ally collaço

Devaneios sobre cinema e outras coisas!

Ally Collaço

Eu sou aquela que tem mais perguntas que respostas. Inquieta e curiosa. Apaixonada por cinema, novas experiências, histórias e uma boa prosa. Também curto poesia, comida, música, museu e fotografia. Intensidade já faz parte do meu dia. Bora?

Povo rico, povo pobre

Um guia muito útil de alfabetização financeira em tempos atuais. Ou não.


Você pensou que eu ia falar sobre a atual (e caótica) situação eleitoral do país, né?! Mas não vou. Prefiro não.

10458936_316231575220576_3006476049077311986_n.jpg Imagem: Augustin de Lassus

Eu vou falar de um livro que mudou a minha vida. Não porque o livro seja bom realmente, mas porque no momento em que eu o li, passei a perceber coisas que eu não percebia. E não há como precisar se foi o livro que me proporcionou isso ou não.

Talvez eu mesma tenha me proporcionado isso, a partir de alguma ideia simples do livro unida a todo meu repertório de vida (leituras, filmes, conversas, etc).

O texto (ou o livro) é um tecido de citações, de construções culturais, de reprodução de repertórios e experiências, onde na leitura dele imprimimos mais de nós mesmos no texto, do que o próprio autor imprime. (citando Roland Barthes indiretamente)

“Pai rico, pai pobre” de Robert Kiyosaki mudou a minha vida. E explico-me.

“Pobre só gasta. Classe média compra passivo, achando que é ativo. E rico constrói ativos.” diz Robert. E se você está me lendo e não sabe o que é um passivo e um ativo, então você "é" um analfabeto financeiro, ok?! Mas vou te explicar o básico, porque é o básico que eu sei, e no momento, parece-me suficiente.

10615326_318458008331266_4604104832118978860_n.jpg

Passivos são coisas que adquirimos e geram despesa. Carros são basicamente passivos, a não ser que você compre e revenda com margem de lucro, aí ele se torna um ativo. Mas aquele carro que você compra pra usar é um passivo, porque no momento em que você sai com ele da concessionária, ele já se desvalorizou. E passivos só geram despesa. Então trocar de carro todo ano não representa alguém necessariamente “bem de vida”, como muitos acham no Brasil, mas alguém que talvez não saiba gerenciar suas finanças e desperdice dinheiro com passivos, quando poderia estar construindo ativos.

O que é um ativo então? Ativos são geradores de renda. É tudo aquilo que faz o dinheiro trabalhar pra você. Seu imóvel onde você mora não é um ativo, enquanto ele só der despesa. Mas quando você compra um imóvel e aluga ou revende, e lucrar com isso, ele passou a ser um ativo. Há quem viva só da renda de imóveis, e quem vive de renda gerada a partir de ativos não precisa trabalhar, ou pelo menos, não precisa trabalhar como assalariado.

Uma pessoa com muitos ativos (geradores de renda) pode passar o ano viajando pelo mundo, enquanto o dinheirinho dos ativos fica rendendo pra ela e pagando essas despesas. Geralmente ela tem muita gente competente trabalhando pra ela, ou então estes ativos podem não durar. Exemplo: se você ganhar 1 milhão na loteria, e for analfabeto financeiro, provavelmente vai gastar todo o dinheiro e não vai entender porque ficou sem no final da história. Mas se você for esperto e alfabetizado financeiramente, não vai gastar, mas vai construir ativos, como aplicações, imóveis rentáveis, etc e tal, e vai poder viver da renda que esse 1 milhão gerar, sem precisar se matar de trabalhar. Dinheiro faz dinheiro, mas é preciso ser alfabetizado financeiramente para compreender essa frase tão simples.

"Ricos" alfabetizados financeiramente sabem disso, mas há "ricos" não alfabetizados também! (O que é ser rico?)

Empresas, quando bem administradas, são ativos. Porque se você investe nelas, e aquilo que elas produzem (calçados, roupas, filmes, instalação de ar condicionado, parafusos chocolate, programa de TV, etc) gera lucro pra você, sem você ter que fazer ‘nada’ (às vezes nem trabalhar nela), então você tem um ótimo ativo. Mas é claro que há quem tenha empresa e trabalhe nela também (o lucro vem do seu próprio trabalho), e há quem contrate gente competente para fazer o dinheiro trabalhar pra ela. E estou falando só do básico, porque é só o básico que eu sei, mas faz sentido, não?!

Quando eu li tudo isso que aqui escrevo, fiquei chocada, porque era tão óbvio, mas eu não via nada disso diante do meu nariz, porque na escola não se aprende isso, e acho que em nenhum outro lugar. E Robert critica a postura da escola de não alfabetizar seus alunos financeiramente. E se ela não faz isso, e mais ninguém fizer, teremos pais analfabetos financeiros que não alfabetizam seus filhos, e gerações inteiras de analfabetos financeiros, torrando seu dinheiro, submetendo-se como assalariados, muitas vezes infelizes, achando que passivos são ativos, quando poderiam ser mais empreendedores e criarem um novo tipo de economia, porque se mais ninguém quiser trabalhar pra ninguém, o mundo não seria o mundo como é, não?!

Mas aí você poderia achar Robert um... cuzã*, certo?! “Ah! Ele está ensinando como explorar os outros!”, “Ah! Essa visão sustenta o sistema capitalista!”, “Ah! É mais complexo do que isso!”, etc. Mas não foi o que eu achei. Porque ele soltou uma frase curta que transformou a minha vida “Seu maior ativo é a sua MENTE!”, ou seja, se eu investir em conhecimento (estudo, curso, livros, palestras, filmes, etc), em tudo que representa conhecimento, então é da onde poderei extrair as melhores ideias que poderão gerar renda pra mim, e foi o que eu fiz.

10492007_310353575808376_1255009883623920733_n.jpg

Conhecimento também está e muito em experiências, então ele defende o trabalho assalariado, por exemplo, na medida em que este oferecer alguma experiência produtiva que possa trazer algo de novo para você. Se você quer ter uma empresa que fabrica calçados, então trabalhe em uma para saber como funciona todo o processo, e quando o conhecimento que você buscava for atingido e suficiente, abra você mesmo a sua empresa, ou você continuará trabalhando pelo dinheiro, quando poderia estar fazendo o dinheiro trabalhar para você.

E aí eu falei tanto em dinheiro, que é demonizado como algo sujo e feio e blá blá blá, quando ele nada mais é do que um facilitador de trocas, e geralmente essa troca envolve o tempo das pessoas, que é a ‘moeda’ mais valiosa e democrática que temos, já que rico ou pobre, todos temos as mesmas 24 horas pra ‘decidir’ o que faremos do nosso dia. É claro que essa ‘decisão’ é que acaba não sendo tão ‘democrática’, na medida em que muitos assalariados ocupam quase todo o seu tempo trabalhando, para poder sobreviver dignamente, enquanto os que não precisam, e já tem conhecimento sobre sua condição, continuam escolhendo como usar seu tempo, ainda que seja explorando injustamente os dos outros. Robert diz no livro que “para aprender a ganhar, você tem que aprender a perder”. Ele falava de dinheiro. E emenda, “quanto mais você sabe sobre os riscos de perder, menos você perde”. E aqui ele estava falando sobre investimentos na bolsa.

Mas vamos pensar assim: conhecimento é poder e gera renda. Você precisa aprender a doar/perder seu tempo, para aprender a ganhar tempo (dinheiro é facilitador de troca = tempo). E quanto mais você sabe, menos você perde.

Então se você acessar o conhecimento, o máximo possível, você descobre maneiras melhores de trocar o seu tempo (ou ganhar dinheiro) e sobrando mais tempo, você continua fazendo bom uso dele, enquanto os que desconhecem sobre essa lógica, não conseguem fazer esse uso de tempo, e nem ao menos, acessar esse conhecimento, então muitos acabam sendo explorados ou são incapaz de tirar proveito das experiências que vivenciam. Falta conhecimento!

E um agravante nisso tudo é a ‘corrida de ratos’ da qual Robert fala. Você trabalha para comprar coisas, porque acha que precisa comprar essas coisas (publicidade, discursos se reproduzindo, visão de mundo moderna, etc), aí gastando, você trabalha ainda mais, e não sai nunca desse círculo vicioso, e nem tem tempo de tomar consciência dessa condição, que aqui vou situar como a de ‘oprimido’, da qual Paulo Freire fala.

Como eu quebro esse ciclo?! Como eu construo ativos? Como eu ganho dinheiro para fazer mais dinheiro? Como ganho dinheiro para ter mais tempo para curtir a vida, ao invés de ver a vida passando por mim?! Como eu saio da minha condição de oprimido? E o mais importante, como eu faço tudo isso, sem ser opressor, porque num mundo de opressores e oprimidos, reina a injustiça e desigualdade social, e a violência urbana é fruto delas.

Do que adianta ter o carro do ano e correr o risco de levar um tiro na cara ao atravessar a rua?! Mas é nesse mundo que estamos vivendo atualmente, pois ninguém enxerga ou não quer enxergar, como bem ilustrou Saramago em "Ensaio sobre a cegueira". Falta conhecimento!

13600_316702081840192_625462524465714572_n.jpg

Para sair desse ciclo, é preciso tomar conhecimento da sua própria condição, e focar em gastar menos com o que não precisa ser gasto, otimizar seu tempo da melhor maneira possível, tirar proveito das suas experiências de trabalho e acesso ao conhecimento para pensar em alternativas para trocas de tempo (ações que envolvam dinheiro), e isso seria levar uma vida bem mais sustentável.

Como eu só sei esse básico, não consigo te dizer como o mundo seria se não fosse o mundo.

Então eu faço uma única coisa, eu coloco em prática todo o parágrafo acima, e também atuo na Educação, semeando o conhecimento que adquiri, inclusive nesse espaço virtual público da Obvious, na esperança de que as próximas gerações sejam alfabetizadas financeiramente, entre outros tipos de alfabetização, como a audiovisual (minha área), mas não se tornem exploradoras dos outros (opressores/oprimidos) como parece bem querer a nossa sociedade, e criem um sistema econômico que seja mais sustentável e igualitário.

Ninguém precisa de uma bolsa de R$10.000,00, como ninguém precisa passar fome.

Distribua o saber para todos e descobriremos um novo tipo de mundo e economia.

Que o mundo deixe de TER povo rico e povo pobre, e possa SER um povo igual, sustentável e alfabetizado por completo. Lembre-se que a falta de conhecimento provoca perdas, e estas perdas servem para ambos os lados.

Se a mente é o maior ativo que se pode ter e o conhecimento é a chave, então use a favor de todos, porque quando você usa só a seu favor, você está dando um 'tiro no seu pé'!!

------- Ps.: (e agora, que venham os ricos comentários para debatermos! Go go go!)


Ally Collaço

Eu sou aquela que tem mais perguntas que respostas. Inquieta e curiosa. Apaixonada por cinema, novas experiências, histórias e uma boa prosa. Também curto poesia, comida, música, museu e fotografia. Intensidade já faz parte do meu dia. Bora?.
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/literatura// @destaque, @hplounge, @hp, @obvious, @obvioushp, @obvious_escolha_editor //Ally Collaço