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Falar e pensar, sobretudo o que me interessa

JHONS CASSIMIRO

Escrevo sobre tudo que parece ter vida e conteúdo, e que sobretudo tem proveito.

O doador de memórias

Quando as pessoas têm liberdade de escolha, elas escolhem errado. Mas, quem tem o direito de nos dizer qual decisão tomar? Não é a toa que possuímos a capacidade de decidir, a partir das lembranças do que fomos e do que nos tornamos. Que sejamos compelidos a lembrar todos que foram dizimados em nome de um mundo puro, cercado das ilusões que as regras impõem.


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Cercado de incertezas, o cotidiano nos obriga a mergulhar, a cada segundo, em um mundo repleto de perigos. O ódio está estampado na cara de quem mata, rouba e combate nas intermináveis guerras por pedaços de chão. A dor da perda assola a vida de cada indivíduo, as doenças não param de surgir, a mentira não para de ser dita, a inveja ronda em cada esquina. Temos fome, dor e ira.

E se de repente tudo mudasse? E se as coisas deixassem de ser como são? Se vivêssemos em um mundo ideal, qual o preço que deveríamos pagar? Valeria a pena? Adaptado do best-seller de Lois Lowry, o filme The Giver (O doador de memórias, no Brasil) trouxe ao cinema, questionamentos pertinentes sobre o mundo e nossa sociedade.

Vivendo em uma espécie de comunidade, os personagens estão, desde que nasceram, submetidos a uma série de regras que cumprem, sem que jamais possam questionar seus fundamentos e lógica. Cada um deles é determinado a seguir uma profissão, desempenhar um papel. Acreditam que vivem em harmonia e que qualquer erro pode ser consertado. Jamais desconfiam que algo lhes falta, até o momento em que alguém decide que as coisas poderiam ser diferentes.

O personagem Jonas (Brenton Thwaites) é o responsável por tentar subverter a ordem na comunidade. Tenta a todo custo mostrar durante o filme (claramente ao espectador, e de forma sutil aos personagens), porque um mundo ideal, vazio de sentimentos e cores, não valeria a pena. A descoberta de cada cor, de cada som e de cada sentimento, nos imprime o valor que talvez esteja perdido no emaranhado de dores e confusões de nosso cotidiano.

Para alcançar tal objetivo, Jonas terá que contrariar ordens superiores, assumindo riscos, que seriam desnecessários, se não tivesse se atrevido a pensar de forma diferente.

Com Meryl Streep, Katie Holmes, Jeff Bridges e Tayler Swift no elenco, o filme de ficção científica foi dirigido por Phillip Noice.

Em um mundo repleto de emoções, tudo se transforma em algo mais profundo e maior. Sentimos a necessidade de ser cada vez mais. A vida se torna mais completa. Quanto mais experimentamos, mais queremos.

Ao invés de ter alguém para dizer o que é certo e errado, melhor seria possuir a capacidade de decidir, a partir das lembranças do que fomos e do que nos tornamos. Relembrar todas as histórias e emoções vivenciadas, todas as guerras travadas em vão e que jamais devem ser esquecidas pela história. Relembrar todos os homens mortos em nome de um mundo puro, cercado de ilusões que as regras impõem.


JHONS CASSIMIRO

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