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Falar e pensar, sobretudo o que me interessa

JHONS CASSIMIRO

Escrevo sobre tudo que parece ter vida e conteúdo, e que sobretudo tem proveito.

QUAL ARMA VOCÊ ESCOLHE PARA RESOLVER O PROBLEMA?

Mais livros, menos armas


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Quando o assunto é problema, o Brasil possui um cardápio extenso para se observar. Não é de hoje que as escolas estão fadadas ao fracasso, que a segurança pública não funciona, que o setor da saúde está entregue às baratas.

Um problema maior que tudo isso, é transformar estas questões em coisas simples e através de ações ineficientes e imediatistas, levar o país a um caos ainda maior.

A solução não é simples mas tem um nome, educação. Compreendamos educação como sendo uma ferramenta a disposição do cidadão que faça com que ele seja capaz de adquirir saberes técnicos, científicos, filosóficos, históricos... Através da aquisição desses saberes, o indivíduo estaria preparado para conviver em sociedade de maneira civilizada, além de ser capaz de questionar criticamente tudo aquilo que a própria educação o ensinou.

No cenário atual, civilidade tem rareado. Quando saímos para o trabalho – se temos um trabalho – nos sentimos sujeitos aos perigos da rua. A qualquer momento pode vir um nóia e roubar o meu carro, meu celular, meu dinheiro, meus livros, minha vida. O bandido anda armado, eu não. Então se endossa aos gritos na TV ou nos comentários da internet que BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO! Mas em momento algum as pessoas e os gestores ou candidatos a líderes, tem se preocupado em responder a questão: como fazer as pessoas não serem bandidas? E esta é a chave do que estamos falando. Imagine (apenas imagine, porque não é real) um dia na vida de um adolescente pobre da periferia, onde ele vai à escola e tem à disposição professores qualificados, bem motivados, comida saudável, incentivo à leitura, à produção de artes, à promoção de saúde física, e ao desenvolvimento pessoal. Ele volta pra casa, reencontra com sua família, sai pra conversar com os amigos – que tiveram um dia semelhante ao seu – e tudo ocorre naturalmente sem problema algum. O dia acaba e tudo está preenchido na vida deste jovem.

Agora imagine um outro que frequenta uma escola sucateada, sem professores motivados, empurrando com a barriga o conteúdo a ser estudado. Sua vontade permanente é sair dali, ir para casa ver superfluidades na internet, ou ir para rua vagar com sua cabeça aberta para a entrada de qualquer coisa que venha. E nada de positivo vem, apenas ideias vãs que darão formação ao banditismo. Este jovem não está apenas na nossa imaginação, ele é a realidade de muitos brasileiros.

Óbvio que dirão que não é por ser pobre que se transformará em bandido. Há também os que não entrarão para o mundo do crime, mas ficarão às margens de tudo aquilo de bom que ele poderia se tornar, se tivesse oportunidades dedicadas a ele.

Faltam oportunidades para dar ao indivíduo a capacidade de torná-lo grande em todos os aspectos possíveis. Poderia vir de qualquer lugar – e não apenas das classes abastadas – o jovem capacitado para transformar o país em um lugar de progresso, ele poderia ser um grande economista, cientista, um profissional da saúde que salva vidas todos os dias, ou um professor satisfeito por levar adiante as sabedorias aos futuros homens e mulheres da nação.

Poderia, mas infelizmente é uma utopia que ainda guardamos por sermos sonhadores, enquanto quem está na liderança, apenas tem vãos interesses de poder e dinheiro.

Parece bizarro, mas as previsões para o nosso futuro indicam que o incentivo ao estudo, ao senso crítico, à filosofia, à história, ao ensino superior, às pesquisas científicas, será deixado de lado. Ao invés disso haverá o ensino à distância para as crianças e a mecanização do indivíduo, que somente precisará saber realizar coisas técnicas. Deixarão de ser “laranjas podres” para serem “laranjas mecânicas”. Dessa forma não lhes restará tempo para ler um livro – artigo tão perigoso por colocar na cabeça, coisas que os poderosos não querem que pensemos.

Mais uma vez os livros serão queimados, não fisicamente como fizeram os nazistas, ou em “Fahrenheit 451”. Por escolha dos líderes alienando seu gado que se alimenta de notícias pelo zap, aos poucos os livros vão sumindo e nos fazendo viver uma distopia.

Entretanto, a vida não é um fato consumado, como diria o sábio. Não somos cem porcento a favor da dizimação do indivíduo errado, precisamos buscar que ele seja restaurado, e mais, que os próximos indivíduos não caiam no abismo da violência, seja ela por parte do bandido ou da brutalidade policial.

O governo não escolhe a educação como arma a ser usada para combater o problema, porque a resolução só viria a longo prazo. Político não trabalha com longo prazo, ele não tem tempo, o poder precisa ser para agora, por isso ele saca o revólver.


JHONS CASSIMIRO

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