Marco Gavazza

Marco Gavazza é Publicitário, com extensão em Planejamento Estratégico e Marketing Eleitoral. Editor do site BahiaMulher e colaborador em diversas publicações

21.12.2012

"Se, a princípio, a ideia não é absurda, então não há esperança para ela."
- Albert Einstein

Não acho que o mundo irá acabar em 21 de dezembro, mas ao mesmo tempo não posso ignorar a sabedoria do povo Maia. Andei lendo o que foi possível no cipoal de bobagens que invadiu a internet a respeito do assunto (sobre isso seria necessário outro artigo para comentar, mas a minha intenção neste momento é diferente). A respeito da chamada “profecia maia”, a única verdade é que ela não é uma profecia.


profecias maia.jpgLendo os raros artigos sérios, científicos e arqueológicos o que se constata é que o calendário Maia chamado de Tempo Longo acaba naquela data. E mais nada. Daí até este fato ter se convertido no “fim dos tempos” foi um passo e um prato cheio para alarmistas, charlatães e oportunistas sempre alertas e on line.

Não sou um deles nem sou visionário, profeta ou nada parecido; assim como também não sou cientista, historiador, arqueólogo ou pesquisador. Sou uma pessoa comum, não-católica, atento observador do que pode estar por trás das primeiras aparências e que ousa lançar a pergunta: e se eles, os alarmistas, estiverem parcialmente certos? E se 21.12.2012 for realmente o fim dos tempos, na forma como o conhecemos e assim, coincidindo com o mistério maia, acabe o também o nosso calendário? Como não nos baseamos no calendário maia resta a hipótese de que acabaria o calendário gregoriano. É possível esta especulação, meu devaneio midiático, ter algum fundamento?

Maias.jpg

Não se espantem, mas eu acho que sim. Entretanto, para que o calendário gregoriano, o nosso sistema de marcação do tempo seja extinto, é necessário que um fato de conseqüências gigantescas aconteça, o que não significa necessariamente que este fato tenha origem no plano cósmico, planetário, sistêmico, com cometas despencando sobre a Terra e coisas semelhantes, como festivais de tsunamis. Também não é forçoso que ele esteja ligado a iniciativas bélicas humanas.

O fim do calendário gregoriano -ou simbolicamente o fim dos tempos- pode estar logicamente ligado a uma calamidade religiosa. Ele foi formalizado como sistema oficial de marcação do tempo por um papa, Gregório XIII, em 1582 e posteriormente adotado em quase todo o mundo. Um marco religioso portanto.

A partir dessas coisas comecei a pensar um pouco. Primeiro ponto: muito tempo antes de Gregório XIII, em 352 DC, outro Papa, Constantino I, conduziu o Concílio de Nicéia no qual se decidiu, entre outras coisas, a divindade de Jesus Cristo, por votação humana. Até então Jesus de Nazaré era considerado um profeta, tal qual a religião judaica prega até hoje. O Concílio de Nicéia determinou que Jesus fosse uma divindade e fim de conversa.

Segundo ponto. Sabemos também que a própria Igreja Católica nunca contestou a existência de certos mistérios chamados Segredos de Fátima revelados, segundo documentos, por Nossa Senhora, a mãe de Iesus, a três crianças pastoras numa aparição acontecida numa gruta, na atual região de Fátima, em Portugal.

“O chamado Segredo de Fátima é um conjunto de revelações alegadamente revelado pela Virgem Maria a três crianças portuguesas: Lúcia de Jesus dos Santos (10 anos), Francisco Marto (9 anos) e Jacinta Marto (7 anos) - os três pastorinhos- no dia 13 de maio de 1917 na Cova da Iria. De maio a outubro de 1917, as três crianças reivindicaram ter testemunhado a aparição de "uma Senhora mais brilhante do que o sol" (que teria se apresentado em 13 de outubro como a Virgem Maria, mãe de Jesus, e que é hoje invocada como Nossa Senhora de Fátima)”. -Wikipedia Papa.jpg

O primeiro segredo seria uma visão do Inferno. O segundo fala de uma guerra que aconteceria durante o reinado do Papa Pio XII. O cardeal Ambrogio Damiano Achille Ratti foi coroado Papa em 1922 e com o onomástico de Pio XII comandou a Igreja até 1939, não se registrando portanto neste período nenhuma guerra relevante. Já havia, entretanto, fortes indicativos de que a II Guerra Mundial iria começar.

O terceiro segredo é mais complexo e só foi revelado pelo:

“...então Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, publicado, juntamente com o texto integral do segredo, em 26 de Junho de 2000. -Wikipedia Ratzinger é o atual Papa Bento XVI.

Um trecho do documento diz:

“...vimos vários outros bispos -além de um Bispo vestido de branco- sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande cruz de troncos toscos como se fora de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruína, e meio trêmulo com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os bispos sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições”. -Wikipedia

Bem, a cena descrita não permite meios termos: trata-se da execução pública, numa montanha ou nas colinas de Roma, do Papa, lideranças do Vaticano e personalidades diversas.

Tal cena pode ser encontrada -praticamente igual- também em Nostradamus, nas Centúrias, publicado por volta de 1550, ou seja, quase quatro séculos antes:

II-97 Romano Pontífice guarde de aproximar-se da cidade banhada por dois rios, o sangue espumará, seu e dos seus, quando a rosa florir.

V-73 A igreja de Deus será perseguida, e os templos sagrados pilhados; mãe expulsará o filho, desnudado em camisa, os árabes se aliarão aos poloneses.

VIII-98 Dos homens da igreja o sangue será espalhado, em tanta abundância, como se fosse água: por longo tempo não diminuirá, oh, para o clero, ruína e dor.

X-65 Tua ruína, ó grande Roma, se aproxima, não de tuas muralhas, de teu sangue e substância, a aversão pelas letras fará tão terrível brecha, ferro pontudo ferindo a todos até o cabo. Em outro trecho das Centúrias, Nostradamus afirma que o “sarcófago do Grande Romano será violado e seus ossos arrastados em praça pública”. Todos os estudiosos das profecias do médico francês concordam que ele se referia à invasão do Vaticano seguida pela violação do túmulo de São Pedro, localizado nos subterrâneos da basílica que leva o seu nome.

Mas porque tal fato diretamente ligado à Igreja Católica -porém gigantesco o suficiente para permitir o fim do calendário gregoriano- aconteceria?

Quem exterminaria abertamente a cúpula da religião católica e ela própria? Fundamentalistas muçulmanos? Talvez. Entretanto é possível que não. É mais lógico que um hipotético acontecimento de tamanha conseqüência para a ordem mundial parta dos próprios católicos. Dificilmente qualquer nação do planeta entraria no Vaticano, seqüestraria o Papa e seus comandados diretos e executaria o grupo sem ser incomodada e encontrar resposta bélica de vários países católicos.

O final do primeiro verso das Centúrias mencionado acima se encerra situando como época deste acontecimento sangrento “quando a rosa florir”.

Sabemos que a rosa é o símbolo dos Cavaleiros Templários, o braço armado do grupo Iluminnatti, formado por cientistas, escritores, artistas e outras celebridades e que remonta ao início do século nove. Sabemos também que estes notáveis contestavam inúmeros dogmas de Igreja Católica, principalmente a divindade de Jesus Cristo, afirmando que ele teria sido um mortal, teria casado e possuía uma descendência. Foram perseguidos e mortos implacavelmente pelos exércitos de inúmeros papas e os que escaparam tornaram o grupo secreto.

Entre os membros do Iluminnatti ao longo do tempo supõe-se que estavam desde Isaac Newton, Michelangelo e Leonardo da Vinci até Albert Einstein. A participação de Leonardo da Vinci entre os Ilumminatti é fartamente explorada na obra de ficção O Código da Vinci (Dan Brown) e também no filme que se seguiu ao livro, principalmente na leitura de seu mural A Última Ceia.

Menos divulgada é a contribuição de Michelangelo para a difusão das idéias dos Iluminnatti, porém estudiosos garantem que a sua obra reveladora –a última ceia dele- seria a famosíssima escultura La Pietá. Se observarmos atentamente a composição perceberemos com clareza que a mulher que ampara em seu colo o corpo sem vida de Jesus é jovem, muito jovem, mais jovem que o próprio crucificado. Jamais poderia ser a mãe dele, a conhecida Virgem Santíssima, a Nossa Senhora dos cristãos. Não seria um erro possível de ser cometido por um gênio do porte de Buonarotti, o Michelangelo.

pietawd.jpg

Ainda seguindo o raciocínio dos Iluminnatti, esta mulher seria Maria Madalena, a esposa de Jesus, grávida à época de sua condenação e execução, criando aí a descendência de Jesus e contestando portanto a sua divindade, a ascensão e tudo o que mais se segue.

Chegamos então a um fato possível de abalar a comunidade católica em todo o planeta -cerca de 1,5 bilhões de pessoas- e provocar reações imprevisíveis. Ninguém fica feliz em saber que foi enganado por mais de dois mil anos.

Supondo-se que tamanho labirinto de informações, lendas, dados, estórias e suposições para se chegar a um fato chocante o suficiente para desencadear uma reviravolta completa na ordem mundial (Jesus nunca foi filho de Deus, jamais foi divino, era um homem comum, casou e teve filhos) possa estar correto, surge então a pergunta inevitável: quem faria, dentro da própria Igreja Católica, esta revelação ao mundo?

Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI é o único nome plausível. Qualquer outro poderia ser contestado por ele próprio, caindo no esquecimento. Ele não. Ele é o chefe maior de toda a Igreja.

Bento VXI vem sofrendo pressões de todo tipo, tendo que administrar crise após crise, dia após dia e já declarou publicamente que poderá não exercer o papado integralmente (As Cartas Secretas de Bento XVI, Gianluigi Nuzzi, outubro 2012). Resumindo o que na verdade já é um resumo de um raciocínio hipotético: num momento que parece estar muito próximo (não necessariamente 21.12.2012) e por razões que ninguém pode imaginar, o Papa Bento XVI quebra os segredos do Vaticano e revela ao mundo que Jesus Cristo não era divino e a Santa Madre Igreja mentiu sobre isso ao longo de dois milênios.

Neste instante a rosa floresce.

Seguindo com a hipótese: surpresa e revoltada a nação católica -aproximadamente 20% da população mundial- marcha enfurecida para o Vaticano, seguida logicamente de todos os inimigos da Igreja. Religiosos católicos encontrados pela frente são executados, incluindo-se o próprio Papa, num evento de conseqüências inimagináveis para a humanidade. Para garantir que a mentira acabou e registrar o momento histórico único, extingue-se o uso do calendário gregoriano e adota-se qualquer outro existente.

Não é o fim do mundo, mas é o fim, dos tempos.

N. A.: nada do que foi descrito acima possui base científica ou analítica, sendo simplesmente um livre raciocínio, um exercício de criatividade num encadeamento de registros da cultura humana, que me permitiu a alternativa que não contemplar a destruição do planeta Terra e seus habitantes, mas que também não ousa desprezar o conhecimento da civilização maia. Espero que me perdoem.


Marco Gavazza

Marco Gavazza é Publicitário, com extensão em Planejamento Estratégico e Marketing Eleitoral. Editor do site BahiaMulher e colaborador em diversas publicações .
Saiba como escrever na obvious.

deixe o seu comentário

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do autor do artigo sobre as matérias em questão.

comments powered by Disqus
version 1/s/// @destaque, @obvious //Marco Gavazza