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Falar e pensar, sobretudo o que me interessa

JHONS CASSIMIRO

Escrevo sobre tudo que parece ter vida e conteúdo, e que sobretudo tem proveito.

A tecnologia contra o livro ostentação

A ideia que o livro virtual passa, é a desimportância que deve ser dada para o conteúdo físico, que nada representa, dando destaque para o patrimônio imaterial, que é a história que o livro se propõe a contar.


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No ano de 2009, uma capa de revista chamou a atenção por trazer uma novidade tecnológica nas mãos de um pop star mundial da literatura brasileira. A Revista Época inspirou-se – ou imitou – a capa da Newsweek, fazendo a divulgação do Kindle, o leitor de livros virtual mais famoso. A chamada de capa da revista brasileira alardeou uma profecia que, infelizmente ainda não se cumpriu. A chegada desse objeto no Brasil naquele ano veio oferecer ao país de poucos leitores, uma boa oportunidade de mudança em relação aos hábitos negativos que assolam nossas estatísticas.

Muitas desculpas são dadas para o fato de consumirmos em média apenas quatro livros por ano. Enquanto alguns alegam falta de tempo, outros apelam para a falta de dinheiro ao afirmar que o livro físico custa caro. Partindo deste pressuposto, mais difícil ainda seria convencer uma pessoa, que tem pouco interesse por leitura, a despender cerca de R$ 300,00 na compra de um leitor de livros virtual.

Ao observar o comportamento dos leitores mais assíduos, em fóruns de internet sobre livros, ou em comentários dos vídeos feitos pelos vloggers, muita gente demonstra indisposição quando o assunto é Kindle, Kobo, Sony Reader, LeV ... Dentro destes comentários, algo em especial chama a atenção – a necessidade de TER o livro como um objeto. Muitos dizem que precisam sentir o cheiro do livro, admirar a beleza da capa, folhear o objeto de desejo, ter estantes empilhadas para exibir o conhecimento possuído.

Em tempos de ostentação da futilidade, a inclusão do livro neste contexto é algo ultrajante. A ideia que o livro virtual passa, é a desimportância que deve ser dada para o conteúdo físico, que nada representa, dando destaque para o patrimônio imaterial, que é a história que o livro se propõe a contar. O leitor virtual é sem atrativos visuais, retangular, preto, sem acesso fácil a browser de internet. Quando se lê neste objeto, ele praticamente some, inclusive pelo seu baixo peso e pegada ergonômica. A ideia que os desenvolvedores querem (e conseguem) passar é dar total interesse apenas ao que está sendo lido.

Na prática, quem aderiu ao avanço tecnológico percebe de imediato a crescente necessidade de aquisição de mais conhecimentos, conteúdo e fantasias que as histórias são capazes de proporcionar. A leitura passa a ser um hábito, algo extremamente incomum no Brasil, e as estatísticas (comprovadas apenas por experiência própria e de outros usuários) outrora ínfimas, tornam-se animadoras. Em relação aos entraves como o preço dos e-books, ainda considerados caros, existem alternativas ditas politicamente incorretas, mas que para quem dá suprema importância à difusão do conhecimento, o peso na consciência por realizar certas práticas, tem pouca importância.

Em um país com baixa resolutividade de problemas educacionais, a propagação de um mundo com mais oportunidades gratuitas de leitura surge como uma boa saída, que cada um assume por sua conta e risco. Neste caso, os riscos são representados pela formação de um povo mais rico em conhecimento, apto a evoluir a um novo nível.


JHONS CASSIMIRO

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