a telha

Um espaço para reflexões, ensaios, contos, crônicas, críticas musicais e o que mais der na telha

Caio Carvalho

Neuroses, humor tosco, arte e fascinação pela filosofia de vida dos filmes do Rocky Balboa. Entusiasta da bateria, do sax, da fotografia, da literatura e da sexologia. Sonha em poder, um dia, fazer uma jam session com o baixista Flea,o guitarrista Kevon Smith, o vocalista Eddie Vedder e o saxofonista Dana Colley.

Críticas-rapidinhas: Cactus, Jimmy Cliff e Chris Isaak

Três críticas rápidas para quem está com pressa... Ou para quem curte uma rapidinha.


Cactus - Cactus (1970)

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Não fazendo jus a sua capa, uma das mais fálicas da história da música, o álbum Cactus da banda homônima não chega a ser do caralho. Soando às vezes como um Grand Funk Railroad bem menos refinado – ou um Led Zeppelin bem menos criativo – essa banda nos mostra muito feeling, mas pouca inspiração. Ela nos mostra que têm potência, mas se revela, em ato, pouco fecunda, usando a lógica Aristotélica. O “hardrockzão” “Parchman Farm”, cover de Mose Allison, que inicia o disco e que nos faz lembrar a força do cru e do fantástico álbum “In rock”, do Deep Purple, sinaliza logo essa minha advertência (...). Esta música cria em nós certa expectativa, certa excitação... Excitação esta que é quebrada com uma balada (meio country, lá pelo meio da faixa... Nada contra músicas country, claro), “My Lady From South Of Detroit”, que vem na hora errada e promove um perfeito coito interrompido. Como terceira faixa, temos a valorizável “Bro. Bill”, que logo é seguida por uma das três músicas que mais se destacam no álbum: “You Can't Judge A Book By The Cover”, que é outro cover, mas dessa vez do Willie Dixon (as outras duas estão no final do disco. Explico-as já, já). A faixa que vem a seguir é outro “hardrockzão”, Let Me Swin; em sexto há um blues quase sem gosto, “No Need To Worry”, e, por fim, aquelas faixas as quais me referi acima: o ótimo blues-rock “Oleo” e o admirável “Feel So Good”, que possui no final um solo de bateria de Carmine Appice, o qual mostra toda sua pegada suja e seus timbres secos. O solo é um tanto longo e valeria a pena se o batera fosse um Ian Paice da vida. Como não é, eu dispensaria tal performace: ela só faz entulhar de coisas desnecessárias um álbum que já não é lá essas coisas... Mesmo com aquele ensaio mal feito de redenção no final.

Jimmy Cliff - Give Thankx (1978)

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É uma pena que o álbum que contenha “Lonely Streets”, uma das músicas mais bonitas do século XX na minha opinião (“Yesterday” dos Beatles está também nesse grupo), seja tão mediano (...). Esperava mais de “Give Thankx”, do Jimmy Cliff, justamente pelo nível da música já citada. Mas não, ledo engano. O álbum não é exatamente ruim, mas é um tanto opaco. Coparem as músicas desse album com “Lonely Streets” e vocês verão que a diferença em termos de inspiração e arranjo é bem evidente. No entanto, não posso renegar tanto essas composições. Elas não deixam de ser boas, afinal. Refiro-me aqui principalmente a “Stand Up And Fight Back”, “Wanted Man” e “Love I need”. Quanto à “Bongo Man (ft. The Sons Of Negus)”, “Meeting In Afrika” e “Universal Love (Beyond The Boundaries)”, vá lá, elas têm seus momentos interessantes também. Mas passe longe, pelo amor de Jesus Cristo, de “She Is A Woman”, “You Left Me Standing ByThe Door” e “Footprints”, exemplos perfeitos de enjoadas baladinhas soul.

Chris Isaak - Heart Shaped World (1988)

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Acho difícil encontrar quem não goste de “Wicked Game”, do Chris Isaak. Ela tem algo difícil de explicar. Algo que, de alguma maneira, é agradável a muitos. É o tipo de música que te dá uma apatia gostosa, inebriante, dessas que se sente quando se está deitado numa rede num ambiente paradisíaco. Mas não só de “Wicked Game” que se vive “Heart Shaped World”, o terceiro álbum de estúdio do cantor da voz encorpada. Muito country, rock ‘n’ roll e baladas bem peculiares (e sim, sempre deliciosamente apáticas) compõem esse álbum simples, mas denso, no qual questões sobre amor, atração e separação são amplamente levados à tona. Destaque para “I'm Not Waiting”, “Kings of the Highway”, “Blue Spanish Sky”, “Nothing's Changed” e “Wrong to Love You”. ... Foi bom pra você?


Caio Carvalho

Neuroses, humor tosco, arte e fascinação pela filosofia de vida dos filmes do Rocky Balboa. Entusiasta da bateria, do sax, da fotografia, da literatura e da sexologia. Sonha em poder, um dia, fazer uma jam session com o baixista Flea,o guitarrista Kevon Smith, o vocalista Eddie Vedder e o saxofonista Dana Colley. .
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