abismo

Uma crítica profunda

Edivan Santtos

Colunista, poeta, escritor. Já basta.
http://edivansanttos.com/biografia/

Um passeio pelo Brasil Colonial: Ex-Engenho São Félix

Um passeio pode nos relaxar, clarear a mente, aliviar o estresse e nos proporcionar belas paisagens. Mas também, além de tais benefícios, ele pode nos trazer conhecimento. É o caso de conhecermos, de vez em quando, pelo menos um ponto histórico. Nesse caso faremos um passeio pelo Brasil colonial no período da cana de açúcar.


Usina-4-940x440 (1).jpg Foto Ana Ambrósio.

No município de Santa Luzia do Itanhi-SE, existiam sete engenhos de cana de açúcar em atividade no período colonial. No momento vamos conhecer um pouco do São Félix, fundado em 1632. O engenho que se encontra muito bem preservado, fundado pela família Vieira que até hoje mantém a posse da propriedade.

No município de Santa Luzia do Itanhi-SE, existiam sete engenhos de cana de açúcar em atividade no período colonial. No momento vamos conhecer um pouco do São Félix, fundado em 1632. O engenho que se encontra muito bem preservado, fundado pela família Vieira que até hoje mantém a posse da propriedade.

017.JPG Fachada da Casa Engenho. Foto Edivan Santtos

O antigo proprietário era o Tenente-Coronel Paulo de Souza Vieira. Sua esposa, D. Joaquina Hermelinda da Costa, depois de ficar viúva, inicia novo matrimônio com José de Oliveira Leite, o Barão de Timbó, ganhando nesse seu segundo matrimônio o título de baronesa.

032.JPG Foto do engenho com a torre=chaminé. Foto: Edivan Santtos

O engenho passou por um processo de restauração do piso, telhado, paisagem do entorno e forros. Ao entramos, percebemos a beleza e detalhes arquitetônicos únicos. Notamos o desejo pela preservação logo ao entramos na casa, quando somos informados que somente em grupos de cinco pessoas é possível transitar pelo piso de madeira da parte superior.

084.JPG Detalhe da mobília e piso de madeira restaurado. Foto: Edivan Santtos

Cada passo é como um retrocesso ao passado. Em cada etapa da visita vamos absorvendo e criando os ambientes em nossas mentes, como um dia teria sido o convívio nesse local. A sensação é única. Quase que um ritual mágico de transporte ao século XVII. Os móveis, o ambiente calmo, tranquilo, e o ar que não temos em uma metrópole, contribuem para a sensação de êxtase com relíquias de nossos antepassados.

Segundo historiadores, o engenho teve uma grande produção de cana de açúcar, sendo o que mais produziu na região no Séc. XIX. Outro dado a se contar é que mesmo com a grande produção, ele não resistiu à crise da cana de açúcar, sendo o primeiro a ser desativado. Ao redor dos antigos engenhos ainda é possível encontramos uma paisagem exuberante. Na parte inferior do engenho, encontramos uma parte que contraditoriamente com a beleza do engenho, foi sinônimo de crueldade. Encontramos as ex-senzalas.

139.JPG Local das antigas senzalas. Foto: Edivan Santtos

138.JPG Local das antigas senzalas. Foto: Edivan Santtos

Nas fotos acima era onde a maior parte dos escravos permanecia acorrentada durante a noite. Ou por castigo ou simplesmente pelo medo do senhor de engenho que os escravos fugissem da propriedade.

Na atualidade, toda a área onde foi a senzala está ocupada com mobília da época. Sendo, dessa forma, um possível motivo para não deixar o espaço vazio como era durante o período de funcionamento do engenho, quando somente objetos de tortura ficavam no local.

A arquitetura e os detalhes dos objetos trabalhados artesanalmente são uma parte importante da visita, mas a sensação de poder está um pouco “mais perto” da história, é a sensação única e peculiar. A beleza do local é um atrativo, o conhecimento que uma visita nos trará é mais um atrativo, ou talvez o principal.

Publicado em Jornal de Sergipe

Acompanhe mais publicações em : Edivan Santtos


Edivan Santtos

Colunista, poeta, escritor. Já basta. http://edivansanttos.com/biografia/.
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/recortes// @destaque, @obvious //Edivan Santtos