Marco Gavazza

Marco Gavazza é Publicitário, com extensão em Planejamento Estratégico e Marketing Eleitoral. Editor do site BahiaMulher e colaborador em diversas publicações

FUMAÇA NEGRA

Preocupa-me a crescente intolerância religiosa que domina o mundo. Parece que trilhamos um caminho de volta às inúmeras idades das trevas que já atravessamos. É difícil aceitar que chegamos à segunda década do século 21 em meio a sérias divergências religiosas que ao longo da história sempre foram estopins de conflitos armados.


Existem, já há algum tempo, duas correntes de pensamento dentro do Vaticano, travando entre outras, uma luta particularmente violenta. Um grupo de dirigentes da igreja católica defende que esta deva revelar ter sido Jesus um personagem de extraordinária visão de justiça e igualdade social, porém um ser humano comum, que casou com Maria Madalena e teve filhos como qualquer pessoa. Esta nova visão de Jesus já era debatida intra muros no Vaticano e tornou-se razoavelmente conhecida depois do livro de Dan Brown e posterior filme O Código Da Vinci.

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Estas autoridades católicas entendem que a revelação oficial da versão revolucionária de Jesus trazendo-o para patamar da humanidade renovaria a fé cristã em todo o mundo, seriamente abalada nos últimos séculos por infinitos fatores.

O outro lado é formado por autoridades católicas que acham tudo isso uma grande bobagem, não acreditam nessas especulações ou se acreditam entendem que nada deva ser revelado pois a declaração de não-divindade de Jesus terminaria por reduzir a pó a madre igreja.

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Joseph Alois Ratzinger, o Bento XVI, é um intelectual refinado, um homem de cultura exuberante, um teólogo brilhante que pertence à segunda corrente e possui um pensamento católico ortodoxo que, para muitos de seus críticos, é tido como sendo conservador. Em função deste posicionamento ele dedicou grande parte do seu papado a escrever os livros que completaram sua trilogia sobre a vida de Jesus.

Os dois primeiros livros tratam da vida adulta de Jesus e de seus ensinamentos públicos. No último livro, com base no Evangelho de Lucas, o papa relata a infância de Jesus e o episódio mais conhecido quando, segundo a Bíblia, aos 12 anos, ele foi ao templo de Jerusalém debater com os doutores da Lei.

As publicações são assinadas por Joseph Ratzinger-Bento XVI e são usados dois nomes porque ele iniciou a trilogia ainda como cardeal. Os livros são uma declaração aberta e fervorosa de sua crença na divindade de Jesus.

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A renúncia de Bento XVI pode ter sido realmente em função de sua saúde debilitada e de um cansaço natural. O homem tem 85 anos. Mas pode não ser só isso.

Sua desistência do trono católico pode revelar que a corrente defensora da manutenção das coisas como estão, perde força.

A sucessão de Bento XVI certamente dará novas pistas sobre o que acontece no silêncio das catacumbas do Vaticano.

Caso o novo papa venha a ser outro conservador, o futuro da igreja católica seguirá na luta atual contra o esvaziamento da religião cristã que se debate e estremece a cada novo escândalo que surge dentro dela.

Se ao contrário assumir o trono papal um inovador e simpatizante da corrente favorável à revelação -e caso esta venha a acontecer- o futuro da igreja é uma grande incógnita. A afirmação da não-divindade de Jesus por parte da própria igreja é algo de conseqüências absolutamente inimagináveis, sejam elas positivas ou negativas.

Profecias de inúmeros autores, incluindo aí São Malaquias, santo da própria igreja, mostram um futuro sombrio para ela, com a destruição do Vaticano, saques aos tesouros da igreja e grandes conflitos religiosos. Malaquias escreveu suas profecias em 112 sentenças curtas, fornecendo os caracteres dos papas católicos, desde Celestino II, em 1143, até o último pontífice, Pedro II, que segundo ele, ocupará o trono do Vaticano no meio de extremos sofrimentos mundiais. Esse Pedro II sucederá Bento XVI (Joseph Ratzinger) e será testemunha do início das comoções que abalarão o planeta.

Se os inúmeros profetas estiverem certos e o fim de igreja católica próximo, o cenário está ficando pronto.

bosch2.jpg (Hieronymus Bosch)

Não sou religioso, embora ache que exista algum valor moral nas religiões, necessário para quem precisa de códigos explícitos de comportamento.

Preocupa-me entretanto a crescente intolerância religiosa que domina o mundo, parecendo que trilhamos um caminho de volta às inúmeras idades das trevas que já atravessamos. Divergências religiosas ao longo da história sempre foram estopins de grandes conflitos armados.

Hordas de muçulmanos sedentos de violência, católicos radicais, evangélicos xiitas, sem falar nas novas seitas totalmente excludentes como as igrejas universais disso e daquilo que perseguem de forma real e concreta adeptos da umbanda e do candomblé como sendo seus inimigos.

Embora já tenhamos ido o voltado à Lua, ido buscar fotografias e amostras do solo em Marte e bisbilhotado as bordas das mais distantes galáxias, nos apequenamos cada dia mais como habitantes do planeta azul, incapazes de pensar no universo como a nossa casa, sem nenhuma condição de entendermos qualquer sentido da vida, da natureza e do próprio planeta.

Caso exista uma divindade criadora, como tanta gente acredita, podemos imaginá-lo nos observando de algum lugar do infinito e perguntando-se: “Onde foi que eu errei?”


Marco Gavazza

Marco Gavazza é Publicitário, com extensão em Planejamento Estratégico e Marketing Eleitoral. Editor do site BahiaMulher e colaborador em diversas publicações .
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