a telha

Um espaço para reflexões, ensaios, contos, crônicas, críticas musicais e o que mais der na telha

Caio Carvalho

Neuroses, humor tosco, arte e fascinação pela filosofia de vida dos filmes do Rocky Balboa. Entusiasta da bateria, do sax, da fotografia, da literatura e da sexologia. Sonha em poder, um dia, fazer uma jam session com o baixista Flea,o guitarrista Kevon Smith, o vocalista Eddie Vedder e o saxofonista Dana Colley.

"Stay on the scene, like a sex machine!"

Uma pequena crítica do álbum "Sex Machine" (1970) do James Brown.


brown_james_sexmachin_101b.jpg Se você pensa que o álbum “Sex Machine”, do James Brown, é 100% ao vivo, engana-se. Apenas ½ do total pode ser considerada gravação ao vivo. Da faixa um até a faixa seis, e juntamente com elas, a faixa oito, “Lowdown popcorn”, temos gravações em estúdio, que simulam uma performance ao vivo, com o som de aplausos falsos. Da faixa seis até décima quarta, temos um registro ao vivo do Bell Audditorium, em Augusta, GA. Tanto as gravações ao vivo como as gravações em estúdio possuem bandas diferentes, e entre as faixas de estúdio, “Brother Rapp” possui uma formação; “Lowdown Popcorn” possui outra formação e “Get Up I Feel Like Being a Sex Machine, juntamente com o medley “Bewildered”/”I Got The Feelin’/”Give it Up or Turnit a Loose”, mais uma formação diferente. É... O álbum é bem remendado, mas é um álbum e tanto!

A primeira faixa, a clássica "Get Up I Feel Like Being a Sex Machine", abre perfeitamente o disco, nos presenteando com mais de 10 minutos de puro groove. Em seguida, temos “Brother Rapp”, uma faixa com a pegada meio dividida entre o soul e o funk, com a caixa da bateria tocando em todos os quatro tempos do compasso (coisa que fez, a meu ver, o suingue se perder um pouco). Em terceiro, uma balada soul, “Bewildered”,composta originalmente por Teddy Powell e Leonard Whitcup em 1936. Em quarto, com “I Got Feelin’”, temos o início de um combo fantástico, que se extende pela empolgante “Give It Up Or Turnit a Loose” (reparem no clima que as congas de Johnny Grigs, acompanhadas somente pelo vocal do Mr. Dynamite, aos 4 minutos e 27 segundos, fazem. Aquela levada de bateria que Clyde Stubblefield faz logo após esse dueto é de curar qualquer um da depressão!) e vai até I Don't Want Nobody to Give Me Nothing (Open Up The Door I'll Get It Myself)", com a deliciosa força de sua letra. Em sétimo, temos a curta “Licking Stick” para logo mais adentrarmos na parte a qual The J.B’s (a banda do Godfather of Soul) executam dois temas instrumentais: “Lowdown Popcorn”, com James Brown tocando um órgão que dá um quê funk-fusion ao tema e “Spinning Wheel”, uma versão um tanto murcha, mas bem elegante, daquela original tocada pelo Blood, Sweat & Tears. “If I Ruled The World”, em décimo, vem para aqueles amantes das baladas soul (não é meu caso), assim como a décima segunda "It's a Man's Man's Man's World" (nada mais verdadeiro do que aqueles dois versos iniciais – confiram!). A décima terceira, “Please, Please, Please”, o primeiro hit da carreira do James Brown, é um R&B cujo eu lírico me faz lembrar incrivelmente daquele outro eu lírico de “D'yer Mak'er”, do Led Zeppelin. Já a décima primeira,”There Was a Time”, a décima quarta, “I Can’t Stand Myself (When You Touch Me)”, e a décima quinta, “Mother Popcorn”, são para aqueles que curtem mais o lado funk do James Brown, como eu. Good God! Esse era o grande lance do mestre! E neste álbum, seus funks estão irresistíveis! Nota para o álbum: 8,3.

A primeira faixa do álbum:


Caio Carvalho

Neuroses, humor tosco, arte e fascinação pela filosofia de vida dos filmes do Rocky Balboa. Entusiasta da bateria, do sax, da fotografia, da literatura e da sexologia. Sonha em poder, um dia, fazer uma jam session com o baixista Flea,o guitarrista Kevon Smith, o vocalista Eddie Vedder e o saxofonista Dana Colley. .
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