a telha

Um espaço para reflexões, ensaios, contos, crônicas, críticas musicais e o que mais der na telha

Caio Carvalho

Neuroses, humor tosco, arte e fascinação pela filosofia de vida dos filmes do Rocky Balboa. Entusiasta da bateria, do sax, da fotografia, da literatura e da sexologia. Sonha em poder, um dia, fazer uma jam session com o baixista Flea,o guitarrista Kevon Smith, o vocalista Eddie Vedder e o saxofonista Dana Colley.

Vídeos dos tempos das cavernas!

- Youtube, uga!


kdhqwkjdhwqj.jpg Fico me perguntando se há algum registro em vídeo dos homens pré-históricos. Bom, claro que eu sei que a filmadora só foi ser inventada bem (BEM!) mais tarde, mas acho empolgante a idéia de que Deus filmou tudo (...). E acho também empolgante pensar que estão lá, no escritório do Criador, guardados num armário, vários dvd’s com títulos diferentes: “o primeiro contato com o fogo”, “as primeiras orgias”, “os primeiros ritmos tocados”, etc. Tudo bem organizado, tudo bem bonitinho, prontos para serem consultados por qualquer um que tenha interesse no assunto. No entanto... E se Deus não gravou nenhum vídeo? Se não gravou, já me satisfaço com quatro cenas de alguns filmes de “ficções-factuais” que retratam a pré-história: uma da película “2001 – Uma odisséia no espaço” (1968), de Stanley Kubrick; outra do filme “O homem das cavernas” (1981), de Carl Gottlieb e estrelado por Ringo Starr; e duas cenas do estupendo “A guerra do fogo”, de Jean-Jacques Annaud.

O primeiro é mais do que clássico! Aquela cena (a partir dos 5 minutos e 13 segundos do vídeo abaixo) daquele hominídeo (acompanhada pela embasbacante introdução do poema sinfônico “Assim falava Zaratrustra”, de Richard Strauss) batendo com um osso no chão, ao perceber que pode manipular ao seu favor tudo o que está ao seu meio, me dá arrepios até hoje!

O segundo é uma comédia de humor tosco, mas bem agradável, que demonstra o dia-a-dia dos homens pré-históricos. Revelo: jamais pensaria encontrar cena tão bonita num filme tão... Tão... Despretensioso! Refiro-me a uma passagem em que os componentes de uma tribo se deparam pela primeira vez com o prazer de criar, tocar e ouvir música! Nessa cena, todos estão ao redor de uma fogueira, comendo e conversando animadamente. De repente, um percebe que pode fazer determinado som com uma cabaça, assoprando a boca desta. Dessa forma, os outros se empolgam com tal descoberta e começam a procurar mais sons em outras coisas, como ossos e pedras. Logo temos um perfeito batuque, com direito a uma melodia irresistível cantada por todos. Fantástico e digníssimo de nota!

Quanto ao terceiro filme, creio que quatro entre cinco professores de história já devem ter passado-o em sala de aula para os alunos verem. Mas com razão: o filme é uma verdadeira aula sobre o assunto. Ele mostra a pequena saga de três hominídeos para achar uma nova fonte de fogo, a qual foi roubada por outra tribo inimiga. O fogo, para essas tribos, é visto como algo divino, dotado de uma aura sagrada, e em decorrência disso, esses povos não sabem fazê-lo. Isso muda, no entanto, quando nossos três heróis se deparam com uma terceira tribo a qual irá mostrar para um dos três peregrinos como se faz fogo. A cena em que o personagem principal assiste, assustado, a um membro dessa terceira tribo fazer fogo, é dotada de uma significância sem igual! Aquela cara de “puta merda, e eu tendo que roubar o fogo dos outros esse tempo todo...” representa bem esse encontro com um “know-how” até então inédito para ele.

A segunda cena também é bastante interessante: nosso herói, na sua busca pelo fogo, conhece uma representante do sexo feminino a qual faz parte daquela terceira tribo já citada. Ele se afeiçoa por ela e chega até mesmo a fazer sexo com tal fêmea – meio que contra a vontade desta –, mas ela também logo se afeiçoa por ele. Numa segunda relação sexual que terão (desta vez consentida por ambos), ela ensina uma famosa posição sexual: o bom e velho papai-e-mamãe. Uma coisa que aparecia tão óbvia, para ele não era, pois antes o nosso herói só sabia fazer sexo com suas parceiras estando elas de quatro, de modo bem animalesco. A exposição de novos horizontes ao nosso peregrino – neste caso, novos horizontes sexuais, outras formas de curtir o sexo – representa o que chamamos de cultura: aquilo que não nasce pronto, mas é desenvolvido e ensinado por nós – e isso o filme mostra bem.

Estas cenas aconteceram de verdade? Provavelmente. Foram deste mesmo jeitinho? Nunca saberemos, claro. Tais filmes nos mostram realidades maquinadas em representações imagéticas sequenciadas, de modo a exporem uma história cuja veracidade pode ser pintada em diferentes tons fictícios. Os dados retratados são baseados provavelmente em estudos, mas os detalhes narrativos são invenções, entretanto. Ninguém realmente pode afirmar que esses fatos aconteceram única e precisamente da maneira como ocorre nos filmes. Só se você tiver acesso à coleção de vídeos do Criador...


Caio Carvalho

Neuroses, humor tosco, arte e fascinação pela filosofia de vida dos filmes do Rocky Balboa. Entusiasta da bateria, do sax, da fotografia, da literatura e da sexologia. Sonha em poder, um dia, fazer uma jam session com o baixista Flea,o guitarrista Kevon Smith, o vocalista Eddie Vedder e o saxofonista Dana Colley. .
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