Ácido teste

Voyeurismo Filosófico

Gabriela Satori Landim

A CULTURA DO ÁLCOOL

No Brasil ocorre uma espécie de hipocrisia mesclada à ignorância. A forma como nossa sociedade lida com o álcool e com as drogas no geral, precisa ser revista e questionada. Entre os mais esclarecidos pelo mundo afora, há o consenso de que do ponto de vista científico, tanto a proibição de algumas drogas, quanto o bárbaro incentivo midiático ao consumo de álcool, são totalmente arbitrários, motivados por preconceitos, interesses políticos e escusos esquemas financeiros. As políticas públicas, bem como a legislação sobre drogas deve ser discutida por médicos, cientistas, farmacólogos, sociólogos, juristas e não ser decidida por corruptos políticos semi-analfabetos, que com um discurso néscio e falacioso, se aproveitam da ignorância alheia pra conseguirem votos e poder! Achar que o atual contexto das drogas tem o intuito de proteger a saúde das pessoas, é a maior ilusão que se pode ter nesta época.


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Além da parvoíce e da debilidade da coordenação motora (fala arrastada, instabilidade de movimentos, incapacidade de reagir rapidamente) o álcool causa síntese acelerada de açúcares no organismo, consumindo as reservas de glicose gerando o sentimento de exaustão física, altera as emoções, o raciocínio lógico e danifica a memória. Ocorre inibição hormonal da vasopressina, a responsável por equilibrar os níveis de fluido do corpo, com a desidratação ocorre a sensação de dor de cabeça, a famosa 'ressaca'. Não se deixe iludir por anúncios falsos, pois a sensação de desinibição e euforia dura pouco e logo vem a fase depressiva. O cérebro sofre danos irreversíveis em sua estrutura neuronal, em casos extremos há o desenvolvimento do delirium tremens.

bebado.jpg As células do fígado fazem a produção da bile, substância química com capacidades digestivas, das inúmeras doenças causadas pelo consumo de álcool, como pancreatite, colite, gastrite, etc. A mais fatídica é a cirrose por vezes irreversível ocasionando a falência total do fígado. Já nos casos de intoxicação grave, ocorre o coma alcoólico, muitas vezes ocasionando à morte. O envenenamento por álcool é consequência da ingestão em maior quantidade do que o organismo consegue metabolizar. Como mecanismo de defesa do seu próprio corpo, o mal-estar funciona como um sinal vermelho pra você parar de beber, o seu organismo começa a rejeitar pelo vômito numa tentativa de jogar para fora o álcool antes que chegue na corrente sanguínea. Das muitas overdoses entre estrelas do rock, é impossível não citar o caso de Ronald Belford Scott, vocalista e compositor da banda AC/DC, que infelizmente após uma tradicional noite de bebedeira, veio a falecer sufocado com o próprio vômito.

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O Código de defesa do consumidor em seu art. 37, §2º, veda a publicidade abusiva, caracterizada quando induz a comportamento prejudicial ou perigoso à saúde ou então a segurança. O art. 12 do CDC responsabiliza em razão de informações insuficientes e inadequadas. A Lei 9294/96, em seu art. 4° proíbe propagandas de bebidas alcoólicas que associem o produto ao esporte, ao desempenho saudável de qualquer atividade ou mesmo a sexualidade (destaque para a objetificação da mulher, e o caráter machista de campanhas publicitárias). Entretanto as sanções previstas na lei, não desencorajam as multimilionárias empresas do álcool, hoje mesmo no supermercado você pode adquirir uma lata de cerveja estampada com o escudo do seu time de futebol do coração ou em "horário nobre" no intervalo da novela se deparar com esculturais mulheres seminuas bebendo na beira de uma piscina ou em uma praia. E o motivo disso acontecer, é bem óbvio: $, muito dinheiro. Na análise de custo feita por profissionais o lucro é certo! Estão pouco se f* para sanções legais. Conseguem até mesmo, o patrocínio do principal evento esportivo do planeta.

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Para os ingênuos e para os não tão bem informados, a revista científica Lancet, uma das mais importantes na área médica, publicou em 2010, um estudo coordenado pelo professor da Universidade de Bristol e especialista em neuropsicofarmacologia, David Nutt, contando com inúmeros profissionais, cientistas, psiquiatras especializados em drogas. Foi estabelecida a classificação das drogas, baseada no nível de nocividade de determinado entorpecente. Heroína ficando em primeiro lugar, seguida da cocaína. O álcool foi a quinta substância mais danosa, ficando atrás somente das anteriores seguidas de barbitúricos e metadona. O tabaco permaneceu em nono lugar. E para humilhação total do senso comum, o LSD ficou em décimo quarto e o ecstasy em décimo oitavo. No Brasil, as raves (festas com pessoas de bom gosto musical, dançando e se divertindo sem qualquer tipo de violência) são proibidas em algumas cidades, com o argumento de ser nocivo o consumo de LSD e ecstasy. Mas as micaretas (festas com música de péssima qualidade, com pessoas esfregando umas nas outras feito cadelas no cio, se arrastando, vomitando e brigando) ah sim, são permitidas por lei e incentivadas pela mídia! São patrocinadas por grandes marcas de cerveja... Em um futuro próximo, as atuais propagandas ligadas ao álcool, serão tão ridiculamente ultrapassas, quanto as antigas propagandas ligadas a indústria do tabaco.

OBS: Ao contrário do que o estúpido e retrógrado senso comum "pensa", o Dr. Dartiu Xavier (Professor da USP, graduado em Medicina, mestre e doutor em Psiquiatria Médica pela Unifesp, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica, além de pesquisador-colaborador da University of California) afirma que o álcool sim mata neurônios, pois exerce uma ação tóxica sobre eles, diferentemente da maconha que apenas altera temporariamente o funcionamento dos neurônios e não os destrói.


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