a lente lenta

Acerca de Fotografia e de fotografias (ou seja, acerca de qualquer coisa..)

Júlio Assis Ribeiro

Fulano desfocado, despachado e de difuso sentido de humor. Adora falar de si na terceira pessoa e discorre sobre toda uma variedade de assuntos, como se percebesse de algum. Gosta de imagens, de histórias e de parêntesis, e deu-lhe agora para isto...

Diogo Margarido e o particular contexto da fotografia amadora em Portugal

Diogo Margarido é um bom exemplo do particular contexto da fotografia no Portugal da segunda metade do século vinte, e impõe-se que a sua obra, em larga medida afastada do conhecimento público, seja apresentada e divulgada com maior destaque.


Diogo Margarido, Castelo de Vide, Portugal, 1960.jpg©Diogo Margarido, Castelo de Vide, Portugal, 1960

Diogo Margarido (n. 2 de fevereiro de 1932) é um bom exemplo do particular contexto da fotografia, e da fotografia amadora em especial, no Portugal da segunda metade do século vinte.

Nascido fora de famílias ligadas ao ofício, e num contexto humilde que não lhe permitiu uma formação estética e técnica precoce no exterior, a sua ligação à fotografia não pôde provir das duas formas mais informadas que a realidade portuguesa permitia à época. Acabaria por a ela começar a aceder através do forte associativismo operário da zona do Barreiro, cujas bibliotecas alimentaram um espírito curioso e insatisfeito, com câmara emprestada, e sem acesso a laboratório, dependendo, como quase toda a gente na época, das casas comerciais para revelação e ampliação.

Uma vida profissional intensa ligada à indústria não evitaria uma continuada prática fotográfica, numa aprendizagem esmagadoramente auto-didacta, fundada numa colecção de livros que foi acumulando com entradas nacionais e estrangeiras, e num investimento pessoal em equipamento. Nem impediu igualmente um papel importante no associativismo fotográfico, tendo sido dirigente da APAF – Associação Portuguesa de Arte Fotográfica e tendo promovido aí cursos de iniciação à Fotografia, poupando a muitos o difícil percurso de auto-aprendizagem que teve pessoalmente de percorrer.

Acumulou e construiu ao longo de décadas um organizado arquivo de milhares de negativos e diapositivos, cuja digitalização se encontra em curso, e que nos mostra o Portugal em mudança, às vezes lenta, às vezes acelerada, das décadas de cinquenta até à actualidade. Tendo fotografado longamente, mercê da sua carreira, a indústria e as suas instalações, fotografou igual e demoradamente os territórios do interior e as gentes amarradas a uma ruralidade áspera e difícil. Fê-lo mesmo com assinalável graça e familiaridade. Era aí que estavam as suas raízes.

Diogo Margarido, Benção dos borregos, Castelo de Vide, Portugal, 1972 (2).jpg©Diogo Margarido, Benção dos borregos, Castelo de Vide, Portugal, 1972

Diogo Margarido, Lisboa, Portugal, 1976-1977.jpg©Diogo Margarido, Lisboa, Portugal, 1976-1977

Diogo Margarido, Arrifana, Portugal, 1970.jpg©Diogo Margarido, Arrifana, Portugal, 1970

Diogo Margarido, Castelo de Vide, Portugal, 1957.jpg©Diogo Margarido, Castelo de Vide, Portugal, 1957

Diogo Margarido, Moleiro, Porto Santo, Portugal, Maio_Junho de 1962.jpg©Diogo Margarido, Moleiro, Porto Santo, Portugal, Maio_Junho de 1962

Diogo Margarido, Castelo de Vide, Portugal, 1964.jpg ©Diogo Margarido, Castelo de Vide, Portugal, 1964

Diogo Margarido, Entroncamento, Portugal, 1960.jpg©Diogo Margarido, Entroncamento, Portugal, 1960

Impõe-se que a fotografia de Diogo Margarido, em larga medida afastada do conhecimento público, seja apresentada e divulgada com maior destaque e consistência do que aqueles que ocasionais exposições têm permitido.

E esperam-se em breve agradáveis novidades editoriais a esse respeito.


Júlio Assis Ribeiro

Fulano desfocado, despachado e de difuso sentido de humor. Adora falar de si na terceira pessoa e discorre sobre toda uma variedade de assuntos, como se percebesse de algum. Gosta de imagens, de histórias e de parêntesis, e deu-lhe agora para isto....
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