a razão singular do segredo

sobre o que escrevem os que escrevem?

Raul C. de Albuquerque

Estudante de Direito apaixonado por Letras. Apesar desse quadro, não acha que está no lugar errado, afinal, o amor às palavras demonstra-se de diversos modos. Poeta desde que nasceu, mas só começou a escrever poemas aos sete anos. Apaixonado por livros, chá e música clássica. Tem especial prazer em descrever inutilidades em perfis (como este).

Da virtualidade nas relações humanas


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Convém saber que antropologia tradicional considera-nos o último estágio de evolução das relações sociais. Na época ágrafa, o ser humano viveu o estágio da selvageria. Na transição para o advento da escrita, que coincide com a estruturação das primeiras sociedades hidráulicas, os homens viveram a fase da barbárie. Com estabelecimento dos primeiros Estados e com as primeiras legislações, estabelece-se também o que se convencionou chamar de “civilização”.

Essa tal evolução proposta na ideia antropológica pressupõe um melhoramento gradual nas relações humanas. O problema da teoria é que essa gradação basicamente não ocorreu.

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As relações sociais humanas encontram os mesmos problemas e os mesmos artifícios sórdidos de predação. Somos animais. No sentido biológico, o conceito de comunidade é o de um conjunto de várias populações de espécies diferentes que traçam relações entre si, estas podendo ser de cooperação ou de competição.
Nossas comunidades não se diferenciam em nada desse conceito. São aglomerados selvagens de populações diferentes, quer no âmbito sócio-econômico, quer no âmbito moral-religioso. Desenha-se uma cadeia alimentar cheia de nuances e variáveis, em que não mais valem as forças ou perícias predatórias, mas o poder do capital disposto nas suas mais diversificadas faces.

Com o tempo, a atividade subjugadora sofisticou-se e aumentou seu espectro de atuação. Com o passar dos séculos, “evoluímos” das selvas literais para as selvas de pedra, mundos de concreto e asfalto que esboçam suas dualidades. Hoje, no entanto, a selva asfáltica colapsou-se em seu inchamento descontrolado, então, fugimos para um novo ambiente, ainda selvagem, mas, desta vez, um cenário etéreo e intocável que baseia sua crueldade na sua inexistência na realidade.

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Para percebemos a não evolução de nossas relações sociais, antes sua maquiavélica maquiagem, vale utilizar-se de um olhar crítico sobre as ditas – malditas e benditas – redes sociais:

Ao modo dos lobos que, quando sozinhos, utilizam-se do véu da noite para atacar suas presas, os homens – animais sociais por natureza – fazem uso do anonimato oferecido por algumas redes sociais para expor suas animosidades animalescas, seus ódios resguardados. Sem o filtro da pessoalidade, da identificação e do status social, ofensas são distribuídas a torto e a direito, geralmente sem base lógica, com o instintivo desejo de obliterar uma vida social saudável, o que configura uma ligação com o “impulso de morte” – “Tanathos”, segundo Freud – dos predadores do mundo animal.

É tempo de revisão das mesmas certezas de sempre. As mesmas máximas ainda são válidas. Portanto, “ao vencedor, as batatas”.


Raul C. de Albuquerque

Estudante de Direito apaixonado por Letras. Apesar desse quadro, não acha que está no lugar errado, afinal, o amor às palavras demonstra-se de diversos modos. Poeta desde que nasceu, mas só começou a escrever poemas aos sete anos. Apaixonado por livros, chá e música clássica. Tem especial prazer em descrever inutilidades em perfis (como este)..
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