aforismos pensantes

Algumas provocações sobre a vida, sociedade, arte, música e cinema

Vitor Hugo Cid

um ser pensante, criador (sem ser criativo!), administrador, admirador da solitude e do mundo interior... buscando refletir sobre algumas questões da vida perturbadoras e ao mesmo tempo inspiradoras.

Inteligência Artificial: início do fim ou suporte à vida humana?

Recentemente, o empreendedor tecnológico Elon Musk classificou a inteligência artificial como a maior ameaça à vida humana e os desenvolvimentos nesta área seriam extremamente danosos aos humanos. O mesmo pensamento foi trazido à tona por Stephen Hawkin... o filme Transcendence também abordou a questão nos provocando a esta reflexão... estaríamos nós ameaçados?


Não é de hoje que o tema evoca na mente humana pensamentos ora inovadores, ora catastróficos. Imagine só você poder contar com a ajuda sempre presente de uma máquina que pensa por si e atua como um assistente pessoal para você? Ou até mesmo, uma máquina com poderes para ler sua mente e adivinhar sua próxima aquisição, sugerir lojas com preços convidativos e com feedbacks de outros compradores? Peraí... o Google já faz isso, não?

Quando falamos de Inteligência Artificial, ou IA como é comumente chamada, trazemos à memória pensamentos de poder e uma vida mais confortável e cômoda. Você acorda e uma interface como a fantasiosa/fantástica do filme Her começa a lhe passar todas as informações relevantes para o seu dia: qual o melhor caminho para se tomar? Qual a lista de pendências para o dia? Como você está se sentindo hoje? (Quase humano?!)

Imagem01.jpg

Em um contexto deste, o conceito de relações humanas tende a se alterar ainda mais. Hoje ficamos presos aos nossos smartphones, aos computadores, aos celulares e ao invés da premissa básica de que a internet diminuiu as distâncias, vemos um pensamento (e sentimento) crescente de que a internet tirou a proximidade das pessoas. Hoje falamos com nossos “amigos” na China e nos Estados Unidos todos os dias por Skype, Facebook, etc., mas não falamos com nosso vizinho de apartamento ou, pior, não conseguimos conversar com a pessoa ao nosso lado na mesa de jantar. Este é um ponto a se considerar na sedução da IA. As relações tendem a ficar mais distantes, acelerando a forma como vivemos mais uma vez.

A IA facilitaria nossas vidas, certo? Mas o que faria com nossas relações?

Voltando ao ano de 1999, no filme Matrix somos provocados a pensar em um mundo dominado pelas máquinas e sua fantástica IA desenvolvida ao ponto de eliminar a raça humana como a conhecemos. Nas palavras do Agente Smith:

141207_Imagem2_Agente Smith As máquinas são programadas pelos seres humanos e em tese, são perfeitas naquilo em que foram instruídas. Em um contexto de IA, as máquinas teriam uma programação inicial e depois poderiam se auto-aperfeiçoar de forma a não precisar mais de instruções humanas. Até que ponto isso seria possível nenhum de nós pode ainda dizer, mas é exatamente este o alerta que Elon Musk, o fundador da Tesla e da SpaceX, nos faz ao alertar:

“Estamos invocando o demônio com a inteligência artificial. Em todas essas histórias onde existe um cara com um pentagrama e água benta, ele tem certeza que consegue controlar o demônio. Não funciona"

Seriam os desenvolvimentos nesta área um presságio da destruição humana? Teriam as máquinas poder para se reinventar e percebendo a imperfeição e defectibilidade da raça humana? Onde isso nos levaria?

Stephen Hawking diz o mesmo ao afirmar que:

"(Essas máquinas) avançariam por conta própria e se reprojetariam em ritmo sempre crescente. Os humanos, limitados pela evolução biológica lenta, não conseguiriam competir e seriam desbancados."

O que vocês pensariam a respeito dessas afirmações de Elon e Stephen? Para colocar mais um ponto de provocação dos perigos da IA, evoco agora a discussão trazida pelo filme Transcendence (2014):

141207_Imagem3_Transcendence

No filme, um brilhante cientista da IA chamado William Caster desenvolve um equipamento capaz de reproduzir a consciência humana em uma máquina virtual, possibilitando o upload de uma mente para se tornar virtual e conectada à internet. No filme, os desenvolvimentos científicos e tecnológicos gerados por esta nova IA são assombrosos e fazem com que a raça humana de fato seja beneficiada em alguns pontos, porém ao preço de perder sua autonomia enquanto seres humanos.

É neste ponto que se coloca em cheque as visões de mundo de Elon, Stephen e as ficções científicas de Matrix, Transcendence, Automáta e outros filmes na mesma linha. Na minha opinião é um assunto que tende a ser mais abordado daqui para frente e deveremos ter respostas à altura para os desafios embutidos em IA e a raça humana. Seremos sim beneficiados por máquinas inteligentes em um futuro próximo. Elas já estão entre nós e presentes no nosso dia a dia. A evolução da IA poderá nos complicar algum dia? Dificil de dizer, mas é um tema quente a ser discutido. Aqui me proponho apenas a uma provocação inicial e claro que totalmente incompleta desta evolução.

Defendo o desenvolvimento da IA como um fator benéfico a todos nós, mas sempre bate esse pensamento despertado por esses filmes e ainda mais pelas declarações de pessoas da área. O que você acha de IA e o que faria sentido nesses desenvolvimentos temidos e necessários?

Referências:

Reportagem Exame – Elon Musk: http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/inteligencia-artificial-e-nossa-maior-ameaca-diz-elon-musk

Reportagem BBC – Stephen Hawking: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/12/141202_hawking_inteligencia_pai


Vitor Hugo Cid

um ser pensante, criador (sem ser criativo!), administrador, admirador da solitude e do mundo interior... buscando refletir sobre algumas questões da vida perturbadoras e ao mesmo tempo inspiradoras..
Saiba como escrever na obvious.

deixe o seu comentário

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do autor do artigo sobre as matérias em questão.

comments powered by Disqus
version 1/s/sociedade// @destaque, @hplounge, @hp, @obvious, @obvioushp, @obvious_escolha_editor //Vitor Hugo Cid