abismo

Uma crítica profunda

Edivan Santtos

Colunista, poeta, escritor. Já basta.
http://edivansanttos.com/biografia/

Estamos tão perto e tão distantes

Que atire a primeira pedra aquele que nunca se sentiu sozinho mesmo podendo fazer videoconferências, que alguém diga em qualquer momento, que mesmo com os benefícios que a tecnologia nos trouxe, não nos sentimos solitários e muitas vezes isolados em nós mesmos. Qual seria o limite?


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É indiscutível os benefícios que a internet trouxe. Não só ela, mas todo o processo tecnológico. Nossas vidas foram unidas de forma irreversível, estamos a um simples toque de uma teca para falarmos com alguém. Ou em alguns casos nem precisamos teclar.

Mas aí reside um problema para muitas pessoas: a dependência tecnológica. Não em níveis exacerbados. Falemos então sobre a tão chamada vida social.

Não é raro, ora seja muito comum, encontrarmos pessoas que em encontros ficam a maior parte do tempo com celulares, esquecendo um ao outro. A perspectiva de algo mais próximo chega somente após uma ou outra bebida. É claro que isso já acontecia (a bebida como ponte). Mas as pessoas de tanto se conectarem ao mundo virtual, estão perdendo a capacidade de se conectarem ao real. Ou seja, falta habilidade para se comunicarem oralmente entre si. A falta de vocabulário pela deficiência de leitura é evidente. Isso acaba fazendo as pessoas irem à internet buscar cantadas para encontro ou algo do tipo. Quem nunca ouviu falar de um amigo (a) que acabou um relacionamentos via sms (mensagens de texto)?

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A fragilidade de se interagirem é notada quando alguém profere frases do tipo: ligar pra que se temos “what’s app”? Como se não bastasse a falta de contato físico, a voz (uma dádiva à espécie humana) também está sendo suprimida. Não algo de 15 segundo, mas uma boa conversa quando a presença não é possível. Isso nos faz lembrar a letra de uma música da banda O Rappa “Botões e atalhos amplificam a distância/ E a preguiça de estar lado a lado veste a armadura/ Esse é o poder solitário”. Ou seja, nos prendemos cada vez mais em nós mesmo. Nos perdemos em nossa própria solidão, esquecidos de todos, de tudo.

As redes sociais e a internet como um todo são uma necessidade, isso caso não seja o desejo viver enclausurado. O que deve ser notado, é o excesso a que temos nos exposto. Muitas pessoas trabalham e ganham seu sustento em redes sociais e na internet, mas acabam esquecendo de como é a vida lá fora. Evidente que é opção de cada um, mas quem não pensa como seria bom um abraço em uma noite fria ou assistir um filme junto à alguém? Não precisa ser no cinema, poderia ser em casa. Essa seria a melhor opção?

Estamos esquecendo como é sentir carinho, ter uma preocupação além de atualizar seu perfil. O que poderá ser mais desastroso que esquecer o que é um beijo com carinho? Além de só um momento, algo estranho e forçado por necessidades fisiológicas? Nossos pensamentos estão se concentrando em sermos mais distantes, mais solitários. Neste momento surge uma ideia que poderia ser assombrosa. Qual o sentido de dizermos que somos humanos se a cada momento queremos estar o mais distante disso?

Como dito anteriormente, é uma questão de escolha. Não podemos não-escolher. Uma não-escolha já se configura uma escolha. Então, estamos fadados a escolher. Então, escolha o que pretende seguir.

Deseja um abraço ou um curtir?


Edivan Santtos

Colunista, poeta, escritor. Já basta. http://edivansanttos.com/biografia/.
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