aleatoriedades

Cultura não factual.

Henrique Fernandes Coradini

Tenho um apego especial por artistas que tenham criado rumos para uns e ofendido vários. Do hip hop ao psicodélico, qualquer produção cultural que soe legítima e original dentro de seu tempo desperta meu interesse. Sou mais um jornalista perdido em Porto Alegre. [email protected]

As ambientações extraterrenas da Leaving the Planet

A Leaving the Planet surgiu em João Pessoa, na Paraíba, mas podia ser de qualquer outro lugar ao longo do planeta que na alcunha da banda afirmam estar abandonando. Isso porque o som desta dupla formada por Diego Nóbrega e Lineker Diego transcende qualquer questão de identidade local em prol da busca por um sentimento sonoro universal. Música feita sobre um mundo visto de cima.


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A Leaving the Planet surgiu em João Pessoa, na Paraíba, mas podia ser de qualquer outro lugar ao longo do planeta que na alcunha da banda afirmam estar abandonando. Isso porque o som desta dupla formada por Diego Nóbrega e Lineker Diego transcende qualquer questão de identidade local em prol da busca por um sentimento sonoro universal. Música feita sobre um mundo visto de cima. Unindo elementos de post-rock, ambient music e space rock, a dupla vêm trabalhando na divulgação de seu primeiro disco, que você pode ouvir enquanto lê esta entrevista feita com Lineker Diego.

Quem são os membros que formam a Leaving The Planet e como a banda surgiu? Ouvi dizer que a banda surgiu de um projeto para recital, é isso mesmo?

R: Diego Nóbrega e Lineker Diego. A banda surgiu de uma vontade imensa de fazer música. Desde 2011 nos conhecemos e percebemos logo de cara que nossos planos e gostos eram parecidos, porém, só em setembro de 2013, num recital de formatura, tivemos a oportunidade de fazer nossa 1° apresentação, onde o público curtiu bastante o que ouviu. A partir daí nos dedicamos 100% para gravar as músicas e mostrar pra todo mundo.

O som de vocês não segue ou se adequa aos padrões do pop. Sendo assim, as composições advêm de um leque imenso de possibilidades. Como vocês decidem quando uma canção está devidamente “fechada”?

Apesar da banda ser bem nova, cada um de nós já toca a mais de 10 anos, tocávamos em outras bandas, diferentes estilos, isso nos dá uma certa experiência. Chegamos a conclusão quando tocamos e ao mesmo tempo sorrimos de alegria por ela soar tão bela.

leaving2.jpg Lineker Diego (na frente) e Diego Nóbrega

Tendo tantas possibilidades em aberto, de que fontes vocês coletam inspiração para a ambientação estética das canções?

De tudo que ouvimos todos esses anos, além das fronteiras do Post-Rock. Radiohead, Portishead, muita coisa do Metal e do Rock Alternativo também. Mas, pra não deixar de citar coisas da vibe: Sigur Rós, Brian Eno, Mogwai e Labirinto.

Em algumas canções, vocês parecem trabalhar a o recurso da repetição com a inserção gradual de novos elementos sonoros. Qual o papel da repetição nas canções da Leaving The Planet?

Repetir muitas vezes acaba tornando o trecho robótico, meio que hipnótico, e inserindo novos elementos você chama atenção. Ou seja, queremos realmente prender a sua atenção no som.

Como funcionou o processo de gravação do primeiro álbum da banda? Vocês notam diferenças entre o registro gravado e as apresentações?

Fomos pro estúdio com 80% das músicas prontas, 20% deixamos pra hora do vamo ver. O que sair dos dedos é o que fica. Adoramos o processo de gravação, as ideias fervem e você não vê a hora de registrar tudo pra mostrar pros amigos. Poder experimentar, ousar, errar ... isso tudo é muito bacana. E sobre a diferença, sim .. o público, o olho no olho e o sorriso das pessoas é outra experiência ímpar.

leaving3.jpg Ao vivo com participações Gabriel Araújo (baixo) e o Augusto Alves(bateria)

Tanto o nome Leaving The Planet quanto a arte do disco fazem referências à estéticas extraterrenas. Como essa ideia espacial se insere nas canções?

É meio que um conceito, tudo coopera pra você se desconectar da correria do dia e "deixar o planeta."

Apesar dessas referências espaciais, os títulos das canções sugerem inspirações mundanas. Como vocês dosam estes dois contextos tão distintos?

Queremos despertar um confronto de certa forma. Incentivar que desliguem o piloto automático. Hoje as coisas estão rápidas demais, descartáveis. As músicas tem o papel de tentar compensar isso. Desacelerar, te fazer lembrar de coisas que você viveu, ou melhor, pensar o que você pode viver intensamente, buscar um auto conhecimento, outras experiências e um novo estado de espírito.

Atualmente o Brasil vem revelando bons projetos enviesados para o post-rock. Vocês notam uma certa efervescência do gênero em nosso país?

Sim. Esperamos que assim como os projetos, o público possa crescer. Música boa merece ser compartilhada.

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Henrique Fernandes Coradini

Tenho um apego especial por artistas que tenham criado rumos para uns e ofendido vários. Do hip hop ao psicodélico, qualquer produção cultural que soe legítima e original dentro de seu tempo desperta meu interesse. Sou mais um jornalista perdido em Porto Alegre. [email protected]
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