Marco Gavazza

Marco Gavazza é Publicitário, com extensão em Planejamento Estratégico e Marketing Eleitoral. Editor do site BahiaMulher e colaborador em diversas publicações

PROCURE NO GOOGLE

Como bom saudosista que sou, gosto de acreditar que a cultura antiga também -e ainda- está na mente humana. Nos nossos cérebros, esta HD de capacidade desconhecida.



wpid-photo-jan-14-2013-1115-am.jpgEm 1990 a Internet tornou-se aberta e comercial, passando a ser acessada gradativamente por uma quantidade cada vez maior de habitantes deste planeta, até chegar aos atuais -mais ou menos- 2 bilhões de pessoas conectadas. Se você tem por volta de 20 anos, tudo o que aconteceu desde o seu nascimento até hoje está na Internet e você pode encontrar usando o Google.

Entretanto, segundo estudos existentes, todo o conteúdo que foi produzido nas duas últimas décadas e que está na Internet, cobre apenas 10% da cultura humana anterior à web.

Os mesmos estudos estimam ainda que esta fatia da rede de 10% de OK -o Old Knowledge como a galera do Google chama a cultura antiga- contém menos de 5% de toda ela. Isto significa que quase a totalidade da produção de cultura humana não está na Internet.

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Claro. Se você pesquisar “Homero”, vai encontrar até uma transcrição publicada em 1835 do obscuro poema Batracomiomaquia. Mas evidentemente não irá encontrar nada postado por Homero. A mesma coisa vale para todo o conhecimento antigo, o OK dos Googlers.

Versões digitalizadas de Shakespeare, estudos a respeito da sua vida e obra, retratos e muito, muito material sobre o escritor inglês está à disposição de qualquer pessoa na internet.

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Digite “Lex Agrária” no Google e você terá 350 mil resultados sobre um documento romano editado 280 anos antes de Cristo.

Se você recuar mais no tempo e digitar “Idade da Pedra” encontrará 5 milhões e meio de páginas sobre o assunto. É tudo o que se “pensa hoje” sobre este período da nossa caminhada pelo planeta, mas é um pensamento recente, contemporâneo, atual ou atualizado.

Você pode ficar sabendo pela Internet que 980 anos antes de Cristo existiu um pensador e médico chamado Abd Allāh ibn Sīnā, um polímata persa conhecido como Avicena no Ocidente. Mas ninguém encontrará uma única palavra dele a respeito de qualquer das suas inúmeras áreas de conhecimento.

Assim acontece com quase toda a totalidade de informações que você possa imaginar a respeito do que é o conhecimento humano antigo.

No campus do Google, em Palo Alto, Califórnia, se encontram centenas de containeres espalhados. São literalmente gigantescas HDs com toneladas de yottabytes de capacidade de armazenamento. Elas são fabricadas no Vietnã e enviadas para inúmeros lugares espalhados pelo mundo além do campus. Existem milhares delas completamente interligadas e juntas formam o que o Google chama de Big Box.

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O conjunto contém uma cópia sempre atualizada de toda a internet. Todas as imagens, todos os textos, todos os vídeos do You Tube e outros canais, todos os seus e-mails e os de todo mundo estão na Big Box. Mas uma parte gigantesca do conhecimento humano não está na Big Box.

Onde então foi parar o conhecimento que permitiu a construção das pirâmides, por exemplo?

Sem entrar na complexa questão da construção em si, mas verificando apenas o sistema de mumificação que nelas foi utilizado, concluímos que seus projetistas deveriam necessariamente conhecer pelo menos a física quântica.

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Se desejarmos saber exatamente com quantas pedras foi feita a Grande Pirâmide esta espécie de conhecimento está disponível hoje na Internet, mas nela você não encontrará uma única palavra que relacione sua finalidade com alguém que viveu oito mil anos atrás. A maior parte da cultura humana, portanto, não pode ser visualizada em seu smartphone. Onde estará?

Muita coisa existe ainda não decifrada em documentos antiqüíssimos, em pedras, paredes, cavernas, porões, mausoléus, ruínas, fósseis, panos, objetos, rabiscos. No fundo do mar, sob a areia dos desertos, ocultas pela selva amazônica. Outras já entendidas e protegidas em arquivos de sociedades secretas, nas catacumbas do Vaticano, nos subterrâneos da NASA, nas sinagogas de Jerusalém, em mosteiros ocultos no Himalaia.

Mas como bom saudosista que sou, gosto de acreditar que a cultura antiga também -e ainda- está na mente humana. Nos nossos cérebros, esta HD de capacidade desconhecida.

Acho reconfortante crer que em algum lugar do planeta, alguém sabe para que as pirâmides foram erguidas. Em uma aldeia perdida na Cordilheira dos Andes, alguém tem a explicação para o sumiço da cultura maia. Um desconhecido qualquer numa cabana na ilha do Sal conhece a resposta para o mistério da Atlântida. Ou um ancião sabe o que acontecia em Stonehenge. Assim como os aborígenes de Ayers Rock sabiam como ajudar a Apollo 13 a voltar pra casa.

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Tudo isso fica mais fascinante porque vemos que o conhecimento humano sempre foi passado boca a boca, de geração para geração, independente de papiros e das escritas latinas, arábicas, cirílicas, hebraicas, helênicas, hindus, armênias, etiópicas, coreanas, georgianas, birmaneses, coptas e tantas outras. Assim como as receitas atravessam séculos sendo passadas de avós para netas, acho que todos esses segredos da Terra são passados dos que estão saindo da vida para aqueles que a estão descobrindo.

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Pode parecer meio romântico, meio ultrapassado, mas creio existir memória viva fora dos servidores e que esta seja formada por uma cadeia infindável de depositários do conhecimento, sacerdotes de um saber antigo. E que se pudesse ser totalmente percorrida da frente para trás nos levaria de volta à uma nova aurora da humanidade.

Exatamente como acontece quando Hal surtou e precisou ser desligado.

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Marco Gavazza

Marco Gavazza é Publicitário, com extensão em Planejamento Estratégico e Marketing Eleitoral. Editor do site BahiaMulher e colaborador em diversas publicações .
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