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Falar e pensar, sobretudo o que me interessa

JHONS CASSIMIRO

Escrevo sobre tudo que parece ter vida e conteúdo, e que sobretudo tem proveito.

As ideias musicais nos livros de Paulo Coelho

A obra de qualquer escritor permeia-se de características pessoais. Sua alma é desnudada para a observação do público, que ao longo dos anos passa a conhecer de forma mais profunda sua maneira de pensar e agir. Quando o literato em questão é Paulo Coelho – que também já fora compositor – torna-se possível ver o desenvolvimento de suas ideias ao longo das décadas, tanto nas músicas, quanto em seus livros e em seu cotidiano já desnudado em biografias.


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Talvez uma das ideias mais presentes nos livros de Paulo Coelho esteja contida nas canções "A maçã" e "Medo da chuva". Encarar o adúltero como algo aceitável em um relacionamento, justificado pela percepção dita masculina, que separa o amor do sexo (algo inaceitável para a maioria das mulheres, que exige fidelidade), é tema recorrente em alguns de seus best-sellers. Em seu mais recente, denominado "Adultério", retrata como o título já entrega, um relacionamento extraconjugal da personagem principal com um antigo colega de escola. Após anos sem se ver, o casal vive um tórrido relacionamento que tem como base a aventura sexual, que devolve à protagonista a beleza dos dias, independente do fato de ela continuar amando seu marido.

Lançado em 2005, "O Zahir" conta a história de um homem que está à procura da esposa, uma jornalista de guerra, que desaparecera supostamente de maneira misteriosa. O protagonista confirma suas suspeitas ao descobrir que ela se afastara para viver um romance com um homem mais jovem. Ao final, ele entende a traição e o escritor demonstra no caráter dos personagens, toda sua filosofia contida naquelas canções e também já confessada no livro "O Aleph" de 2010, no qual o personagem principal é o próprio Paulo Coelho em uma viagem pela ferrovia Transiberiana. Paulo narra uma história vivida com uma jovem leitora dentro do trem, quando estava em busca da sua fé, que se encontrava abalada após anos de diversificadas experiências neste campo.

Tanto em “O Aleph”, “O Zahir” e em “Adultério”, Paulo demonstra que continua pensando da mesma maneira da época em que compôs “A maçã” e “Medo da chuva”, ao defender o relacionamento aberto, quase isento de ciúmes. Característica que também pode ser observada em seu comportamento revelado em sua biografia "O Mago" escrita por Fernando Morais e também no filme "Não pare na pista", lançado em 2014 abordando a vida do escritor brasileiro mais lido no mundo.

...O amor só dura em liberdade, o ciúme é só vaidade, sofro mas eu vou te libertar... O que é que eu quero, se eu te privo do que eu mais venero, que é a beleza de deitar?...

É pena que você pense que eu sou seu escravo / Dizendo que eu sou seu marido e não posso partir / Como as pedras imóveis na praia eu fico ao seu lado / Sem saber dos amores que a vida me trouxe e eu não pude viver...

Seu livro menos vendido, "O vencedor está só" retrata no mundo das Super-celebridades, um dia vivido entre personagens influentes no Festival de Cannes. Apesar de fictícios, Paulo consegue demonstrar características da vida de um tipo que o próprio autor havia se transformado. Sua popularidade o transformou em uma espécie de super-herói. Aclamado pelo público estrangeiro e grande parte do brasileiro, Paulo Coelho coleciona títulos e honrarias. No Brasil, a mais importante sem dúvida é o fato de ter se tornado imortal da Academia Brasileira de Letras. Sua presença nesta casa é bastante contestada por aqueles que seguem a cartilha proposta pelos críticos literários deste país que não concedem elogios à sua obra. Independente da crítica, o escritor segue em frente, tornando-se nome influente em todas as partes do mundo. Em sua música "Super-heróis", Raul Seixas trava um diálogo com Paulo Coelho ao narrar cenas cotidianas com a presença de astros brasileiros e mundiais como Sílvio Santos, a seleção de futebol, Marlon Brando, Pelé e Fittipaldi. A música constrói uma espécie de crítica ao cidadão comum que dispende grande atenção às celebridades (como é que eu posso ler, se eu não consigo concentrar minha atenção? Se o que me preocupa no banheiro e no trabalho é a seleção?). Mal sabiam eles que décadas depois, Raul Seixas tornar-se-ia um mito após sua morte e Paulo Coelho, um mito ainda em vida.

A busca incessante pelo sucesso como escritor remonta da época da infância, quando ganhara um concurso da academia de letras de seu colégio. A descoberta do desejo, a busca pelo sonho, o cumprimento da "lenda pessoal", transformou-se na obsessão de Paulo Coelho, que pôs em "O Alquimista" toda a ideia contida na música "Tente outra vez". Seu livro mais famoso conta a história de um pastor de ovelhas que tem um sonho repetido. Apesar de parecer absurdo, segue na direção que ele indicava. Após grandes aprendizados e infortúnios, realiza aquilo que tanto deseja.

É também deste livro suas frases mais marcantes, como: "Quando você quer uma coisa, todo o universo conspira para que você realize seu desejo", algo bem semelhante à "basta ser sincero e desejar profundo, você será capaz de sacudir o mundo...".

Tentar outra vez, certamente foi algo recorrente na vida do escritor, que encarou durante anos a dificuldade para ter sua escrita vista pelos leitores. A chegada de Paulo Coelho ao topo das listas dos mais vendidos é a prova que sua maneira de encarar a vida, presente nas letras de músicas e nos livros, surtiu efeito, fazendo com que suas ideias - muitas vezes libertárias, feministas e espirituais - chegassem às mais diferentes culturas.


JHONS CASSIMIRO

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