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Sobre cidades e o que Alice encontrou por lá

Alice Rangel

"Quem é você?", perguntou a Lagarta.
Não era um começo de conversa muito animador. Alice respondeu, meio timidamente, "Eu... eu mal sei, senhor, neste exato momento... ao menos eu sei quem eu era quando eu levantei esta manhã, mas acho que já passei por várias mudanças desde então."

Girls e a nova onda do espectador

Em sua segunda temporada, Girls é considerada uma das melhores séries atuais, um sucesso absoluto de público e crítica. Descubra porque o tom intimista e sincero da série funciona tão bem.


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Nos primórdios da teoria do cinema, sobretudo no cinema de entretenimento americano, aprendemos que um boa peça audiovisual deve ter personagens suficientemente próximos da vida real, para que seu público possa se relacionar com eles, mas também suficientemente "melhorados", para que a audiência possa desejar ser como eles. Essa foi a fórmula que embalou tramas e mais tramas repetidas com pequenas variações do mesmo tema.
Com a entrada do aparelho televisivo na vida do americano comum, a fórmula para o sucesso logo foi transferida para a televisão, onde o público passou a conviver, semanalmente, com personagens como eles mesmo, só que mais bonitos, bem vestidos, ou, as vezes, apenas mais engraçados. E lá se foram bons 50 anos sem que não muito se alterasse nessa fórmula.
Até que, com chegada da tal era digital, alterou-se a dinâmica de consumo do entretenimento.
O crescimento das mídias sociais, a consagração do youtube (entre outros portais) como um difusor de mídia caseira, o crescimento da “blogosfera”, o estreitamento dos outrora opostos campos de produção e consumo, tudo isso (e muito mais) pareceu apontar na direção contrária da antiga fórmula de sucesso. De repente o mundo parecia mais interessado na “vida sem roteiro”, assim, fomos atingidos por um tsunami de reality shows, cada um mais bizarro que o outro. E mundo pareceu florescer para as “Kim Kardashians” da vida.
Um outro efeito secundário, tal como uma onda mais tímida, foi o crescimento do interesse do público com um estilo de seriado um pouco mais realista. Seriados como GIRLS
Girls conta a história de quatro amigas em seus vinte e pouco anos, vivendo em Nova York, e explora o lado tragicômico de ser jovem, recém-saído da casa dos pais, suas inseguranças e incertezas.
Esse ano a série ganhou o Golden Globes de “melhor série de comédia” e “melhor atriz em uma série de comédia”, recebido pela Lena Dunhan, que além de interpretar a protagonista é também a criadora, diretora e roteirista da série.
O quase total controle de Lena sobre Girls talvez seja o segredo para preservar seu estilo cru, evidente não apenas na direção, mas também na criação das personagens, que são sempre um pouco menos produzidos, com menos maquiagens, menos figurinos maravilhosos, ou belezas deslumbrantes. O tom honesto da série também fica evidente nas cenas explícitas de sexo e nudez, trabalhadas sempre com naturalidade.
Girls a princípio não é hilário como os sitcoms, nem visualmente apelativo como “sex in the city”, série de temática similar. Contudo, a honestidade da série cativa, seu diálogos sinceros, as vezes brutalmente sinceros, criam uma identificação instantânea com o espectador, enquanto que a os personagens mais realistas, um tanto deslocados, criam um laço afetivo com o público, que não vem de imediato, mas cresce a medida que vamos descobrindo suas complexidades (nada poderia ser mais realista).

Confira o teaser da primeira temporada


*Girls é uma série original da HBO.


Alice Rangel

"Quem é você?", perguntou a Lagarta. Não era um começo de conversa muito animador. Alice respondeu, meio timidamente, "Eu... eu mal sei, senhor, neste exato momento... ao menos eu sei quem eu era quando eu levantei esta manhã, mas acho que já passei por várias mudanças desde então.".
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