alguma coisa na caixa

Sobre a vida e tudo que faz bem (ou nem tanto)

Cristina Cestaro

Formada em Comunicação Social. Viciada em filmes, séries e livros. Fã do The Killers.

Sobre a casa da gente

Aquela sensação de monotonia e o tédio da rotina, que sentimos quando estamos sempre ali. Mas após dias de viagem, divertidos ou não, nada é melhor do que estar na sua cama, com as suas coisas...sabe-se lá o porquê. Afinal, já dizem: nada melhor que a casa da gente.


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Ficar preso na rotina diária de trabalho, estudo e casa é uma das razões de me sentir entediada. Têm as saídas dos finais de semana, mas é para minha casa que volto após os passeios...Não aguento mais essas paredes brancas, esse teto que não me inspira nada, esse sofá que já não me parece tão confortável e esse travesseiro, que não sei a razão, mas está me parecendo baixo de mais...não consigo dormir...preciso sair daqui. Nada me distrai ultimamente, nem meus jogos, a lista gigante de filmes que quero assistir e as séries que não estão em dia. Converso com amigos, planejo a grande fuga: Dias longe de tudo, vou me distrair, me divertir, experimentar novas coisas e ter novas vistas. Quero uma aventura, conhecer novos lugares, novas culturas, ver gente nova e bonita, rir loucamente de situações inusitadas, ter histórias para contar no futuro e ver se sentirei saudades do que deixei para trás. Evito pensar duas vezes e, pronto, é hora de partir. Arrumo as malas, pego as melhores roupas, posso ser quem eu quiser.

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A viagem começa, as horas no carro vão passando e não me parece mais tão divertido como imaginei. Minhas pernas doem, (se eu fosse menor, elas teriam mais espaço e estariam mais confortáveis no carro), são longas 9 horas de viagem, vou ver quem eu gosto, estou feliz, mas minhas costas doem. Paramos para comer algo, ir ao banheiro, esticar o corpo e já é hora de voltar para a estrada. Tem música, conversas, brigas, debates filosóficos, cantamos, rimos, silêncio constrangedor, mais música, silêncio, olho a estrada, tem sol do meu lado do carro, mais conversas, risadas, “hora de abastecer”, “no próximo, ainda tem combustível”, “ok”, segue a viagem, paramos novamente para lanchar, tudo se repete, continuamos a conversa, as risadas, as brigas, os silêncios... o carro vai enfraquecendo, “o que está acontecendo?”, “não sei”... Vamos para o acostamento... “Acabou o combustível”, “não acredito”, “eu avisei. O que estou fazendo aqui?”, chega o socorro, o guincho nos leva até o posto mais próximo. A viagem de 9 horas dura quase 11h. Não reclamo, queria aventuras, não é? E tenho história para contar. Enfim: Chegamos! São semanas ótimas, saídas, lugares novos, pessoas legais. Tudo que eu queria, precisava disso. Programação concluída, nada de rotina, dormir até tarde, deitar com o dia nascendo, comendo besteira, testando receitas, muito chocolate e fritura, aquelas comidas nada saudáveis de quando se está fora de casa, se divertindo, as férias! Mas o tempo vai passando e algo vai faltando, não sei ainda o que é, mas está incompleto. Entro em contato com poucos amigos pelas redes sociais, queria dar um tempo de tudo, quanto menos souberem de mim, melhor. Posto poucas coisas, guardo mais para mim a experiência. Alguns me cobram da volta, onde estou e essas coisas, não importa muito, talvez eu nem queira voltar... quando estamos longe de tudo parece que sempre é mais simples e fácil, mas o tempo vai te chamando de volta à realidade.

As semanas passam, a diversão continua, mas não da mesma maneira, já quero algo eu não sei o que é. Não dormi tão bem essa noite, e nem tão tarde como nos primeiros dias (ou cedo com o dia raiando), o travesseiro estava numa posição desconfortável e acordei cedo demais. Hora de voltar, eu penso. Sinto saudades de algumas coisas também, e pessoas. Planejamos a volta, mas nada parece dar certo, o motorista da vez não pode ir, o carro não colabora, passamos 4 vezes no mesmo pedágio, a inconstância de decidir ir ou não. Acabamos voltando e adiamos o retorno. Fica para próxima semana. Ok, uma semana a mais, nada demais, vai ser legal! Foi legal , mas quero minha casa.

Sim, a minha casa, aquela que eu estava louca para deixar para trás, tão desesperadamente e sair rumo ao desconhecido. Foi a semana que mais se arrastou, me diverti, mas queria que terminasse logo. As horas longas de viagem se repetiram, dessa vez sem imprevistos na estrada, chegamos no tempo planejado.

Estou de volta às terras conhecidas, a paisagem vai se tornando comum. Os caminhos também. Paramos o carro, chego em casa, abro a porta, levo as malas para dentro, vejo as mesmas paredes brancas, o mesmo teto nada inspirador, revejo pessoas, almoço e me jogo na minha cama. Nossa, que saudade!!! Como me parece confortável. Penso que não estive aqui por anos, mas foram apenas semanas. Ah, a minha casinha! Durmo por horas, um sono que descansa e conforta; passo o dia seguinte na preguiça, adiantando coisas, baixando séries, desfazendo lentamente as malas e arrumando a bagunça que se tornou o meu quarto.

Concluo que, realmente, apesar de toda diversão, aventura, saudades das pessoas queridas que estão longe e, principalmente, o tédio que a rotina possa causar, nada é melhor do que a casa da gente...


Cristina Cestaro

Formada em Comunicação Social. Viciada em filmes, séries e livros. Fã do The Killers..
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