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Falar e pensar, sobretudo o que me interessa

JHONS CASSIMIRO

Escrevo sobre tudo que parece ter vida e conteúdo, e que sobretudo tem proveito.

PEDIASUIT – a evolução vinda da guerra

O que se pode perceber das guerras, é que seu legado é de negatividade quando o assunto é a vida humana. No entanto, há desenvolvimentos tecnológicos que foram advindos principalmente da Guerra Fria e que ganharam bastante utilidade nos dias atuais. Em destaque está uma tecnologia desenvolvida e aplicada pela Fisioterapia para corrigir distúrbios advindos de déficits neurológicos em crianças, o PediSuit, que foi inspirada nas roupas dos astronautas russos.


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“Pensem nas crianças mudas telepáticas / Pensem nas meninas cegas inexatas...”.

Assim começa o poema “Rosa de Hiroshima” de Vinícius de Moraes, que descreve a grande estupidez que uma guerra representa por não agregar nenhum valor positivo ao indivíduo comum, que não possui relação alguma com a loucura pelo poder, encontrada nas mentes perversas dos grandes governantes. Estupidez que pode ser confirmada também em cada livro de história, em cada filme lançado a respeito do tema e nos incontáveis registros fotográficos sobre as mais diversas guerras já travadas pelo homem. Elas trouxeram principalmente às vítimas indiretas, prejuízo financeiro, mortes, mutilações, mutações de DNA e consequentemente cânceres severos.

Houve também uma guerra diferente, denominada “fria”, onde as superpotências não entraram em uma batalha com mísseis e bombas, visto a inviabilidade da vitória por qualquer uma das partes em uma guerra nuclear. Foi uma corrida pelo poder mundial, mas, sobretudo trouxe uma incrível aceleração no desenvolvimento das tecnologias. Podem-se enumerar algumas e ver que décadas após o surgimento, possuem utilidades inegáveis. As câmeras digitais, o GPS, o forno de micro-ondas, o desenvolvimento do controle do tráfego aéreo, o computador e a internet, podem ser percebidos como sendo um legado positivo que a Guerra Fria deixou.

Se falarmos em tecnologia em saúde, temos grandes feitos que surgiram na época da Segunda Guerra Mundial, como a produção em massa de antibióticos e de outros medicamentos, a transfusão de sangue e a medicina aeroespacial, que possibilitou o voo em altitudes elevadas durante um longo período de tempo.

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Algumas décadas após o fim da Guerra Fria, algo de positivo em relação às crianças, pode ser colhido. Profissionais da reabilitação (Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais) perceberam nas roupas dos astronautas russos uma possibilidade de uso em crianças com deficiências neurológicas que possuem um desenvolvimento motor fora dos padrões de normalidade. A ideia foi inicialmente estudada na Polônia, na década de 70, quando se percebeu que havia uma perda da força muscular após um longo período no espaço, devido à ausência da gravidade. Foram criados macacões que possibilitaram a manutenção de uma postura biomecanicamente alinhada. Serviria então para corrigir os mesmo déficits presentes nas crianças. A ideia obviamente necessitaria de adaptações que foram realizadas ao longo do tempo. img-home.jpg

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Desenvolveu-se um protocolo de reabilitação e o equipamento compõe-se em chapéu, colete, calção, joelheiras e calçados adaptados, que são interligados por bandas elásticas, possuindo o objetivo de alinhar o corpo o mais próximo do normal possível. A vestimenta ganhou o nome de PediaSuit. Junto à ela, é necessária a realização de um tratamento intensivo, no qual a criança será estimulada na busca de resultados satisfatórios. De acordo com o site dos desenvolvedores do protocolo, o método PediaSuit é uma abordagem holística para tratamento de indivíduos com distúrbios neurológicos que afetam as funções motoras e cognitivas. Todo o procedimento tem como base um programa de exercícios específicos e intensivos. Ele estimula o crescimento e desenvolvimento de cada criança. Trabalha a eliminação de reflexos patológicos e o estabelecimento de novos padrões de movimentos corretos e funcionais. O PediaSuit é indicado também no tratamento de distúrbios de equilíbrio, alterações em coordenação motora, diminuição de massa óssea, diminuição de força muscular, distúrbios de integração sensorial, traumatismo crânio-encefálico, acidente vascular encefálico, ataxia, atetose, hipotonia, hipertonia, desordens neurológicas, Autismo, Síndrome de Down, entre outros.

O que torna esta tecnologia importante (em comparação a outras tecnologias advindas de uma guerra) é o fato de ser capaz de devolver a esperança de uma melhor qualidade de vida para as crianças, algo que certamente a maioria das guerras não pode proporcionar.

Este progresso mostra a capacidade que cada um tem de contradizer a ignorância daqueles que são “nascidos para matar”. Dar mais uma chance à vida, inserindo nela qualidade através de estímulo e correção, tornou-se a razão das profissões de reabilitação física. Ao contrário da Rosa de Hiroshima, estúpida e inválida, que não trouxe nada de positivo para todos daquele lugar, esta tecnologia surge como um contraponto à morte, à dor, ao sofrimento. É um renascimento, que a Fisioterapia busca desenvolver através de bases científicas, para que cada criança possa ter a chance de evoluir.

Veja aqui mais informações sobre o Pediasuit.


JHONS CASSIMIRO

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