aleatoriedades

Cultura não factual.

Henrique Fernandes Coradini

Tenho um apego especial por artistas que tenham criado rumos para uns e ofendido vários. Do hip hop ao psicodélico, qualquer produção cultural que soe legítima e original dentro de seu tempo desperta meu interesse. Sou mais um jornalista perdido em Porto Alegre. [email protected]

[Tatuagem] Daniel Griza - entre o sombrio e o lúdico

Com elementos estéticos que remetem tanto à arte death-punk e ao horror surrealista japonês quanto ao fanatismo por animais de estimação típico das redes sociais, o tatuador gaúcho Daniel Griza cria figuras disruptoras que misturam diferentes contextos e iconografias urbanas e exploram terrenos de ambivalência quase onírica.


griza1.jpg

Com elementos estéticos que remetem tanto à arte death-punk e ao horror surrealista japonês quanto ao fanatismo por animais de estimação típico das redes sociais, o tatuador gaúcho Daniel Griza – natural de Paraí (RS) e radicado profissionalmente em Porto Alegre – cria figuras disruptoras que misturam diferentes contextos e iconografias urbanas e exploram terrenos de ambivalência quase onírica.

Assim, as ilustras de Griza abordam uma gama de temáticas, as vezes cruzadas, as vezes isoladas. Uma variedade que não significa falta de identidade, pelo contrário, as peças produzidas pelo tatuador são facilmente reconhecidas como tais. Apesar de não deixar de ouvir as requisições de seus clientes, Griza posiciona-se como um tatuador majoritariamente autoral.

Isso ocorre, em parte, pelo trabalho característico do tatuador. Seja lá qual for a temática abordada.Com um traço simples, majoritariamente em preto, e fazendo uso dos espaços sem tinta, Griza desenvolve materiais bastante particulares.

Depois de babar esse ovo tremendo pra ele, resolvi entrevista-lo acerca de estilo, experiência e outras coisas mais:

griza2.jpg

Como tu começou a ilustrar? Conta um pouco sobre tua experiência até se tornar tatuador.

Comecei a me interessar por ilustração quando estava terminando a faculdade, cursava Design Gráfico na Universidade de Passo Fundo e os desenhos se misturavam à outras coisas que eu curtia fazer na época, logotipos e tudo o que aspirantes a designers gostam de fazer. Com o tempo fui trabalhando em algumas agências, experiências ruins aqui, outras ali, resolvi eliminar as funções chatas e tentar viver apenas fazendo o que eu gostava, ilustrar. Algum tempo depois vi que um ilustrador que eu seguia no Tumblr ganhou uma maquina de tatuar dos colegas de trabalho e em pouco tempo ele estava fazendo a coisa toda render, pensei que seria uma boa forma de rentabilizar meus desenhos também, pedi uma grana emprestada pra minha namorada e aconteceu.

Eu nem tinha muitas tatuagens na época, nem conhecia muita coisa da área, tinha poucas referências, mas enfim, paixão a primeira vista!

griza3.jpg

Muitas de tuas ilustras põem animais fofinhos e figuras mórbidas lado a lado. De onde vem esse paradoxo (se é que pode ser tratado como tal)?

Não sei, eu sempre pilho muito nessa linha mórbida de desenhos, coisas deformadas, monstros, caveiras, humor sádico, porno trash... Mas sempre acabo desenhando algo bonitinho no meio do caminho. Estranho.

Essa temática é corroborada pelo teu traço, simples e eficiente e pela preferência por tatuagens apenas em tinta preta, fazendo uso até mesmo dos espaços vazios. Como tu trabalha essa composição?

Bom, falando em tatuagens, existem vários estilos e vertentes artísticas, lembro que quando comecei fui influenciado pelo o que eu achei que seria mais fácil fazer, linhas e pontos. Eu gosto de tatuagem old school e new tradicional, mas achei melhor pular a colorização e sombras precisas, pulei os traços retinhos também, organicos são demais!

griza4.jpg

Outro tema bastante abordado é a selvagem. Ambientações bucólicas de valor simbólico como montes e pradarias. Qual a origem dessa preferência?

Uma coisa que acabei percebendo nesses últimos tempos é que a tatuagem é quase que metade do tatuador e a outra metade do tatuado. Eu gosto muito de acampar, gosto do interior e tudo mais, mas, acho que uma galera que curte isso também resolveu tatuar comigo ultimamente.

Só entre o que foi citado aqui, tua arte pode ser situada em identidades de grupo tão diversas como metal, punk e folk podem ser. De que forma tu absorve essas estéticas advindas de conjuntos urbanos?

Acho que do inconsciente, na verdade eu não convivi muito tempo no meio urbano, morei quase que a vida toda no interior, eu andava de skate e curtia um punk rock quando era mais novo, mas eram poucos os movimentos que chegavam por lá.

griza5.jpg

De fato, que referências – dentro e fora da ilustração - tu acolhe ao desenhar? De onde tu recebe inspiração para produzir?

Eu não sei ao certo, é difícil julgar uma dúzia de lugares de onde a inspiração vem. Acho que vem de todos os lugares, as coisas acontecem meio que sem querer também. Hoje em dia eu consigo acompanhar muitos artistas, dentro e fora da ilustração, música, cinema e desenhos animados também são inspiração.

griza6.jpg

Tu concentra teus esforços apenas em fazer tatuagens ou tem intenção em explorar outros ramos da ilustração (comercialmente ou não)?

Eu ainda gosto muito de produzir estampas, padronagens, e tudo mais. Recentemente aprendi a fazer serigrafia e o mundo da gravura e arte decorativa me agrada muito.

griza8.jpg

Massa, pra fechar, só passa teus contatos profissionais e endereços onde o pessoal pode ver o teu trabalho.

Bom, os meios que eu mais uso são a página no facebook e o perfil do instagram. Pra agendar é só mandar e-mail pro [email protected] ou mensagem inbox na página do face!

PS: todas as imagens fazem parte do material de divulgação do artista e foram retiradas de seu site.


Henrique Fernandes Coradini

Tenho um apego especial por artistas que tenham criado rumos para uns e ofendido vários. Do hip hop ao psicodélico, qualquer produção cultural que soe legítima e original dentro de seu tempo desperta meu interesse. Sou mais um jornalista perdido em Porto Alegre. [email protected]
Saiba como escrever na obvious.
version 3/s/artes e ideias// @obvious, @obvioushp //Henrique Fernandes Coradini