Raíza Teles

Um dia se vê e não se sente, outro se sente sem se ver. Eis a sua eterna condição.

A Nossa Queda

O apocalipse já chegou, mas ele se perpetua de forma gradual.


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Estamos próximos, é inegável as empilhadeiras cotidianas de tragédia a cada dia. Nossa queda são nossos suspiros surdos, nossas vozes mudas, e todo o -quebra pau- lá fora e nossa ótica banal por dentro. O fim, se me permitam, não me parece estar associado com as falácias que até então não surtiram efeito, perdoem-me pró-maias, a questão é, terremotos, vulcões, tsunamis, explosões: Somos nós.

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O término tem essa gradação do dia a dia, e talvez não seja um só dia que ponha fim em cada erva daninha que se situa nas áreas urbanas, rurais, e qualquer respiração que o ser humano -destrutivo- possa dar. O apocalipse nosso é o de cada dia, a explosão, a barricada, a queda se perpetua em cada notícia exteriorizada e não exteriorizada do jornal. É quando você anda de dia e o sol que pega na sua pele arde e você sabe o nome do culpado, não por nomenclatura, mas pela sua assimilação racional, se é que ainda resta. Ou aquela série de assassinatos em que te faz temer sair, e o descaso nu e cru de viaturas que rondam seu bairro e comem roscas limpando o canto da boca com guardanapo enquanto deixam escapar um suspeito.

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E os suspeitos, vejam por si mesmos, nem todos tem culpa no cartório, mas para uma resposta social se faz apropriado filmar seu rosto e ser caluniado com a orquestra inteira ressoando em suas costas, enquanto o verdadeiro culpado sai do banho, segue as notícias da televisão e sorri se deliciando com toda a situação, e seu poder de 'super homem' que nunca é pego, e por saber as estratégias anunciadas pela mídia tem seu capuz e munições exatas para esconderijos calculados. O inocente se torna o monstro, e as garras dos próprios se mantém cortadas, e bem vestidas por um cidadão que anda com uma bíblia em um disfarce exato no nosso teor ético-moral para ser algum cidadão de mérito e respeito. Aplausos sociedade, dessa forma caminhamos bem, e nesse nível situacional, não creio que seja para um buraco.

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É mais fundo que ele, é um alçapão de mortos-vivos que se agonizam à cada dia em uma tortura mental pelas sombras e os pandemônios que se vê por sua janela. Não temos uma guerra mundial, não somos palestinos, israelenses, e não há bombardeamento no nosso país cheio de músicas monossilábicas, comportamentos engessados, estruturas mortas, e pernas amputadas. Temos uma guerra interna, falta de identidade, e principalmente ausência gritante diante de surdos ouvidos e perda de foco, força de vontade, ação e o verdadeiro urro que se engasga entalado na garganta de vários brasileiros. Diariamente há balbucios, murmúrios, lamentos invisíveis, o trombone e a ação foram enterrados, há resquícios apenas de fluídos, partículas ao léu, pequenos detritos do que pode mover uma ação consciente.

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A consciência se encontra no maior veículo midiático: a internet, e soa a impressão de também não sair dela, como se algo aprisionasse depois de dedilhar frases jogadas, o espírito está morto, assim como a qualquer hora também podemos estar no plano real da palavra, e os passos vagarosos continuarão sendo os mesmos, a política de Lênin não se aplica aqui, porque os passos suntuosos não se multiplicarão, pelo contrário, a tendência é se dizimar cada vez mais. Até que os passos deixem de deixar rastros, e apenas restará a poeira que um dia circundou o que se chama de vida, ou perto disso. Nossa política é não ter política, não ter fôlego, voz, ato, é somente aceitar o imposto, e seguir o que é escrito por mãos de parkinson, diante a supremacia desdita e contrastante do dia.

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Somos decapitados por nosso próprio ar de enxofre que sentimos e seguramos o ar por alguns segundos para esquecer do cheiro e da náusea, então esquecemos também que há uma perpetuações de apocalipses cotidianas, e fingimos não sentir o sapatear da sistemática que nos envolve. Já temos o fim, sem precisão de teoria, só é preciso confirmar acordando. E com o término do artigo, sintam-se a vontade para deitar em seus caixões.

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Raíza Teles

Um dia se vê e não se sente, outro se sente sem se ver. Eis a sua eterna condição..
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