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Gabriela Jesse

Garota tímida e viajante do mundo das possibilidades. Desistir não é o meu forte.

A chave do domínio, Homo Sapiens

Quando entrei pela porta daquela livraria, a qual já estou habilmente habituada, e bati os olhos naquele título “ Uma breve história da humanidade SAPIENS” do autor israelense Yuval Noah Harari, percebi de alguma forma algo em minha consciência estava prestes a mudar.


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Yuval me pareceu brilhante de início enquanto eu folheava o livro rapidamente para ter uma ideia do seu conteúdo. E já nas primeiras páginas ele começa a questionar o que é que realmente nos faz tão peculiares. O que foi essencial para o ser humano, mais especificamente o homo sapiens (que nem de longe é o mais forte dentre os animais) para ser o grande dominador?

O autor começa a abrir as abas da evolução e mostrar que diferente do que alguns pensam, não foi a nossa capacidade de comunicação que essencialmente nos trouxe aonde estamos agora, nem tampouco o tamanho do nosso cérebro. Visto que existem diversas outras espécies animais que podem se comunicar através dos sons e gestos, como nós. Apesar de nenhuma delas conseguir atingir o nível de complexidade que a comunicação humana consegue.

Papagaios por exemplo, conseguem repetir quase tudo o que nós falamos. Mas não é suficiente pra ele apenas repetir, porque isso não o torna como nós.

O que faz de nós o que somos então?

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Os papagaios, assim como a maioria das outras espécies animais, só podem trabalhar com o que lhes é dado. Eles podem perceber uma árvore, um semelhante, e até mesmo o perigo, e reagir a isso. Seus cérebros são espertos o suficiente para processar este tipo de mensagem porque a informação já está ali (um dos seus sentidos captou e o cérebro reagiu).

E quando se comunicam, normalmente é sobre essas coisas, visíveis e palpáveis com as quais eles interagem no dia-a-dia.

Com isso eu não quero dizer que a comunicação não foi essencial para a evolução do homem. Dizer isso seria estupidez demais. O que eu quero dizer é que a comunicação é a fechadura da porta que levou o homem ao domínio mas não é a chave.

É claro que sem uma fechadura, a chave perde sua utilidade. Então a forma como o homem se comunica é sim de extrema importância também.

O ser humano entre 70 há 30 mil anos atrás, teria supostamente vivido entre diferentes espécies de homos. Neste livro Yuval explica que existem suspeitas de que o homo erectus, o homo sapiens e os neandertais tenham vivido não em uma linha do tempo (como corre no imaginário coletivo), mas de forma contemporânea. E que o homo sapiens (nós) não dominamos apenas os animais, mas exterminamos as outras duas espécies humanas em prol do domínio. E o que nos possibilitou tal façanha foi a nossa capacidade de IMAGINAR!

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E para ilustrar isso, ele dá alguns exemplos. Entre as espécies de animais que andam em bandos, você pode imaginar qualquer uma, lobos, macacos, leões. Dentre todas estas espécies um ciclo social se repete a cada geração.

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O bando caminha sempre junto, em busca de alimento. Normalmente existe um macho alfa, que conquista o seu posto através de um duelo, às vezes levado até a morte.

Esse macho alfa pode ser bastante razoável, e não monopolizar o sexo com as fêmeas, mas não é isso que normalmente acontece. E se uma fêmea acasala com outro macho e dá cria, dependendo do humor desse macho alfa ele pode devorar esses filhotes depois que nascem.

Quando o bando começa a ficar muito grande, as coisas param de funcionar tão bem. Surgem rebeldes. E o bando se divide, reiniciando o ciclo.

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Por um período de 30 mil anos os homens (as três supostas espécies) não se diferenciaram muito desse padrão. Eles eram caçadores-coletores, produziam ferramentas apenas com o que tinham, e estavam sempre muito vulneráveis. O homem tinha sim uma capacidade diferenciada dos outros animais. Mas ainda não era suficiente para se destacar, apenas sobreviver.

Em um dado momento houve um rompimento. O ser humano começou a pensar nas coisas que ele não podia entender, e questionar. Quase nada se sabia ainda sobre os fenômenos da natureza e porque as coisas aconteciam de certa forma.

O trovões por exemplo, assustavam todas as espécies animais, mas não se sabia o que eles eram ou porque estavam lá. Dentre todas as espécies o homem foi o único capaz de começar a questionar isso. Segundo o autor, algo na nossa capacidade cognitiva havia evoluído em um período de mais ou menos 30 mil anos. O homo sapiens estava sofrendo uma revolução cognitiva.

Se não podemos entender o trovão, então porque não transformá-lo em algo que podemos entender?

Para acalmar os demais (as crianças principalmente) porque não transformá-lo em algo semelhante a nós? Um homem ou uma mulher, que estivesse muito insatisfeito(a) com as nossas atitudes e por isso estava nos castigando? Seja com trovões, ou secas, tempestades, vulcões o que fizesse parte da nossa realidade.

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Mas se nós fizermos a vontade deste homem (mulher), se nós formos bons e o agradarmos, talvez ele se acalme e nos recompense por isso.

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Esse comportamento além de tornar o homo sapiens peculiar, em relação aos outro animais também os diferenciou das outras espécies homo. E aqui está o porque:

Lembra daquele ciclo que mencionei nas outras espécies animais mais cima?

Então responda: Na nossa sociedade, quantas pessoas se pode colocar em um mesmo local para conviver, sem que isso se torne um pandemônio?

Como já discutimos isso, depois de um certo limite as ideias começam a se dispersar. Pois é aqui que está a chave do poder.

Quando o homem começa a criar os seus mitos, ele consegue padronizar as ideias e com isso acumular mais indivíduos do que era possível antes. E ele consegue fazer uma quantidade imensa de pessoas lutarem por um mesmo objetivo, por um mesmo ideal.

Quando o Homo sapiens adquiriu a capacidade de imaginar e criar coisas, ele conseguiu unificar a forma de pensar de um número cada vez maior de indivíduos. E assim, apesar de ser mais fraco fisicamente do que um neandertal, agora ele estava em maior número, e melhor ainda, estava organizado.

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Adolf Hitler é um exemplo extraordinário de como os mitos podem funcionar se bem anexados a mente humana. Ele fez muitos alemães acreditarem que eram uma raça superior e que o mundo precisava ser "limpo" de raças não arianas (MITO). Ao unificar essa forma de pensar ( que já reverberava na Alemanha muito tempo antes de Hitler) ele conseguiu fazer com que milhões lutassem por essa "limpeza" racial. Inclusive conseguiu fazer com que pessoas abrissem mão de suas famílias, de sua paz e de sua vida por esse ideal completamente imaginário.

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Outros líderes bons ou ruins usaram a sua genialidade para disseminar mitos a ponto de fazer coisas semelhantes.

Mas a imaginação não foi explorada apenas por maníacos é claro, na maioria das vezes ela só nos levou a evoluir. Imaginar que a lua poderia ser um queijo gigante, despertou a nossa curiosidade até que pusemos os pés nela.

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Imaginar que uma instituição pode ser chamada de "pessoa", mesmo que ela nem exista em carne e osso é o mito dos tempos contemporâneos, e que move milhões e milhões de pessoas por uma corrida atrás do DINHEIRO. Mesmo que a maior parte dele nem exista de verdade.

Viu só, que fantástico a imaginação nos leva pra frente e pra trás conforme a nossa ética e sanidade mental. Usar a imaginação pode ser fantástico ou fatal, mas com certeza é a chave do poder, que permitiu o domínio humano sobre todas as outras espécies na terra.

A imaginação, é a chave que nos abriu a porta do domínio, não só entre as espécies diferentes mas entre nossos semelhantes. As pessoas que conhecem os mitos ( ou que os criam) e os propagam tem o poder, é só observar.

Gabriela Jesse

Garota tímida e viajante do mundo das possibilidades. Desistir não é o meu forte..
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