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JHONS CASSIMIRO

Escrevo sobre tudo que parece ter vida e conteúdo, e que sobretudo tem proveito.

A derrota do feminismo em “Grace de Mônaco”

Grace de Mônaco é um filme recheado de beleza, seja na estética de Nicole Kidman, seja nas ruas pomposas de Paris e Mônaco. É também um triste retrato das mulheres, que as feministas não gostariam de ver em grande número em nossa sociedade atual.


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Contém Spoilers

O feminismo encontra-se há décadas em uma luta permanente por conquistas, que ao longo do tempo, colocou a mulher em lugar de destaque na sociedade. Fez dela alguém capaz de desempenhar o próprio papel, algo revolucionário e modificador.

O domínio masculino ainda persiste no cotidiano, embora algo maior tenha acontecido. A mulher é o que ela quiser ser, fato que, antes do século XX era impensável na mente do homem – e da maioria das mulheres.

Quando se diz que “a mulher é o que quiser ser”, uma ideia de poder e liberdade ronda suas mentes. Logo vêm à tona as figuras que estão no topo da política e na luta por ele, além de sua presença dominante no mercado de trabalho, independente da profissão. Hoje elas podem escolher o que quiserem ser, e há aí uma grande ilusão e armadilha, uma vez que permanecem com seu direito de continuar sendo como no passado. Ainda podem escolher serem apenas donas de casa e criadoras de filhos (não que isto demande pouco trabalho). Ainda podem continuar a acreditar em príncipes encantados e em uma vida de contos de fadas, mesmo que isto jamais tenha existido na vida da mulher comum.

No filme Grace de Mônaco, dirigido por Olivier Dahan e estrelado por Nicole Kidman, a figura da princesa representa fielmente a maioria das mulheres que, apesar de possuírem liberdade suficiente, conquistada ao longo de tantas batalhas, prefere representar o papel que a sociedade masculina escolheu. Ainda há na mulher o medo enraizado de não atender as expectativas atribuídas desde longa data, a qual nem se sabe remontar.

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Grace Kelly, por ser atriz consagrada de Hollywood – alguém de mentalidade diferente do resto da sociedade – sente-se pressionada por si mesma e pelo meio artístico, a retornar à carreira. Junto a este desejo, também percebe que as pessoas ao redor, no principiado, incomodam-se com sua atitude participativa (um modo de ser americano) em relação aos assuntos considerados “de homem” e em relação às atividades de benefício ao povo, as quais pretendia desenvolver junto a outras mulheres. Entende então que enfrentará resistência e conflito tanto por parte dos homens, quanto das mulheres que estão interessadas apenas em assuntos banais do cotidiano, como reuniões e bailes.

Ao tentar retornar a ser atriz, percebe a dimensão que o casamento impôs sobre sua figura. De início, obteve o apoio do marido para estrelar um filme de Alfred Hitchcock, mas ao ver-se envolvida em tensões de interesses políticos do principiado de Mônaco, sentiu-se obrigada a ir contra o próprio desejo.

Aos olhos da sociedade, o fato de retornar ao trabalho que exercia quando solteira, significava que o casamento encontrava-se em crise, pois cuidar do marido e dos filhos era a única coisa que a mulher estava destinada a fazer. Se decidisse pelo divórcio – talvez, algo mais fácil para ela – estaria demonstrando seu fracasso como princesa, além de expor os filhos a uma situação difícil, levando em conta a época em que a história é contada, a década de 1960.

Percebeu que no momento em que se casara com o príncipe Rainier III (Tim Roth), esteve “condenada” a ser uma princesa e isto não apenas representava glamour, mas sim obrigações, as quais o título trazia junto.

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Restava-lhe fazer aquilo que mais sabia, que era interpretar. Jamais voltaria ao cinema, mas representaria pelo resto da vida o papel de princesa, que havia escolhido no momento em que casara. Escolheu ser infeliz, desempenhar aquilo que a sociedade determinou, contudo se sentiu adequada naquilo que tinha escolhido.

Algo bastante semelhante à maioria esmagadora das mulheres que continua acreditando e buscando uma vida de conto de fadas.

Grace de Mônaco é um filme recheado de beleza, seja na estética de Nicole Kidman, seja nas ruas pomposas de Paris e Mônaco. É um triste retrato das mulheres, que as feministas não gostariam de ver em grande número em nossa sociedade atual.

Estreia: 02 de outubro de 2014 (Grace of Monaco) Elenco: Nicole Kidman, Milo Ventimiglia, Tim Roth, Parker Posey, Paz Vega, Frank Langella, Derek Jacobi, Geraldine Somerville, Nicholas Farrell. Direção: Olivier Dahan Gênero: Drama


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