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Falar e pensar, sobretudo o que me interessa

JHONS CASSIMIRO

Escrevo sobre tudo que parece ter vida e conteúdo, e que sobretudo tem proveito.

O poder da imaginação em 'O irmão alemão'

Às vezes não se sabe se ainda é hoje, ou se se trata de anos passados. Em um mesmo parágrafo percebe-se a evolução dos momentos, como se quem lê estivesse diante de uma tela de cinema. A rapidez dos acontecimentos domina "O irmão alemão" de Chico Buarque.


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A fluidez na escrita de histórias, ora verídicas, ora imaginárias, se camufla entre os devaneios que o narrador tem de súbito ao se ver perdido em meio aos pensamentos e momentos oníricos.

Imaginar momentos que talvez jamais existiram, emendar o conteúdo dos sonhos dentro da mesma cena, faz com que o leitor não perceba o tempo passar. Às vezes não se sabe se ainda é hoje, ou se se trata de anos passados. Em um mesmo parágrafo percebe-se a evolução dos momentos, como se quem lê estivesse diante de uma tela de cinema. A rapidez dos acontecimentos domina "O irmão alemão" de Chico Buarque.

O livro conta a busca de um suposto irmão, após a descoberta de evidências contidas em sussurros ouvidos por trás das paredes, em cartas escondidas nas gavetas e livros, que apesar de fazerem o papel de detentores de segredos, servem como indutores de curiosidade, transformando a vida do narrador numa permanente viagem imaginária.

A imaginação é a personagem predominante do livro. Por não ter vivenciado as histórias, o narrador vale-se de grande criatividade para criar as situações vividas pelo irmão perdido.

A silenciosa relação do narrador com o pai - dono de uma grande biblioteca montada dentro da própria casa - também é observada através de suposições, histórias imaginadas, possíveis devaneios que servem como se fossem tijolos, que ao longo do livro constroem a imagem paterna e de sua família.

Em certa passagem o narrador percebe a importância e a simbologia que aquela casa-biblioteca representa ao dizer:

"... e a casa uma vez oca talvez ruísse, sem a massa livresca a ossatura das estantes talvez envergasse até estalar... "

A farta imaginação seria então resultado da permanente presença do livro na vida dos personagens. Chico Buarque homenageia, além da sua própria história pessoal, aquele que é figura dominante em sua vida. Como cenário para o romance, Chico Buarque vale-se das tristes épocas da ditadura militar brasileira e do nazismo alemão.

Lançado pela Companhia das Letras, O irmão alemão é o quinto romance de Chico Buarque de Holanda que utilizou a descoberta real de um irmão germânico como inspiração para o desenvolvimento de seu novo livro.


JHONS CASSIMIRO

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