João Paulo Mendez

Já quis ser punk, hippie e macumbeiro. Hoje não se limita a rotulos e aprendeu a não querer exceder expectativas, sabe sorrir do jeito certo e viver sem esperar por nada. Sabe dar bom dia e cativa sempre que pode.

Escravidão moderna

Escravos de marcas contribuem para o trabalho forçado e lucros daqueles que querem ganhar em cima da carência de educação, falta de emprego, desigualdade e discriminação.


nike.jpg

Nas formas da lei, a escravidão está extinta, porém, em muitos países, principalmente onde a democracia é frágil, há alguns tipos de escravidão. A expressão "escravidão moderna" não se trata da compra e venda de pessoas. Os meios de comunicação em geral chamam de trabalho escravo relações de trabalho nas quais as pessoas são forçadas a exercer uma atividade contra sua vontade, sob ameaça, violência física e psicológica ou outras formas de intimidações. Essas formas de trabalho são acobertadas pela expressão trabalhos forçados, embora quase sempre impliquem o uso de violência.

Atualmente, a organização internacional do Trabalho (OIT) trata do tema nas convenções. O trabalho forçado e infantil no mundo tem duas características em comum: o uso da coação e a negação da liberdade, o trabalhador fica atrelado a uma dívida, tem seus documentos retidos e nas áreas rurais ou embarcações, fica em local geograficamente isolado. A escravidão no perímetro urbano geralmente acontece com imigrantes ilegais que trabalham dezenas de horas diárias, sem folga e com baixíssimos salários.

oit-Fazendeiros-acusados-de-trabalho-escravo-tem-boa-formacao.jpg Trabalho escravo é feito por jovens e estudados fazendeiros

No Brasil a Comissão Nacional Para a Erradicação do Trabalho Escravo (CONATRAE), criada em 2003 é um órgão vinculado à secretaria especial dos direitos humanos, tem a função de monitorar a execução do plano nacional para a erradicação do trabalho escravo e infantil. o plano contém 76 ações, cuja responsabilidade de execução é compartilhada por órgãos do executivo, legislativo, judiciário, ministério público, entidades da sociedade civil e organismos internacionais. O ministério do trabalho e emprego junto a secretaria de direitos humanos e da presidência da república são os responsáveis por manter e atualizar a cada semestre a "lista suja" do trabalho escravo. A relação traz empresas e empregadores de escravidão moderna que tiveram oportunidade de se defender, antes de ser confirmado o conjunto de autuações que configuraram condições análogas às de trabalho escravo e infantil. http://www.reporterbrasil.org.br/pacto/listasuja/lista

Não é de interesse criar polêmica, mas a melhor forma de acabar com essa mão de obra escrava é a análise da empresa antes de emprega-la de forma terceirizada ou não comprar e boicotar seus produtos, é grande o número de multinacionais que fazem esse tipo de serviço escravo. O que acontece quando se é descoberta os autores são simplesmente multados e obrigados a pagar os devidos direitos dos trabalhadores, pois existe apenas uma contravenção a lei, por isso nada impede que as empresas e indústrias voltem a agir dessa forma num futuro já que visam apenas os lucros.

Basf e ICI Paints estão envolvidas na cadeia de exploração de mão-de-obra infantil, pois compram talco das empresas Minas Talco e Minas Serpentinito, que utilizam crianças na mineração da pedra-sabão, em Mata dos Palmitos, comunidade de cerca de 300 pessoas na zona rural de Ouro Preto-MG. A Ouro Preto Pedra Sabão (OPPS), maior exportadora de pedra-sabão para o mercado norte-americano e europeu que tem jazidas em Mata dos Palmitos, foi flagrada também utilizando mão-de-obra infantil na reforma de uma casa, onde instala seus funcionários.

A The Coca-Cola Company foi autuada na Itália em uma colheita de laranjas para a produção de um refrigerante que era feita em condições de escravidão pelas mãos de imigrantes africanos, muitas vezes depois de terem atingido a costa italiana após uma triste travessia que seria a única esperança de sobrevivência para aquelas pessoas. A Coca Cola teria reagido, simplesmente cortando os acordos anteriormente firmados com as empresas que produziam laranjas, em defesa de sua imagem de multinacional "limpa". Em novo caso trabalhadores da planta da Coca-Cola na Nigéria reivindicam aumentos de salários e bonificações. pois recebiam $2,64 dolares por dia de serviço, no fim do ano não ganham sequer uma garrafa de Coca-Cola como bonificação pelo ano inteiro de trabalho.

immigrati-raccolta-arance.jpg

A Philip Morris reconheceu a presença em suas plantações, de pelo menos 72 crianças envolvidas na colheita do tabaco e em risco de sofrerem intoxicação por nicotina. Não só isso, parece que a empresa forçava trabalhadores imigrantes para o trabalho escravo, sequestrando seus documentos e forçando-os ao trabalho contínuo, sem qualquer compensação. Apesar das promessas feitas pela corporação para dar fim a tais situações, de acordo com o relato feito pelo jornal The Independent, o problema não teria sido completamente resolvido. A empresa fabrica marcas como: Marlboro, Basic, Benson & Hedges, Cambridge, Chesterfield, Commander, Dave's, English Ovals, Lark, L&M, Merit, Parliament, Players, Saratoga e Virginia Slims.

trabalho-escravo.jpg

Victoria's Secret afirmava usar apenas algodão proveniente do comércio justo, "fair trade", e isto deveria ser uma garantia contra a exploração do trabalho nas plantações. Infelizmente, no entanto, alguns fabricantes de algodão orgânico e de comércio justo não são capazes de trabalhar sem a utilização de crianças para atingirem os seus objetivos de produção, que em Burkina Faso trabalhadores teriam sido forçados a plantar e a colher algodão sofrendo abuso físico. Depois da reportagem em dezembro de 2011, parece que a Victoria's Secret não fez nada além de retirar o "comércio justo" de suas etiquetas. Mas situações de escravidão moderna podem ainda estar presentes nos campos de algodão.

burkina-faso.jpg

National Labor Comittee acusou de escravidão a fabricante chinesa KYE por ter recrutado 1.000 estudantes com idades entre 16 e 17 anos, obrigando-os a trabalharem 15 horas por dia e por 7 dias na semana. Também teriam sido recrutadas mulheres com idades entre 18 e 25 anos, impostas a condições semelhantes e com um salário de 65 centavos por hora. Mesmo em face dos dados oficiais, a KYE teria continuado a sustentar aquelas condições dentro de suas próprias sedes. Ela é responsável pela produção de produtos para empresas e marcas como Microsoft, HP e XBox. Outras empresas já admitiram que exploram os trabalhadores chineses para a sua produção. Entre estas, a Apple e a Nokia.

Te05.jpg

American Apparel, Abercombe & Fitch, L.L. Bean, Gymboree, Hanes e Burberry são algumas das marcas conhecidas que utilizam trabalho escravo para produzir seus tecidos e roupas. estas empresas não se enquadram nos padrões de trabalho justo e não tentam melhorar as condições de trabalho de seus empregados. L.L. Bean, Gymborree e Hanes utilizam trabalho infantil forçado em suas fábricas de produção de algodão no Uzbequistão. Os funcionários destes fabricantes de roupas não têm qualquer direito de negociação coletiva e não são filiados a sindicatos.

zara-trabalho-escravo.jpg

Ikea, o Walmart e a Kohl's como lojas de móveis e varejistas que apresentam um histórico de práticas de trabalho injustas e que não têm "responsabilidade social corporativa". Quatro operários contratados por estas empresas na Turquia perderam suas vidas devido a condições de trabalho inseguras. Como um dos maiores varejistas do mundo, o Walmart tem mais de 60 mil fornecedores. Esta loja tem um longo histórico de violações de direitos trabalhistas de "alto nível" em países como Bangladesh, China, Indonésia e Suazilândia e já falhou em áreas como salários, pagamento de horas extras, licença-maternidade, pausas para ir ao banheiro e trabalhos forçados.

Walmart-Warehouse-Workers-Strike.jpg

Marcas agroindustriais tais como Monsanto, Cargill e Archer Daniels Midland se envolvem também em práticas de trabalho injustas. Estas empresas são o topo de uma cadeia de suprimentos complexa, Pequenos fazendeiros em diversas partes do mundo são obrigados a comprar sementes destes gigantes agroindustriais e vender a eles seus produtos a preços insustentáveis. Trabalhadores de fazendas que exportam produtos como abacaxis, borracha, algodão, cacau, chá e flores abastecem importantes marcas de processamento de alimentos, tais como Kraft, Nestlé e Dole. Estas empresas são donas de uma parte significativa das marcas alimentícias globais.

nasty.jpg

Vale a pena assistir este documentário, que mostra como em alguns casos chega a ser complicado o trabalho envolvido na transformação do cacau, desde a sua colheita até na produção do chocolate que compramos no mercado. Após a produção do documentário Miki Mistrati tentou de diversas formas conversar com as empresas aqui citadas, mas não obteve resposta. Todas se recusaram a assistir o vídeo e não se pronunciaram publicamente.

Fabricantes de artigos esportivos, como a Nike e a Adidas, contam com trabalhadores em toda Ásia, principalmente na Indonésia para produzir seus calçados. Um relatório da Common Dreams, uma organização apartidária não governamental, indica que os trabalhadores indonésios vivem em extrema pobreza e enfrentam perseguições e agressões físicas de seus empregadores, chegam a ser levados para embarcações que navegam em águas internacionais e trabalham em seus porões. A Nike é a maior empresa de calçados esportivos do mundo, e é dona de 11 fábricas na Indonésia que produzem 55 milhões de calçados por ano. Apenas um par a cada 50 é vendido para consumidores indonésios.

trabalho infantil 9.jpg

Nota do editor: A Faber-Castell esclarece que desde 2005 não mantém nenhuma relação comercial com a empresa Minas Talco, conforme referido originalmente nesta matéria. Diante da comprovação do Ministério Público em relação às denúncias de uso de trabalho infantil relacionadas a Minas Talco, a Faber-Castell informa que à época cancelou imediatamente os fornecimentos da empresa Minas Talco, por repudiar a exploração da mão de obra infantil no País.

Fontes: http://reporterbrasil.org.br/2006/02/multinacionais-beneficiam-se-da-exploracao-de-trabalho-infantil/ http://greenme.com.br/viver/trabalho-e-escritorio/126-6-multinacionais-envolvidas-com-trabalho-escravo-e-exploracao-infantil http://greenme.com.br/viver/trabalho-e-escritorio/126-6-multinacionais-envolvidas-com-trabalho-escravo-e-exploracao-infantil http://www.bloomberg.com/news/2011-12-15/victoria-s-secret-revealed-in-child-picking-burkina-faso-cotton.html http://uol.amaivos.com.br/amaivos09/noticia/noticia.asp?cod_noticia=6908&cod_canal=38 http://www.globallabourrights.org/reports?id=0034 http://www.globallabourrights.org/alerts?id=0011 http://www.childlabor-payson.org/ http://www.sustainablebusiness.com/index.cfm/go/news.display/id/22927 http://mte.jusbrasil.com.br/noticias/2527547/atualizada-a-lista-suja-de-trabalho-escravo


João Paulo Mendez

Já quis ser punk, hippie e macumbeiro. Hoje não se limita a rotulos e aprendeu a não querer exceder expectativas, sabe sorrir do jeito certo e viver sem esperar por nada. Sabe dar bom dia e cativa sempre que pode. .
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @destaque, @hplounge, @hp, @obvious, @obvioushp, @obvious_escolha_editor //João Paulo Mendez