Diego da Cruz

As vezes fico cansado de não escrever daí escrevo. O que não é nada de mais especial do que o que você faz quando sente uma necessidade bastante pessoal.

Kolwitzstrasse 52

Kollwitzstrasse 52 é um espetáculo que dialoga em inúmeras dimensões na construção das pontes que levam do estranhamento ao reconhecimento, construindo identidades sob o pressuposto de desmanchá-las.


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A performance de brasileiros regressos de Berlim, acompanhada por projeções em vídeo de instantes ímpares ou cotidianos da sua rotina na capital alemã, forma o espetáculo Kollwitzstasse 52, que esteve em cartaz no museu da imagem e do som, na cidade de São Paulo, entre outubro e novembro de 2012, mas resiste como experiência artística pela sua proposta inovadora.

Esmir Filho, Ismael Caneppele e Marta Machado, dois anos depois de terem passado o inverno da virada do ano de 2010 em Berlim transformaram suas experiências em obra de arte. No MIS – Museu da Imagem e do Som em São Paulo - Kollwitzstrasse 52 alcançou a estética da confusão da arte com a realidade, por meio das multitelas que projetaram as cenas da vida destes artistas em Berlim simultaneamente dialogando com as suas atuações no palco. As edições das imagens eram feitas em tempo real pelo diretor Esmir Filho, que por sua vez também foi um dos protagonistas do espetáculo. Cabos que se desconectavam e microfones que porventura não funcionavam, também ajudaram na construção desse espetáculo espontâneo e sugestivo, como também pode se dar uma espiadinha no tumblr do projeto, e um dos vídeos do espetáculo.

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A experiência de aproximação do outro é uma das tantas funções artísticas. Em Kolwitzstrasse 52 o distanciamento da identificação é o mote do espetáculo, uma vez que os atores encenaram de acordo com a sua própria realidade passada a dois anos, ou seja, distante. A virtude teatral de estar o ator realmente próximo do espectador ajuda a causar a sensação de aproximação da realidade alheia e distanciamento do eu individual. Neste espetáculo os atores em cena se tornam pontes reais entre o espectador, nas suas poltronas, e a imagem projetada de um inverno passado numa Alemanha distante.

Entre tantos diálogos em Kolwitzstrasse 52, há o do cinema com a dramaturgia, rompendo também com alguns distanciamentos engessados nos padrões das artes visuais. Porém o espetáculo não apenas a mistura linguagens, mas sobretudo vivencias, e consegue sugerir ao espectador que chegue a si, para chegar ao outro a e a outro de si.

“Você sempre está em um lugar em que eu nunca estive”


Diego da Cruz

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