Ácido teste

Voyeurismo Filosófico

Gabriela Satori Landim

JAMES DEAN, A PERSONIFICAÇÃO DA REBELDIA (EM TODOS OS SENTIDOS)

O irresistível e irreverente gênio da sétima arte, James Dean era capaz de ir da apatia à cólera, do frenesi à depressão em questão de segundos! Em sua meteórica carreira, o charmoso Apolo enfeitiçou os amantes de cinema e influenciou legiões de jovens ao redor do mundo com a sua postura rebelde e destemida. Posteriormente Dean se tornou uma imagem, uma ideia, uma inspiração. A “novidade” é que mais de meio século depois, surgem com extrema nitidez, aspectos da personalidade transgressora do ícone rebelde, ligados a liberdade sexual!


f960ab773878bace8a7124775dcd323311.jpg “Mesmo se eu vivesse cem anos, não teria tempo de fazer tudo o que eu quero!” (James Dean)

James Byron Dean, uma explosão épica de ternura e fúria! Inquieto, impulsivo, possuidor de uma beleza apolínea e uma sede de prazer dionisíaca, Jimmy se tornou a personificação da rebeldia, a personificação da angústia característica da juventude. Conhecido por suas loucuras, as pessoas o achavam antipático, arrogante e esquisito, porém brilhante, intenso e encantador... Se no aspecto "femme fatale", Marilyn Monroe fascina com carisma e sensualidade na dose exata para fazer dela a soberana musa do cinema, dentro do universo masculino com seu charme enigmático, James Dean é hipnótico na tela, e se destaca. O frenesi hollywoodiano começou com a sua excepcional atuação no filme East Of Eden de 1954, como o problemático e sentimental, Caleb Trask.

james-dean -east-of-eden.jpg "Quero viver tão intensamente quanto o possível! (...) Quero sentir coisas e experiências até as raízes" (James Dean)

Dotado de uma sensibilidade extremamente aguçada, com uma verdadeira paixão por poesia, um gosto apurado por artes plásticas e completamente obcecado pela arte dramática, desde a adolescência nas peças de teatro da escola, seus personagens prediletos, eram os trágicos, embriagados e malditos. Para o príncipe rebelde de Hollywood, a atuação é a forma mais lógica de manifestar as neuroses dentro da necessidade de se expressar. Ele vivia o personagem vinte quatro horas por dia, ele se transformava no personagem. Os sentimentos, as atitudes, os gestos, a forma como pronunciava as palavras, tudo se transmutava em uma interpretação poética da complexidade psicológica presente em todos nós.

JamesDean21.jpg “Para interpretar a vida, você precisa estudar todos os aspectos dela” (James Dean)

Um autêntico herói byroniano! Inteligente, ambicioso e imensamente talentoso, a personalidade de homem forte (que sabe muito bem o que quer) se contrastava com o olhar penetrante e melancólico de garotinho perdido. Seus traços infantis causaram impacto unidos a uma sensualidade brutal e rude, mas ao mesmo tempo, delicada, o que levou certa sofisticação ao conceito de charme e sedução masculina.

44819_10151397678421375_1799321287_n.jpg “Escolhi ser quem eu sou de verdade! A despeito das ‘probabilidades impossíveis’, ao longo do caminho, nunca me arrependi disso” (James Dean)

Se em Juventude Transviada, filme de 1955, ele encarnou o rebelde sem causa Jim Stark, fora das telas, James era um rebelde com causa, constantemente criticava o que em suas palavras seria “um mundo sem compaixão”, “um mundo mesquinho”, munido com sua ironia mordaz, nunca perdia uma oportunidade de atacar o sistema. Demonstrando sempre um ávido desprezo pelos comportamentos convencionais, o conjunto de suas excentricidades e o excepcional talento para a atuação, o conduziram a um patamar superior, o transformaram no ícone outsider mais fascinante da história do cinema. Vestindo seu Jeans surrado e sua jaqueta de couro, Dean foi um orgástico vórtice inspirador da ideologia Rock and Roll!

il_fullxfull.319796428.jpg “Tudo o que faço é nos meus próprios termos. Não aceito ordens de ninguém!” (James Dean)

Interpretado por James Franco, em um filme de 2001 são exibidos vários aspectos, da personalidade de Dean, dentre eles, seu temperamento desajustado e sua genialidade dramática. Bem como, o filme também aborda a sua intensidade romântica no conturbado relacionamento com a bela atriz italiana, Pier Angelli. Seus romances poucas vezes foram mais do que, em suas próprias palavras, “flertes inconseqüentes”, e com sua paixão pela velocidade, um de seus apelidos era “tragédia grega motorizada”.

james-dean-leather-jacket-3.jpg “Quando um ator faz a cena exatamente como o diretor manda, ele não está atuando, está cumprindo ordens!” (James Dean)

Na década de 50, para a indústria cinematográfica Dean era um produto, um produto que não seria vendido se não atendesse aos tradicionais aspectos da sociedade daquele contexto, e isso incluiu, abafar seu comportamento bissexual e transgressor em relação a experiências sexuais (evidenciando seus inúmeros romances com mulheres, ocultando, seus também inúmeros, casos com homens). Em 2012, o filme Joshua Tree, 1951: A Portrait Of James Dean, aborda abertamente um aspecto da personalidade de Dean, até então omitido e controverso. O mito romântico vive a mais de meio século, mas só agora, Dean começa a ser mostrado também como uma inspiração para a libertação sexual, compatível com as mudanças de paradigmas, os anseios e as inquietudes da juventude atual.

live-fast-die-young-james--large-msg-1348857350621.jpg “Se existe uma escolha, eu prefiro fazer as pessoas perderem o fôlego a bocejarem” (James Dean)


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