A coisa complica mais ainda quando souber que, só de pensar em fazer algo, faz com que esse pensamento se concretize num universo paralelo – o que dá uma certa piada a esta teoria. Uma experiência chamada de "suicídio quântico", efectuada nos anos ’90, veio afirmar que esta teoria é possível, o que chamou a atenção de físicos e matemáticos que a estudam com afinco.

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Podemos estar a viver no passado Convenhamos que esta teoria ainda é mais estranha que a anterior: o que conhecemos como presente é, na verdade, um passado muito recente. São 80 milésimos de segundo de diferença. Não parece quase nada, mas neurocientistas dizem que é tempo de sobra para mudar a nossa perspectiva entre causa e efeito. Numa das experiências efectuadas, pediu-se a voluntários que carregassem num botão que faria uma luz acender com um pequeno atraso. Depois de carregarem algumas vezes, os voluntários começaram a ver a luz mal carregavam no botão. De seguida, retirou-se o atraso e os voluntários passaram a ver a luz antes ainda de carregarem no botão, ou seja, viam primeiro a consequência e a acção de seguida: o cérebro reconstruiu os eventos. Uma ajuda preciosa em meros milissegundos! As maravilhas que o nosso cérebro consegue fazer sozinho...

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Ha ha ha, há uma teoria do riso! Os motivos pelos quais rimos têm sido pensados há séculos. Imagine-se que, para Platão, filósofo grego, rir era uma manifestação de arrogância. Já Demócrito, também filósofo grego e contemporâneo de Sócrates, ficou conhecido como “o filósofo que ri”, embora risse sobretudo devido à estupidez humana. Na verdade, a Teoria do Alívio (de Freud) diz-nos que o riso é fundamental para o bom funcionamento do nosso organismo. Nunca se riu após uma situação de stress ou mesmo sem razão aparente? É natural – esse riso ajuda o organismo a libertar a tensão acumulada. Como rir é mesmo o melhor remédio, há melhorias significativas no nosso corpo: as artérias dilatam, o que faz com que a pressão arterial baixe; as contraccções dos músculos abdominais aumentam o fluxo sanguíneo nos orgãos; liberta endorfinas, que reduzem a sensibilidade à dor e melhoram o humor de quem ri. E os benefícios não se ficam por aqui. Perguntem aos gatos que, se falassem, iam dizer maravilhas do seu ronronar e das plataformas vibratórias tão em voga hoje em dia.

Está cientificamente provado que as frequências do ronronar dos gatos (entre 25 e 150 Hertz) podem melhorar a densidade óssea e promover a regeneração dos orgãos – é uma espécie de "riso felino". Este facto foi utilizado pela NASA que patrocinou o primeiro aparelho vibratório que ajuda os astronautas no fortalecimento ósseo, durante as viagens aos espaço e aquando da sua chegada a terra firme. Os felinos podem não ser os melhores amigos do homem, mas para lá caminham.

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Afinal há teorias que conspiram a nosso favor. Seja audaz e partilhe estas!


Sofia Pires Lopes

Se tivesse um cêntimo por cada ideia, como levaria todas as moedas para o banco? Com sorte, algumas serão boas e é a essas que peço boleia.
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