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Falar e pensar, sobretudo o que me interessa

JHONS CASSIMIRO

Escrevo sobre tudo que parece ter vida e conteúdo, e que sobretudo tem proveito.

Um livro é uma arma carregada na casa vizinha

Você tem duas opções: ler ou queimar. O que você faria?


khvhvj.jpg Foto:@jhons_cass

Ray Bradbury publicou em 1953 o livro Fahrenheit 451, que se tornou um clássico da literatura mundial ao contar a história de uma sociedade onde os bombeiros existiam para atear fogo aos livros e não para apagar incêndios. Estes objetos eram considerados subversivos, representando uma ameaça ao sistema estabelecido.

Não foi governo algum quem decretou a ordem, mas os próprios indivíduos que decidiram abandonar o mundo perturbador, caótico e depressivo promovido pelos livros e seus mais diferentes conteúdos.

A cada final de livro lido, pula uma pulga atrás da orelha. Por mais simples e de entretenimento que seja, esse objeto me causa um momento de reflexão, promove uma catarse e sempre encontro algo nele que relaciono com minha individualidade.

É uma realidade bastante triste perceber o quanto se lê pouco. Mas será que já é suficiente a quantidade de pulgas que pulam atrás das nossas orelhas?

Vivo bombardeado de notícias, fofocas, causos, tragédias cotidianas que me fazem querer fechar os olhos e ouvidos. Me irrita saber da política e seus canalhas, dos acidentes de trânsito, das mortes pelo tráfico de drogas, pela fome ou pela enchente. Me irrita até ouvir o choro do bebê e o mau humor dos amigos.

Então eu fujo. Pego o estimado fone de ouvido, escolho um disco, um filme, uma série e deixo para trás toda uma pilha de problemas que não irão sumir, mas por algum tempo, deixará de me fazer sofrer.

Estou anestesiado e esse processo se repete todos os dias de minha vida. Quando entro em contato com meu semelhante, que também está anestesiado, a interação é de intolerância, ignorância e violência. O discurso de ódio se multiplica, pois não sou mais capaz de parar e pensar.

Parafraseando Ray Bradbury, ninguém tem mais tempo para ninguém, poucos se toleram. Então fecho os ouvidos para tudo que me incomoda, inclusive os meus próprios problemas e não preciso que venha um objeto e me traga mais desespero e angústia. Então eu destruo meus livros, não com fogo e seus 451 graus fahrenheit, mas com a poeira do esquecimento.

Sinto o peso da culpa batendo por saber que muito provavelmente a melhor fonte para nutrir o pensamento seja o livro. Foi nele que pude conhecer o passado para compreender o presente. Foi nele que conheci primeiro o meu planeta e seus mais diferentes aspectos geográficos. Foi nele que aprendi os mistérios da matemática, a grandiosidade e a beleza da língua, da sociedade e da filosofia.

Por mais que isso seja verdade e bonito, é raro encontrar um amigo para conversar sobre um livro lido, sentar numa praça, compartilhar um momento e exercer o sublime, porém perigoso ato de pensar.

Caminhamos para dias onde se lerá menos sobre filosofia, sociologia e artes. As reformas que os políticos fazem levarão os futuros cidadãos a este caminho, onde a realização do trabalho técnico e mecanizado é o que importa.

"A escolaridade é abreviada, a disciplina relaxada, as filosofias e as línguas são abolidas, gramática e ortografia pouco a pouco negligenciadas, e, por fim, quase totalmente ignoradas. A vida é imediata, o emprego é que conta, o prazer está por toda parte depois do trabalho. Por que aprender alguma coisa além de apertar botões, acionar interruptores, ajustar parafusos e porcas? " (Trecho de Fahrenheit 451)

Que nos livremos da anestesia, que saibamos dosar melhor o entretenimento. Que possamos ouvir mais a voz interior com seus problemas infinitos. Que possamos ser capazes de ter compaixão pelos problemas dos outros, da nossa cidade, do nosso país e do nosso planeta.

Que saibamos encontrar sabedoria nos melhores lugares possíveis, onde sem dúvida, os livros estão incluídos.

Tornemo-nos livros e livres.

P.S.: O título desse texto é de autoria de Rey Bradbury, frase contida no citado livro.


JHONS CASSIMIRO

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