abismo

Uma crítica profunda

Edivan Santtos

Colunista, poeta, escritor. Já basta.
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A polêmica arte conceitual

O que você diria se alguém perguntasse o que é arte? E se alguém perguntasse se um cachorro morrendo de fome é arte? O que você pensaria? A obra de arte está representando um caminho de difícil discussão. Se a discussão sobre uma possível definição não é recente, a solução (caso exista) não será encontrada aqui. Mas vale fazermos uma reflexão sobre os rumos da arte na sociedade.


acao1.jpgExposicion nº1, de Habacuc, 2008.

Muito já se discutiu sobre a existência ou não de parâmetros para apreciação de uma obra de arte. Sem pretensões filosóficas, veremos em que sentido e até que medida nós podemos levar essa discussão aos dias atuais. Segundo Henry Flynt, o conceito é mais importante que a obra, sendo a execução da obra um “segundo plano”.

Foi a partir de 1961 que o termo Arte Conceitual começou a ser utilizado em eventos pelo grupo Flux. Mesmo sendo desse período, tal concepção de arte veio a se popularizar mais recentemente. No centro das atenções se encontram Habacuc (Guillermo Vargas) e Damien Hirst. O primeiro se envolveu em uma grande polêmica ao usar um cachorro amarrado para ser sua obra de arte em uma exposição na Nicarágua no ano de 2008. Para Habacuc, deixar o cachorro morrer era a "obra de arte". A diretora da galeria informou aos orgãos de imprensa que o cão fugiu no dia seguinte ao evento.

guillermo_habacuc_5.jpg Exposicion nº1 de Habacuc, 2008.

Polêmico com suas obras, o inglês Damien Hirst cria verdadeiras estruturas para suas exposições. A mão do artista é dispensada, ele cria em seu computador ou imagina formas e em cada parte existe da composição existe um responsável pela montagem. Artesão, pintor, químico... Ou seja, o artista imagina e seus empregados constroem.

exposicao-damien-hirst-tate-londres-inglaterra-20120402-32-size-598.jpg The Physical Impossibility Of Death In the Mind Of Someone Living, de Damien Hirst 1991.

Grade parte da polêmica sobre tal movimento artístico se dá pelo fato de uma grande questão a ser refletida; Como seria possível a arte na era tecnológica a obra de arte? Em que medida a arte seria produção do artista sem que o mesmo a tocasse durante a sua criação. Como dito no início do texto, o mais importante para tal concepção de arte é o conceito. A arte conceitual tem como pilar tal definição. No momento em que alguém adentra em uma bienal de arte, a sua primeira impressão sobre a obra é o que importa. Em outras palavras, o impacto sobre o público.

artmarketwatch6-22-07-1.jpg Lullaby Spring, de Damien Hirst 2002.

A obra acima consiste em 6.139 cápsulas de comprimidos pintados à mão e organizados em uma estante de vidro. É a segunda obra mais cara de Damien Hirst, vendida por $22.8 milhões. Sua obra mais cara e também o maior valor pago a um artista vivo é a "For God's Sake" ("Pelo Amor de Deus", em português) que consiste m 8600 diamantes incrustados em um crânio. Foi vendida por 58 milhões de euros.

Outro artista quem chama a atenção com suas obras é Tracy Emin ela utilizou uma cama desarrumada com preservativos usados depois de relação sexual como obra de arte em uma exposição.

emin-my-bed_1670852c.jpg Mybed, de Tracy Emin, 1998.

Para muitos críticos que ainda resistem ao movimento os artistas não tem qualquer interesse em discutir ou ter uma crítica de arte, somente o valor de suas obras importa. Se o nome do artista está assinado em qualquer coisa, essa obra dispensa qualquer crítica que possa existir. Dessa forma a arte é vendida a preços astronômicos por levar a assinatura do artista.

Piero Manzoni, teve um gesto que não foi gratuito, mas sintomático. Ou melhor, uma criação. Esse artista enlatou suas fezes e vendeu a preço de ouro. Cada grama de fezes correspondia ao valor do grama de ouro. Esse gesto foi sintomático para muitos, pois ele previu os rumos da obra de arte. merdadartista.jpg Merda d'artista, de Piero Manzoni.1961. Ao que tudo indica, Gullar resumiu bem esses acontecimentos quando certa vez declarou: "Cuidado ao entrar em um exposição de arte contemporânea, você pode confundir um extintor de incêndio com um extintor de incêndio."

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