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Cultura não factual.

Henrique Fernandes Coradini

Tenho um apego especial por artistas que tenham criado rumos para uns e ofendido vários. Do hip hop ao psicodélico, qualquer produção cultural que soe legítima e original dentro de seu tempo desperta meu interesse. Sou mais um jornalista perdido em Porto Alegre. [email protected]

Cabeça Nefasta - delírios cotidianos em quadrinhos.

Completando um ano de existência, a revista Cabeça Nefasta une realismo e psicodelia em quadrinhos que encaram os percalços da existência humana.


cabeça nefasta 2.jpg Ilustração de Rafael Heinen

Produzida em Santa Maria (RS) de forma independente pelos artistas Rafael Heinen e Jorge Gularte, a revista Cabeça Nefasta tem os pés fincados na estética dos quadrinhos underground, mas também influência dos clássicos, explorando esta linguagem em narrativas às vezes psicodélicas e oníricas, às vezes virulentamente cruas e realistas. Ou melhor, como Jorge Gularte define em um texto de apresentação, "a Cabeça Nefasta é o espelho do mundo sutil que vivemos todos nós: sonhadores e realistas, juntos em uma orgia de sentidos a flor da pele". Chegando em sua quarta edição, a revista completa em Setembro [2013] seu primeiro ano de existência.

Procurando desvendar algumas das peculiaridades da revista, falei com Jorge Gularte.

Como surgiu a ideia de produzir a Cabeça Nefasta?

Cabeça Nefasta: A cabeça é fruto de alguns anos de planejamento. Nos conhecemos na universidade [UFSM] em 2006 e desde então começamos a desenvolver várias ideias que por algum tempo ficaram só na teoria. Ano passado (2012) resolvemos que finalmente estávamos preparados pra publicar algo e surgiu a Cabeça Nefasta.

cabeça nefasta 1.jpgIlustra de Jorge Gularte

Quais são as principais referências artísticas dos quadrinistas da revista?

CN: Varia muito as referências, por que não fica só nos quadrinhos e nas visuais, também tem muito da música e da literatura e principalmente do nosso cotidiano. Nos quadrinhos nos influenciamos pela forma de narrativa da extinta “Aventura e Ficção”.

Vocês estão prestes a lançar a 4ª edição da revista que, dessa vez, terá uma edição de bolso. Por que razão vocês optaram por esse formato?

CN: O formato de bolso surgiu apenas pra ser uma edição especial de aniversário, vai ser uma experiência onde tentamos dar uma nova leitura estética para o volume ao mesmo tempo em que reavaliamos o preço da edição. No futuro pode ser que ela continue nesse formato ou mesmo em outros ainda não testados. A revista tem um pouco disso, esse caráter experimental que possibilita a gente testar diferentes formatos, histórias e abordagens, sem perder o cunho nefasto.

cabeça nefasta mirieli costa.jpgDa esquerda para a direita, Rafael Heinem e Jorge Gularte - foto de Mirieli Costa

Vocês da Cabeça Nefasta se identificam com o termo “quadrinhos underground”?

CN: Pode-se dizer que sim, já que produzimos praticamente tudo de forma bem independente. A única coisa que tem uma participação externa é a impressão do material que fica por conta de uma gráfica particular. Os gastos e divulgação são sempre por nossa conta e risco.

Como é fazer quadrinhos (underground – caso a resposta anterior seja positiva em relação a isto) no interior de um estado que encontra-se fora do eixo central da cultura brasileira como o Rio Grande do Sul?

CN: Olha, Acredito que seja igual a qualquer outro lugar, o que se altera é as relações que mantemos com nosso meio. O que a gente pensa, o que nos influencia e inspira e como é distribuído, pra quem, etc...

Primeira edição da revista disponível na íntegra

Vocês procuram estar alertas às produções de outros quadrinistas que atuam fora do status quo do formato aqui no Brasil?

CN: Não temos o costume de procurar novidades sobre os quadrinhos under, mas por estarmos produzindo algo próximo, inevitavelmente acabamos por ficar sabendo de muita coisa. Uma coisa puxa a outra.

Como alguém de fora de Santa Maria pode conseguir uma edição da Cabeça Nefasta? Aproveita pra dar os contatos de vocês.

CN: No princípio não estávamos distribuindo a revista fora, até porque não valia a pena, acabava ficando muito caro, agora disponibilizamos para fora somente com o pacote das 3 primeira edições. Quem se interessa entramos em contato pelo Facebook (Cabeça Nefasta Produções ou pelo perfil particular Jorge Gularte e Rafael Heinen). Em breve estaremos disponibilizando um blog.


Henrique Fernandes Coradini

Tenho um apego especial por artistas que tenham criado rumos para uns e ofendido vários. Do hip hop ao psicodélico, qualquer produção cultural que soe legítima e original dentro de seu tempo desperta meu interesse. Sou mais um jornalista perdido em Porto Alegre. [email protected]
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