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Falar e pensar, sobretudo o que me interessa

JHONS CASSIMIRO

Escrevo sobre tudo que parece ter vida e conteúdo, e que sobretudo tem proveito.

Apreendendo a subjetividade de 2001: uma odisseia no espaço

Após a leitura, um universo de reflexões pairam sobre nossas cabeças. É hora de apreendê-las.


capa1.jpg Filme 2001: uma odisseia no espaço

No momento do primeiro contato com aquelas intrigantes cenas, eu tinha 15 anos. Vivenciei os iniciais minutos do século XXI em frente à televisão sintonizada em um canal que reproduzia um filme de 1968. Seria talvez a hora mais inadequada de ver um filme, pois se tratava do reveillon de 2001 e o normal seria estar comemorando o início dessa nova era.

Meu lado nerd - que na verdade é um "todo" - prendeu meus olhos e atenção para aqueles macacos, que estavam prestes a se modificar, na aurora da humanidade. Com 15 anos não compreendi nada do que se passava, mas sabia que um dia, com a evolução do raciocínio, iria compreender. O que não sabia era que seria capaz de aprender tanto daquela história que meus olhos apreenderam na tela e nas letras de um livro.

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Arthur C. Clarke publicou 2001: a space odyssey após o lançamento do longa-metragem, que foi roteirizado a partir do livro. Stanley Kubrick, mestre da imagem, pioneiro na realização de novas maneiras de fazer cinema, deu ao mundo um filme pouco compreendido. Pode ser considerado um dos melhores de todos os tempos e suas duas horas e meia de poucos diálogos e grandes silêncios deixam o espectador intrigado a cada desenrolar que pouco desvenda e muito o confunde.

Aquela velha história de que o livro é melhor que o filme também não falhou neste caso. Apesar da beleza da película, após ler o livro percebe-se a grandiosidade deste. Fazendo uma comparação temática, é como se o filme fosse o planeta Terra e o livro o universo - e ainda mais, o multiverso - se é que ele existe mesmo.

Todas as lacunas deixadas no produção de Kubrick são elucidadas no livro, que nos apresenta o alienígena como o responsável pela evolução da forma de vida pensante nos mais diversos mundos. Quando ainda nem éramos homens, eles já possuíam um avanço tecnológico inimaginável. Ao longo dos milhões de anos, quando estávamos em nosso maior grau de evolução científica, os ETs propostos por Arthur C. Clarke já não tinham mais a mesma forma, evoluiram a ponto de se tornarem energia inteligente. Contudo, permaneceram a vigiar aqueles a quem deram a sapiência e conduziu o terráqueo à uma nova evolução da espécie.

Fora a ficção científica, tem algo mais a se absorver desta história. Para tanto, utilizarei passagens do livro, ilustradas por cenas do filme homônimo.

2001: uma odisseia no espaço trata basicamente de um tema, a evolução.

Observando tecnicamente, trata da evolução do seres inteligentes ao longo da história da humanidade.

Trazendo essa evolução para dentro do universo individual de cada ser, podemos nos guiar através dessa história para que possamos alcançar renascimentos e evoluções.

um por um.jpg Um por um, todos os membros da tribo tiveram a oportunidade de ficar sob a mesma possessão. Alguns eram bem sucedidos. A maioria, porém, fracassava no cumprimento das tarefas estipuladas. Cada um era recompensado com súbitas convulsões de prazer ou de dor.

Quando buscamos o conhecimento e partimos para o aprimoramento de nossas capacidades, podemos chegar a um estágio de possessão, nos tornando obsecados por algum objetivo, uma meta, uma evolução a ser alcançada, seja isso um emprego melhor ou um lugar mais digno para viver, por exemplo.

Nossa capacidade de desenvolvimento perante aquela meta nos levará para o sucesso prazeiroso (caso tenhamos êxito) ou em direção à dor (caso fracassemos).

A maioria de nós fracassa, sente as dores das derrotas da vida.

Quase nunca estamos prontos e preparados para os desafios exigidos para subir um degrau mais alto.

cem fracassos.jpg Cem fracassos não tinham importância, bastava um sucesso para modificar os destinos do mundo.

Da mesma forma que o sucesso obtido pelo "homem macaco" fez evoluir a nossa espécie, apenas um ou dois de nossos grandes sucessos obtidos ao longo de nossa curta vida já são suficientes para nos sentirmos um degrau acima.

De alguma maneira, através desses nossos poucos sucessos, somos capazes de deixar um mundo mais confortável para nossos descendentes. O esforço feito durante uma vida recompensará não somente a nós, mas também as gerações futuras, independente das centenas de erros cometidos.

encorajaram.jpg Não tendo encontrado em toda a galáxia nada que fosse mais precioso que a Mente, encorajaram o seu aparecimento em todos os lugares.

O que nos difere do restante dos seres existentes no planeta é a nossa capacidade de pensar, de planejar e de, consequentemente, evoluir.

Há quem discorde e diga que a espécie humana é brutal e nada tem de inteligente, pois é capaz de promover guerras inúteis, destruição da natureza, dos animais e de seus semelhantes. Esta se configura como uma visão pessimista do mundo e isso se dá quando olhamos apenas para as notícias de TV que nos são impostas.

Só nos mostram o lado que deu errado, o lado que comete as centenas de erros, o lado que odeia seu semelhante, que não compreende a beleza de sua espécie, de seu planeta, de sua própria inteligência que é capaz de transformar o mundo em um lugar melhor. Isto não se configura como utopia, pois há evolução em curso e ela está em lugares distintos, seja na casa vizinha onde as crianças são criadas com respeito, amor e sabedoria; seja nas universidades onde homens e mulheres buscam incansavelmente pela cura do câncer, pela compreensão dos mistérios da física, ou em busca de diferentes formas de vida além do universo.

Isso tudo só é possível por sermos seres pensantes, por termos uma mente, é ela que nos torna capazes e passíveis de evolução.

capsula.jpg Poderia continuar sentado, aguardando os acontecimentos, ou então sair da cápsula e enfrentar a realidade do ambiente ao seu redor.

O conformismo e o pessimismo andam de mãos dadas, talvez sejam duas faces de uma mesma moeda que nos impede de crescer e evoluir.

Passamos a encarar o mundo e os outros homens como inimigos hostis que precisam ser evitados. Dessa forma nos protegemos dentro de uma cápsula e se aí permanecermos, só nos restará o desaparecimento. O pessimismo é confortável, porque nos exime da busca de soluções para os problemas.

Tendemos a achar que estamos no fim dos tempos, que está tudo errado no mundo, que nada vai melhorar. Mas será mesmo? Desde que o mundo é mundo existe caos, altos e baixos, guerras e paz. Maldades sempre existiram, pois estes somos nós, remanescentes daqueles macacos que cometeram e continuam cometendo centenas de erros em meio a um grande acerto.

O que nos resta é agir de uma forma que, a passos de formiga, façamos algo melhor no mundo, através do convívio com as outras pessoas. Somos gente e precisamos aprender a gostar de gente, apesar de dificil. Dessa forma o mundo ficará melhor, nem que seja no nosso universo particular. No final das contas deve ser nele que devemos começar a busca pela evolução.


JHONS CASSIMIRO

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