Raíza Teles

Um dia se vê e não se sente, outro se sente sem se ver. Eis a sua eterna condição.

Schopenhauer e Nietzsche, colisão ou adição?

Um reduto de imparcialidade me permeia ao ler e comparar Schopenhauer e Nietzsche, cheguei a uma espécie de catarse, refleti e uma ansiedade me tomou, aquela certa agonia, um desassossego, impulsão para transpor meu discernimento sobre o tema.


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Se não houver extremismo entre as ideias de Schopenhauer e Nietzsche haveria menos contraposição de ambos, e mais complementação, isso que incessantemente na comparação me vem à cabeça como um raio invadindo. As colisões das ideias se dão primeiramente por Schopenhauer negar a vontade, essa que em Nietzsche é cerne, porém diante de malfadados emaranhados há uma certa cognição que paira sobre essa furtiva condição de dor, aquela simbólica, analógica, e até mesmo diante da insustentável leveza do ser que engrena a aparentemente branda, e notavelmente entediante característica de uma opacidade que reflete como uma nuvem negra que trovoa e arremessa-nos para um limbo vago, um labirinto que à oeste e leste conduz a um mesmo fato situacional.

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Interpreta-se que diante de Schopenhauer negar a existência, e Nietzsche ter a vontade de potência que situa em uma espécie de transcendência a qual revela certo libertário alvéolo na adição com as teorias budistas, há uma nítida oposição, contudo viabilizada nos planos comuns que concatenam nas ideias de ambos para chegar no complemento que podem ser junção ao invés de colisão.

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E quais seriam esses complementos? Você leitor me pergunta impaciente, como uma espécie de contra-argumentar uma certa embromação do excerto em questão... - Lhes digo: Embora o niilismo esteja apegado em Schopenhauer como uma forma densa e intransponível de uma overdose que é tão pungente e não pode ser quebrantada, a verdade vaga do nada, e em Nietzsche o acessório de ser necessário um ponto de mutação em que se obtém do niilismo passivo para o ativo em que a criação de valores conduz a um crescimento e evolução de mente e espírito, ainda assim, há envergada a característica do nada, pois bem, se diante de um nada podemos transformá-lo em potência para Nietzsche diante da criação dos ideais,assim como em Cioran ''O homem deve inventar motivos para viver'', não há uma negação de que Nietzsche se contrapõe ao niilismo, mas apenas à reação do comodismo que um homem niilista pode obter com sua pragmática forma de se alhear e se fechar em copas não produzindo, e tendo portanto, uma substância morta que não prospera diante do próprio vazio da existência.

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A dor, o sofrimento, o tédio, a incredulidade são tais condicionantes à uma univocidade que reúnem seus pensamentos enovelando-nos e formando como um elo, mesmo com as disparidades assim como explica Deleuze:''O ponto sobre o qual incide a ruptura de Nietzsche com Schopenhauer é preciso: trata-se justamente de saber se a Vontade é una ou múltipla” (Nietzsche e a Filosofia).

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Portanto o que é pêndulo para Schopenhauer diante a oscilação da vida entre o tédio e a dor, é a própria vida para Nietzsche, o que não representa exatamente um contraste, e sim também uma união de ideias... por que não? Se a dor é a própria vida, se ao vivermos já carregamos esse fardo como próprio de nossa existência, então temos essa forte e marcante característica a qual temos de conviver, independente de como lidamos, ela é tão viva que às vezes podemos até confundir se o sentido que atribuímos é literal ou metafórico.

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Raíza Teles

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