a trompa lounge

Olhares Sobre a Música Portuguesa

Rui Dinis

Rui Dinis é um bi-pai 'alentejano' nascido em Lisboa no ano de 1970, dedicado desde Jan de 2004 à divulgação da música e dos músicos portugueses em a-trompa.net

Porque à meia dúzia é sempre melhor!

Porque estamos no Verão e a disponibilidade para relaxar é maior, deixo-vos hoje meia dúzia de novos sons lusos. É ler e pôr a tocar as novas propostas de Biancard, Sun Glitters, Oz, Johnny Sem Dente & Os Jatfodo, Innerthoughts e MOON(in)MOTION.


Sem mais delongas, eis alguma da nova música portuguesa, de vários géneros e diferentes formas de expressão:

Biancard – “Biancard” (Optimus Discos, 2011)

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Não sendo preenchido por uma originalidade desarmante, “Biancard” é ainda assim um disco que nos diverte e aconchega o espírito. Produzido por João Só e Nelson Carvalho, o disco de Biancard é uma das boas surpresas lançadas pela Optimus Discos no fim do ano passado, desvendando-nos um jovem rocker em ascensão. A música de Biancard é pensada e executada com uma certeza quase absoluta e o peso suficiente para se manter facilmente à tona das sonoridades mais pop. De verbo fácil e bem medido, as palavras e a voz de Biancard ajudam a fazer deste EP um disco com algum relevo para a pop-rock dos últimos tempos. Uma relevância desconhecida. “Biancard” é um disco que passa depressa e bem com uma energia e fluidez que encantam e distraem; melhor ainda, o disco está disponível para download legal e gratuito.

Sun Glitters – “Everything Could Be Fine” (LebensStrasse Records, 2011)

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Este é um disco que transborda luz por todos os poros, fruto de uma sensível manipulação da electrónica, melodiosa, até luxuriante, combinada com um trabalho de samplagem de vozes fantástico. É esta mesma voz que em parte define a alta temperatura de “Everything Could Be Fine”. De olhos vendados, como que perto da graça divina, sente-se uma perdida brisa a percorrer pelo corpo no fim de um dia de infinito calor. É som que nos invade, num arrepio, num ritmo temperado que flui com naturalidade e nos ocupa a alma de felicidade.

Innerthoughts - “Innerthoughts”(Cogwheel Records, 2012)

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“Innerthoughts” é um longa-duração que é também um prolongamento; mais seguro; mais esclarecido; melhor. Composto pelos cinco temas do EP “Before” (Cogwheel Records, 2010), neste registo com novos arranjos, o homónimo “Innerthoughts” transporta-nos para paisagens de uma grata brandura, para ambientes serenos e melodiosos onde se disfruta com todo o prazer os múltiplos aromas folk. São as mesmas paisagens que o grupo de Coimbra completa com ternos pensamentos segredados ao ouvido, palavras que parecem querer convidar-nos para fazer parte da sua intimidade.

Oz – “Voyages” (Ethereal Sound Works, 2011)

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“Voyages” é isso mesmo. São viagens fantasiosas interpretadas por um sexteto formado por Barrosonyx (voz), David Reis (voz), Luiz Ferreira (bateria e percussões), Mário Amora (baixo), Paulo Barreto (guitarra e voz) e Susana Silva (voz). São viagens marcadas por uma forte centralidade electrónica, geradora de ambientes imaginosos, de algumas sonoridades estacionadas por esse globo fora. Talvez por isso, “Voyages” se expresse em várias línguas, adaptando expressões e palavras às texturas sonoras criadas. E são várias as texturas, passando pelo metal, pelo jazz, pela música étnica e até pelo hip hop – com participação especial de Valete. Tudo bem cheio de uma sonoridade electrónica carregada de fortes batidas e atmosferas que nos encaminham os sonhos.

Johnny Sem Dente & Os Jatfodo – “Johnny Sem Dente & Os Jatfodo” (Honeysound, 2011)

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Sem ilusões de qualquer tipo, a ideia é simples e passa por assentar quase toda a mensagem do grupo na sua forte componente instrumental. São as guitarras de Tiago Rosendo e João Sineiro que marcam com inusitada fúria o caminho do quarteto nortenho. Aos riffs nervosos o grupo soma uma secção rítmica bem capaz de segurar os temas do princípio ao fim; é obra de Cristiano Amaral (baixo) e Tiago Correia (bateria). São cinco temas com grande vibração, de um rock sério e capaz de nos fixar a atenção. E Johnny Sem Dente & Os Jatfodo fixa-nos a atenção, ao mesmo tempo que nos apela a boa parte dos músculos.

MOON(in)MOTION – “The Silent Room” (Ed. Autor, 2011)

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O caminho é quase sempre o mais alternativo, até exploratório, na forma como se cruza a centralidade ocupada pela electrónica com alguma magnitude orquestral dos arranjos. Possuidores de uma imagética muito própria, a música dos MOON(in)MOTION tende a preencher-nos a imaginação com imagens sólidas, adornadas por palavras e ritmos diferentes que as sequenciam. Em parte, a simbiose entre a música e o cinema que a dupla gosta de assumir. Mas é também um olhar para dentro. “The Silent Room” é um olhar intimista feito de sentimentos fortes materializados por uma atenta poesia dita na língua inglesa.


Rui Dinis

Rui Dinis é um bi-pai 'alentejano' nascido em Lisboa no ano de 1970, dedicado desde Jan de 2004 à divulgação da música e dos músicos portugueses em a-trompa.net.
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