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Falar e pensar, sobretudo o que me interessa

JHONS CASSIMIRO

Escrevo sobre tudo que parece ter vida e conteúdo, e que sobretudo tem proveito.

Ver a vida pelos olhos da loucura

Quando se está de fora, nada pode ser visto ou ouvido. Ninguém crê que possa ser real. Pelo contrário, riem, sentem pena, buscam por algo que faça tudo isso mudar o mais rápido possível. Não importam os desejos do delirante, espera-se apenas que ele mude, deixe de ser quem é e enquadre-se no padrão do normal. Uma rápida impressão do filme In Your Eyes.


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“A LOUCURA ESTÁ EM TODOS OS LUGARES AO MESMO TEMPO”

Rebecca e Dylan, os personagens principais do filme In Your Eyes, dão vida a uma relação metafísica, impossível no mundo real. Estão em lugares diferentes e distantes, sem que jamais se vejam pessoalmente. Não se trata de um relacionamento virtual, tão comum em tempos de internet. Conhecem um ao outro desde a infância, quando ele sente a dor e a experiência de um acidente sofrido por ela, que brincava na neve. Os primeiros minutos do drama-romance-fantasia-comédia mostram uma história absurda. Esta é a impressão que se tem ao assistir o início do longa escrito e produzido por Joss Whedon, dirigido por Brin Hill.

Passados alguns instantes, o espectador perceberá que é necessário estar do lado dentro. Ser o personagem, e até mesmo ver o mundo à volta, pelos olhos da loucura.

“É, A LOUCURA NÃO EXISTE”

A partir daí, contaminados pela insanidade, toma-se conhecimento de como é estar na pele de um esquizofrênico. A grande sacada do filme consiste em fazer com que o espectador sinta a normalidade do anormal e dos delírios. Os pensamentos considerados falsos, que não têm base na realidade, passam a ser o conteúdo principal do roteiro. Passa-se a acreditar, de forma irrevogável que os personagens estão desenvolvendo uma história de libertação e descoberta de um romance.

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“NORMAL É O TÉDIO DOS DIAS SEM GRAÇA QUE AS PESSOAS FAZEM PRA ELAS MESMAS”

Rebecca é casada, dispõe de um marido médico que busca proteger e tratar sua doença mental. Dylan é um ex-presidiário que não se dá bem em nenhum setor da vida cotidiana, tanto nas relações pessoais, quanto no trabalho. Aos olhos das pessoas normais que os cercam, Rebecca e Dylan representam um peso para a sociedade, são estigmatizados. Ela não consegue se comportar bem em jantares que seu marido oferece. Ele demonstra inaptidão para um simples encontro em seu trailer, com uma possível candidata a namoro. Vê seu emprego de lavador de carros, ser constantemente ameaçado, por estar sempre falando sozinho. Quem está de fora, os consideram estranhos. Dylan e Rebecca, em momento algum se consideram como tal. Mas ao mesmo tempo percebem que há uma força externa que os censura. Ao tentar se conhecerem melhor e aprofundar a relação, encontram barreiras e percebem que, pela primeira vez se sentem à vontade no mundo. É necessário então, a fuga daquilo que é considerado normal.

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Poderia ser apenas a história de dois fracassados, que tentam a todo custo fugir de um mundo repleto de convenções. Visto pelos olhos da loucura, é uma história de felicidade, através da busca da libertação das amarras, que cada um faz, como se fosse uma troca de pele, deixando para trás aquilo que tanto incomoda.

DAQUI A POUCO ENCONTRAR UMA CARTA DE EUFORIA... E QUEM NÃO É? E QUEM NÃO É? E QUEM NÃO É?

Obs: os trechos intercalados ao longo do texto, pertencem à musica La Critique de Ana Carolina. Trata-se de música instrumental contendo frases soltas ditas por doentes mentais.


JHONS CASSIMIRO

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