a telha

Um espaço para reflexões, ensaios, contos, crônicas, críticas musicais e o que mais der na telha

Caio Carvalho

Neuroses, humor tosco, arte e fascinação pela filosofia de vida dos filmes do Rocky Balboa. Entusiasta da bateria, do sax, da fotografia, da literatura e da sexologia. Sonha em poder, um dia, fazer uma jam session com o baixista Flea,o guitarrista Kevon Smith, o vocalista Eddie Vedder e o saxofonista Dana Colley.

Breve ensaio sobre as fezes

Não tem coisa mais demasiada humana do que o cotidiano da expulsão das fezes, e mesmo assim nunca nos acostumamos com elas... Pelo menos eu nunca me acostumei. Fedorenta, feia e de uma textura nada aprazível de se pegar, a merda me incomoda muito. Bastante. Tanto é que não há palavrão mais depreciativo que este. A merda, ou bosta - ou, ridiculamente, cocô - é a pior coisa material que pode existir. A pior.


Sifon medieval.jpg Têm duas coisas que me fazem ficar agoniado só de imaginar para onde estão indo: merda e lixo. Mas, sem dúvidas, a que me dá mais inquietação é a merda, pois não há nada mais nojento do que fezes! (Ok, talvez as baratas rivalizem com elas nessa categoria). E o destino delas me preocupa. Toda vez que vou defecar me sinto meio que culpado por ‘tá colocando mais bosta no mundo. E multiplique minha bosta por 1 milhão – mais ou menos a quantidade de pessoas que moram aqui onde eu vivo, em São Luís! Sendo que geralmente cada pessoa elimina cerca de 100 a 150 gramas de fezes por dia, teremos mais ou menos 100.000 a 150.000 quilos de merda por dia na cidade do reggae! E isso só em São Luís! Agora pense em Fortaleza, em São Paulo, no Brasil, na América do Sul, em todo o mundo! É muita matéria fecal!

Eu me pergunto: em todo o lugar elas, as fezes, são devidamente tratadas? Não. Pegando de novo São Luís como exemplo. O que mais temos são prédios perto da Avenida Litorânea jogando toda a bosta do cu da elite no mar! Meu amigo, isso era feito na época medieval! Essa imagem tosca que acompanha esta crônica mostra como era o esquema para os moradores de um castelo dessa época se verem livres desse material inconveniente: tudo caia no mar. E como é inconveniente! O horror de se estar com vontade de cagar quando se está a quilômetros de distancia de casa é insuperável! Aí o jeito é colocar papel higiênico em volta do assento de um vaso sanitário público (ou se agachar, sem necessariamente se sentar no trono), sentar e deixar o negócio descer, enquanto você fica quietinho no seu canto. Algo bem individual, não é? Pois saiba que no império romano, fazer cocô era, pasmem, um meio de sociabilidade! Os banheiros públicos eram perfeitos banheiros coletivos, as latrinas, na qual não existiam cabines privadas. Os cidadãos, de diferentes níveis sociais, evacuavam um do lado do outro, puxando de vez em quando uma conversinha. Mas não, abomino a prática de obrar conjuntamente. A única coisa boa de fazer cocô é justamente ter um tempo bem privado, na qual se tem a chance de poder ler algo interessante (uma revista, um jornal) ou simplesmente ficar pensando na vida. Mas mesmo assim isso tudo eu posso fazer sem ter vontade de descomer (rá! Adorei essa expressão!). O bom mesmo seria se a gente não tivesse mesmo essa vontade. Teríamos economizado papel e não teríamos desperdiçado nosso tempo limpando a bunda. E ‘taí uma coisa que eu reclamaria pra Deus: ele não podia ter dado um jeito das fezes saírem sem precisar se encostar no recôncavo nadegal? Qualquer coisa! Era só usar a cabeça só mais um pouquinho! Mas nãããão! Apressado, não pôde esperar mais de sete dias! Deu nisso, nesses pequenos detalhezinhos esquecidos! Mas tudo bem, a gente se vira com o papel higiênico. O complicado era quando não tínhamos nosso tradicional rolo de cada dia. O pessoal usava qualquer coisa que a imaginação podia conceber: tecido de lã, pedaço de pano, sabugo de milho, folhas de árvore, ou a tradicional água – que é, em minha opinião, é a melhor forma de se limpar. Todos esses objetos acabavam virando lixo, como hoje vira o papel higiênico. Aí piorou: até merda vai junto com o lixo. Pra piorar ainda mais minha agonia...


Caio Carvalho

Neuroses, humor tosco, arte e fascinação pela filosofia de vida dos filmes do Rocky Balboa. Entusiasta da bateria, do sax, da fotografia, da literatura e da sexologia. Sonha em poder, um dia, fazer uma jam session com o baixista Flea,o guitarrista Kevon Smith, o vocalista Eddie Vedder e o saxofonista Dana Colley. .
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/// //Caio Carvalho