aforismos pensantes

Algumas provocações sobre a vida, sociedade, arte, música e cinema

Vitor Hugo Cid

um ser pensante, criador (sem ser criativo!), administrador, admirador da solitude e do mundo interior... buscando refletir sobre algumas questões da vida perturbadoras e ao mesmo tempo inspiradoras.

Powerwall e as provocações energizantes do mundo Tesla

O anúncio do lançamento das baterias Powerwall, com aplicações residenciais e comerciais, da Tesla Energy desafiam a matriz energética atual. Seria esta proposta bem recebida no mundo em que vivemos e quais os impactos no nosso dia-a-dia?


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No último dia 30 de Abril de 2015, Elon Musk fez um anúncio cuja relevância pode alterar a forma como lidamos com o consumo energético. A proposta é simples: baterias com aplicação residencial ou comercial cuja energia é captada através de painéis solares. Em tempos onde a escassez se mostra mais presente no nosso cotidiano, este anúncio pode ser uma virada de jogo. As recentes secas em grandes regiões metropolitanas do Brasil (como São Paulo) aliadas ao fato do sistema brasileiro ser majoritariamente concentrado em usinas hidrelétricas, aumenta o risco do blackout. As concessionárias de energia, não tendo como oferecer a energia demandada, são obrigadas a buscarem outras formas mais caras de geração de energia, como termo ou nuclear, cujos impactos ambientais também são conhecidos. Todos os brasileiros sentem os reflexos dessa situação na hora de pagar a conta, as indústrias sofrem com o aumento do preço da energia e os custos crescentes de produção. É uma cadeia econômica e cascateia no aumento da inflação real.

Mas e a ligação com a invenção das indústrias Tesla? Um dos componentes mais inovadores dessa ideia é de fato a desconexão com o grid de energia elétrica, permitindo que cada residência seja uma pequena unidade autossuficiente. Utilizando a energia solar e as baterias para armazenamento, cada residência assume um papel singular e inclusive pode guardar a energia ou devolver uma parte para o sistema atual caso alguma pane aconteça. Em termos ambientais este modelo é mais sustentável e em termos econômicos existem pelo menos duas tendências: uma é a redução da dependência de cada cidadão do sistema elétrico e das empresas fornecedoras e a outra é a redução da receita pelas empresas fornecedoras e governos implicariam em algum tipo de compensação. Este segundo fator, na minha opinião, é o mais preocupante e uma das grandes barreiras nessa mudança da matriz energética. Os governos permitiriam essa redução na receita gerada pela independência de cada residência ou indústria com capacidade de autogeração energética? O lobby das grandes empresas energéticas seria suficiente para evitar o crescimento deste modelo?

Acredito que é um futuro bem interessante em termos de mudança no impacto ambiental e na questão de aceleração da economia. Como vivemos em um sistema interligado e complexo, se a mudança acontece de forma bem sucedida nos EUA, onde será lançado esse modelo de negócio, os custos de vida e de produção tendem a diminuir, o que implica em redistribuição de renda e com consequente geração de riqueza através de novos investimentos. Isso por si só já seria motivo suficiente para se buscar maior desenvolvimento na área de geração de energia solar e fontes renováveis, mas além disso existe o fator ambiental, muito mais caro e importante do que apenas o viés econômico. Vivemos em um ambiente com recursos finitos e escassos, não é de hoje a desordenada onda de crescimento das nações gerando impactos muitas vezes irreversíveis. Pelo incrível que pareça, a energia solar que em tese é virtualmente infinita e com impactos ambientais baixos, não é a mais explorada. Por muito tempo, investiu-se em geração com combustíveis fósseis ou hidro e sem ter muito cuidado com o lado ambiental. A natureza hoje cobra os dividendos e se empreendimentos como os da Tesla Energy não se multiplicarem, estaremos muito próximos de um grande colapso. É por isso que esse tipo de desenvolvimento deve ser mais buscado, é um valor muito mais raro e precioso. Mas como salvar os recursos naturais não é um chamativo atrativo, devemos reforçar o lado econômico e as vantagens de se buscar estes meios renováveis. Hoje temos combustíveis fósseis (acabando) e água (nem preciso dizer) com custos de produção mais em conta. Mas será mesmo mais em conta? Ou apenas não olhamos para todos os elementos dessa equação?

Bem vindo ao futuro e mal posso esperar para poder ter uma Powerwall ou similar em minha residência.

Video da press release do Powerwall

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Vitor Hugo Cid

um ser pensante, criador (sem ser criativo!), administrador, admirador da solitude e do mundo interior... buscando refletir sobre algumas questões da vida perturbadoras e ao mesmo tempo inspiradoras..
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