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Falar e pensar, sobretudo o que me interessa

JHONS CASSIMIRO

Escrevo sobre tudo que parece ter vida e conteúdo, e que sobretudo tem proveito.

A história da eternidade

As histórias no mundo se repetem, desde sempre e para sempre.


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Os fatos compõem as histórias da vida em ciclos. Todos eles terminam, alguns se demoram a resolver, outros trazem em sua composição arrojados caracteres, enquanto outros exacerbam em simplicidade.

As histórias no mundo se repetem, desde sempre e para sempre. Mesmo vivendo em núcleos tão diferentes espalhados pelo mundo, os indivíduos comungam experiências semelhantes que povoarão a história da eternidade.

Após as quase duas intensas horas de filme, vem a tela preta, os créditos do elenco e finalmente o seu nome, nos dando a sensação de que tudo irá se reiniciar.

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1.Querência e a morte

A morte traz a aridez consigo. A poeira da terra seca do cemitério, jogada sobre o caixão do parente querido que não teve a chance de vingar, encobrirá por um longo tempo os olhos de uma mulher, que se fecharão para o mundo. Ela será um terreno estéril semelhante ao lugar onde estão depositados os ossos daquele que se foi. Nada de positivo consegue ser produzido em seu corpo, nada de bonito é capaz de brotar em sua alma, pois nada é capaz de molhar e transformar essa dor. Não há música capaz de soar bonita aos ouvidos daquela pessoa que passa pelo luto.

morte.jpg Marcélia Cartaxo é Querência

Quando a sensibilidade é extremamente afetada pelo evento morte, morre junto a capacidade para outros sentimentos, o olhar se torna duro e frio. Nenhuma paisagem é capaz de despertar os interesses, não há espaço para o brotar da flor, há apenas aridez.

2.Alfonsina e os sonhos

O mar inunda com sua imensidade os sonhos de uma menina. Ela mistura sal à água de um copo, fecha os olhos, sente a luz quente de um sol acolhedor e derrama sobre si gotículas de felicidade.

sonho.jpg Débora Ingrid é Alfonsina

Ela é daquelas que ainda buscam realizar seus desejos mais bonitos, mesmo que eles estejam absurdamente distantes, embarreirados pela secura de um mundo insosso, privado daquilo que dá graça à vida, o sal da terra.

Possuidora do querer, tenta encontrar ajuda naqueles que estão próximos. Talvez encontre naqueles que a ela são semelhantes, naqueles que são capazes de enxergar de olhos fechados um mar de possibilidades para a vida. De uma forma ou de outra, estes são capazes de alcançar seu desejo.

3.João e a arte

O artista lamenta que “hoje em dia ninguém quer saber de arte”. No mundo cercado pela racionalidade, a arte só encontra espaço nos recôncavos das mentes consideradas estranhas. Nelas, as ideias florescem, as poesias são entoadas, as cores são estampadas.

arte.jpg Irandhir Santos é João

Os artistas estão em consonância com os sonhadores, talvez sejam eles as mesmas pessoas, que buscam um mundo diferente, uma saída para longe da mesmice das mentes empoeiradas, dos dias iguais e vazios daqueles que seguem o lugar comum. Quase sempre pagam o alto preço de serem incompreendidos, são deixados de lado, são taxados de malucos e por vezes realmente possuem alguma insanidade, algo que apenas engrandece sua aura de mistério e beleza.

Trazem consigo além do sonho de um mundo mais bonito, a dor de não serem capazes de afetar o coração de todos que os cercam. Mas quem é afetado pelas suas diferenciadas aptidões, se torna capaz de enxergar na escuridão.

4.Aderaldo e o amor

A persistência fez o homem bater a porta da mulher outrora seca. Ele deseja cuidá-la, dar amor e transformá-la em um terreno fértil capaz de brotar uma nova felicidade. Ele insiste e ela finalmente compreende que a dor não precisa durar para sempre, que a vida pode oferecer todos os dias uma nova chance.

amor.jpg Leonardo França é Aderaldo

O homem é cego, um sanfoneiro que toca suas músicas todos os dias em frente à casa da mulher amada. Tornou-se capaz de ver apenas a beleza da vida através de sua arte, de sua imaginação e de seu amor. Tudo que ele enxerga – apenas isso, ou tudo isso –, lhe basta para ser o mais perfeito dos personagens. Pois ele enxerga mais que muita gente que tem a vista perfeita, esta que estraga toda beleza de uma vida que pode muito bem ser reinventada.

5.Das Dores e a culpa cristã

Cercado de medos e mistérios, tabus, liberações, perversões e preconceitos, o sexo é a contradição da história de todos. A mulher se encontra com o inesperado desejo por alguém que não deve. Sente acender a vontade que julgava estar morta, sepultada e excomungada pela moral cristã, pelas leis do certo e errado e pelas limitações da própria natureza.

culpa cristã.jpg Zezita de Matos é Das Dores

De um lado ela procura saciar a curiosidade por aquilo tão desejado, enquanto se queima envolta em fogos que se misturam, o do desejo e o da fogueira cristã. Este arde mais forte, a mulher se entrega ao medo e se glorifica no sacrifício.

6.Geraldinho e a educação

O jovem fugitivo voltou à casa da avó e se encontra cheio de medo. Apesar de já estar crescido e de ter se embrenhado nas armadilhas da vida, sente-se como um menino que precisa do colo.

O menino se fez homem sem a orientação adequada. Os pais estão sempre ocupados, acordam cedo para trabalhar e dormem cedo para acordar no outro dia para trabalhar. Um ciclo sem fim, na busca pelo dinheiro para pagar pela sobrevivência. Resta-lhes sempre um tempo para fabricar filhos que serão entregues às más escolas e às ruas, ambas repletas de oportunidades que não deveriam ser seguidas.

educação.jpg Maxwell Nascimento é Geraldinho

As crianças crescem sem estrutura e vão pelos caminhos tortuosos. Elas não sabem para onde ir, só sabem que precisam ir para algum lugar, pois são exigidas que sejam alguém. No meio do caminho, quase sempre se perdem e não encontram mais a chance de ter um colo para onde possam voltar. Não são cuidados e talvez não sejam capazes de aprender a do outro cuidar.

7.A nova criança e o recomeço

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O tempo se vai e a vida sempre continua. Porque tudo passa, porque tudo se ajeita, porque a dor precisa acabar, porque o amor precisa voltar, porque o sonho precisa acontecer, porque o homem precisa crescer, porque a arte precisa florescer, porque a história precisa se perpetuar pela eternidade.

cartaz.jpg Cartaz do filme, imagem de divulgação

A história da eternidade é um filme do cinema brasileiro lançado em 2015, escrito e dirigido por Camilo Cavalcante. “A intenção é submergir fundo na emoção, tocando honestamente os sentimentos do espectador. Este filme se propõe a ser um exercício de delicadeza, a usar do cinema como instrumento latente de poesia, com todas as implicações desta palavra no sentido libertador, de subversão da realidade, de inconformismo com a estreita sociedade que nos cerca.” (Camilo Cavalcante)


JHONS CASSIMIRO

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