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Falar e pensar, sobretudo o que me interessa

JHONS CASSIMIRO

Escrevo sobre tudo que parece ter vida e conteúdo, e que sobretudo tem proveito.

Em qual bolha você vive?

Preferes o passarinho do Twitter ou o canto real dos pássaros? As vizinhas fofoqueiras típicas das pequenas cidades ou o linchamento hipócrita do Facebook? Preferes uma conversa amiga sobre bobagens ou se matar defendendo políticos? Quem escolhe a bolha é você.


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Talvez por pura falta do que fazer, ou então por ser curioso nato, me peguei lendo na Wikipedia vários fatos sobre a história da Paraíba, meu Estado. Cerca de quinze anos fazia que não relia tais fatos, quando na escola me via obrigado a decorar nomes de políticos, de revoluções, de tribos indígenas que hoje se restringem a poucos indivíduos.

Do início de sua história por nós conhecida, até os dias atuais, nosso povo esteve sempre mergulhado em lutas políticas, a mais baixa politicagem que impera nesse reino chamado Brasil.

Em época de eleição escolhe-se um lado, mata-se e morre-se pelos "grandes homens" do poder que deixam encrustados ao nosso redor, seus nomes, suas desnecessárias presenças.

Imagino que melhor seria não ter que sempre lembrá-los nas simples trivialidades do cotidiano.

Queria não ter que ir à farmácia na Rua Venâncio Neiva, ou à agência dos Correios na Getúlio Vargas. Transito pelas ruas e vejo tremular a bandeira vermelha e preta com o escrito NEGO, estou chegando à João Pessoa. A história política me persegue.

Talvez minha insatisfação seja resultado dos maus momentos que passam as cidades, os estados, o país e o mundo. Felizmente em mim transbordou o copo, e não sei qual foi a gota d'água. Não me sinto mais na obrigação de estar por dentro da guerra no Rio de Janeiro; do retorno ao falso moralismo da direita política; do triunfo do "feio" em tantos setores.

Rio Mamanguape, passando pelo município de Alagoa Grande.jpg Rio Mamanguape passando pela cidade de Alagoa Grande-PB

Resolvi dar importância ao fato do Rio Mamanguape estar correndo, fazendo um fluido movimento de luzes brilhantes que refletem a luz amarela do forte sol que brilha no começo do dia. ‎ Quero ter a chance de sempre poder olhar a mata atlântica fechada, com as altas árvores que ainda lhe restam e escondem tantas vidas e belezas. Sinto o cheiro de sua umidade enquanto a atravesso indo ao trabalho pela manhã, e à tarde quando volto encantado pelo entardecer amarelo balançando entre os bambus verde claros.

Fico feliz em estar em um lugar chamado Cinco Lagoas, pois lá há de fato cinco lagoas. Da mesma forma, é reconfortante passear por entre a plantação de algarve em um lugar chamado Gravatá-açu.

Lagoa do Mato.jpg Lagoa do Mato, município de Remígio-PB

É como se as coisas voltassem a fazer todo o sentido quando subo no telhado, avisto os pés de manga da Vila Mangueira, ao passo que ouço o canto dos pássaros vindo da Rua dos Bem-te-vis. Se me volto pra direita e alcanço a Rua das Gameleiras, sei - apesar de não enxergar - que na mesma direção, a uma distância agradável em uma caminhada, posso chegar até a formação rochosa em forma de pipa (barril de vinho) que dá nome ao distrito onde me encontro. Há algo de mágico por aqui, e só quem esteve pode comprovar esta verdade.

Vista da Rua dos Bem-te-vis.jpg Entre árvores e pássaros na rua dos Bem-te-vis em Pipa-RN

São dias que não queremos que acabem, talvez porque sejam dias ideais, não por estarmos longe do trabalho e das preocupações, mas por que desejamos lá no fundo que o mundo seja inteiro assim, simples e bonito, onde o valor não está em políticas ou guerras pelo poder, mas no bem-te-vi que canta, no sol que brilha, na folha da árvore que balança. Também no bom dia do homem que passa, no jogo de bola dos meninos no campo de terra, na alegria de todos que nas pracinhas fazem nada ao findar do dia.

Meninos jogando bola em Jacumã.jpg Meninos jogando bola em Jacumã-PB

Não é uma questão de ser egoísta, de ser alienado ou estar numa bolha, mas de dar chance para que a paz se manifeste.

Volto atrás e digo que talvez esteja em uma bolha sim, aquela que escolhi viver. Nela cabe aquilo que quero que caiba.

Todas as imagens são do autor do texto.


JHONS CASSIMIRO

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