a telha

Um espaço para reflexões, ensaios, contos, crônicas, críticas musicais e o que mais der na telha

Caio Carvalho

Neuroses, humor tosco, arte e fascinação pela filosofia de vida dos filmes do Rocky Balboa. Entusiasta da bateria, do sax, da fotografia, da literatura e da sexologia. Sonha em poder, um dia, fazer uma jam session com o baixista Flea,o guitarrista Kevon Smith, o vocalista Eddie Vedder e o saxofonista Dana Colley.

Audição de monólogos

Uma simples e pequena crônica.


Declaro descaradamente: simplesmente, sou um exímio especialista em monólogos. Simplesmente. Não em fazê-los, sublinho, mas em sustentá-los, o que é uma condição bastante ingrata. Não me orgulho em nenhum momento disso, mas a verdade precisa ser desabafada: muitas vezes, do outro lado da conversa, apenas dei suporte para locução de segundos e terceiros. Esse1.jpg Não que eu goste disso, e nem me apetece que você, leitor, comigo, possua exclusivamente o poder da fala; mas funciono intelectualmente só em determinados meios, em determinadas circunstâncias, com determinadas pessoas. E qual é meu repertório, nessas horas em que pareço não ligar em dar minha contribuição?

- Sei, sei... - Sim, entendo. - Pode crer... - Porra, é foda mesmo. - Compreendo. - Eu avalio. - Aham. - Hum (...). - Eu saco, bicho. - Certo. - Sim, esse é o grande lance. É difícil, caro leitor. E convenhamos: é uma arte. Uma arte ingloriosa, se me permite dizer. Uma arte estranha. Uma arte solidária (ou falsamente solidária, para muitos, ou todos, quem sabe). Uma arte preguiçosa, mas necessariamente ativa, pois é necessário indicar novos caminhos para onde vai a “conversa” (caso seu interlocutor não tenha o dom para puxar assuntos). Uma arte paciente. Uma arte incompreensível (?) e, por fim, uma arte arriscada: se você se atrever voluntariamente ou involuntariamente, vitima da situação e refém de sua própria subjetividade, a querer experimentar essa prática, saiba dosá-la, pois se não, você será tomado como sem criatividade, chato e sem conteúdo, o qual, sem dúvida, não é nosso objetivo. O objetivo é claro: falar o mínimo, mas com elegância, naquelas horas em que você simplesmente quer apenas falar o mínimo, e ainda, ao mesmo tempo, apreender, como bônus, alguma informação ou comentário interessante. Isto é: se você também tiver a sorte de ter uma pessoa que não se importe em falar 90% das vezes. Pronto, eis minha contribuição de hoje. Mas se você achou que esta crônica é uma merda e de mau gosto, marque uma conversa comigo. Quero ouvi-lo.


Caio Carvalho

Neuroses, humor tosco, arte e fascinação pela filosofia de vida dos filmes do Rocky Balboa. Entusiasta da bateria, do sax, da fotografia, da literatura e da sexologia. Sonha em poder, um dia, fazer uma jam session com o baixista Flea,o guitarrista Kevon Smith, o vocalista Eddie Vedder e o saxofonista Dana Colley. .
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