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Rodrigo Tedim

Formado em Design, Artes Plásticas, Propaganda e Marketing, acredita que o mundo é construído nos detalhes onde o olhar estético é inevitável

PIN-UPS GIRLS: ENTRE A SENSUALIDADE E A INOCÊNCIA

De Marilyn Monroe a Katy Perry as "pin-ups girls" traduzem o paradoxo da sensualidade feminina, trazendo até os dias de hoje um certo ar de mistério debaixo de saias esvoaçantes, corpetes e cintas-ligas. Uma arte que atravessa gerações e levou soldados norte-americanos, na segunda guerra mundial, a sonhar em pleno campo de batalha.


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Talvez o Teatro de Revistas, gênero marcantemente popular na história das artes cênicas, que se caracterizava por seu apelo a sensualidade, no final do século XIX, tenha sido o percursor do que hoje entendemos por pin-ups. Numa época de regimes moralistas e tabus, quando mostrar as pernas significava expor a sexualidade da mulher, dois artistas franceses, Alphonso Mucha e Jules Cheret criavam em Paris as primeiras imagens de mulheres em poses sensuais para posters e cartazes.

No início do séc. XX o artista Charles Dana Gibson, cujo talento foi reconhecido desde jovem, foi o precursor da arte de ilustrar as curvas femininas como uma representação irônica da beleza e independência da garota americana. Ficou famoso por sua “garota Gibson”, modelo que deu as bases para a ilustração que anos depois viria a ser as pin-ups.

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Mesmo tendo indícios do surgimento das pin-ups no final do século XIX, foi apenas 50 anos depois, que o termo foi documentado pela primeira vez. O sentido literal da palavra pin-up , que significa “pendurado”, traduz sua objetividade e funcionalidade ganhando força nos posters e calendários dos soldados norte-americanos durante a Segunda Guerra Mundial. O modelo de Gibson seria inspiração para outros artistas como Gil Elvgren, artista comercial que ganharia a fama de mais importante ilustrador de pin-ups do séc. XX. Elvgren seguia um critério para a concepção de suas pin-ups: deveriam possuir um rosto de 15 anos com um corpo de 20. Modelos como Myrna Hansen, Donna Reed, Arlene Dahl, Barbara Hale, e Kim Novak só fizeram sucesso no cinema depois de posar para o artista.

172684966933480960_01GMP6jk_c.jpg O pintor peruano Alberto Vargas também criou sua “garota Vargas”, que está presente na capa do disco “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” dos Beatles. Junto com Vargas, com lápis e tinta, também fizeram nome George Petty e Art Frahm, mostrando ao público masculino do séc. XX silhuetas provocantes e poses sensuais.

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Nos dias atuais as pin-ups exercem uma função muito mais fetichista do que propriamente sua conotação no surgimento dessa arte, no auge dos anos 40 e o principal fator foi o crescimento da indústria pornográfica com revistas, filmes eróticos e websites, que expõem o sexo sem pudor e censura. Por outro lado, as pin-ups de hoje ganharam um ar mais artístico e glamoroso, fazendo de artistas burlescas como Dita Von Teese o novo olhar para o mundo das pin-ups. Talvez hoje essa aura de erotismo tenha ficado para trás na arte das pin-ups do séc. XXI, mas com certeza o charme por tras da sua sensual inocência ainda nos faz sonhar e fantasiar com desejos que nunca sairão de moda.


Rodrigo Tedim

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