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Devaneios sobre cinema e outras coisas!

Ally Collaço

Eu sou aquela que tem mais perguntas que respostas. Inquieta e curiosa. Apaixonada por cinema, novas experiências, histórias e uma boa prosa. Também curto poesia, comida, música, museu e fotografia. Intensidade já faz parte do meu dia. Bora?

Jolie, poupe-me!

Em uma frase: "Invencível" de Angelina Jolie é mais um dramalhão hollywoodiano bem desnecessário!


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A 2º Guerra Mundial acabou há décadas, mas Hollywood continua explorando exaustivamente os dramas do passado. Haja paciência!

Tudo bem que a história "real" de superação de Louis Zamperini (Jack O´Connell) é "incrível", mas faltou originalidade para sair do lugar comum e fugir do típico dramalhão, respectivamente acompanhado de uma trilha sonora desesperada em fazer o espectador se debulhar em lágrimas. Poupe-me Jolie!

Desde que os inovadores flashbacks de "Cidadão Kane" de Orson Welles (1941) trouxeram uma nova maneira de contar histórias, seu uso excessivo nos filmes atuais (principalmente hollywoodianos) reflete um desgaste de uma linguagem que está precisando se reinventar urgentemente. "Boyhood" de Richard Linklater, realizado ao longo de 12 anos, talvez seja a resposta para uma impaciente Hollywood que faz filmes como quem troca de roupa.

Em "Invencível", o uso desnecessário de flashbacks parece revelar uma Angelina Jolie com intenções de dramatizar o que por si só já era dramático. Sobreviver 47 dias no mar, após uma queda de avião, e ser resgatado por japoneses em plena guerra, tornando-se prisioneiro por anos, antes de retornar para casa e viver uma vida plena, já prometia tensão do início ao fim, mas Jolie não nos poupou dos clichês da "jornada do herói", mostrando um Zamperini heróico, sempre leal ao país, corajoso, "invencível", fazendo alusão até à 'Jesus e sua cruz' e um ridículo apelo religioso ao final. Precisava?

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É claro que ao terminar o filme, para legitimar a veracidade da história, como ultimamente tem sido feito, vemos fotos e vídeo do verdadeiro Zamperini "correndo" aos 80 anos nas Olimpíadas do Japão. Até que achei fofinho, mas não, não curti o filme.

E a cereja do bolo para detestar mais essa "novela de guerra", foi a atuação estereotipada do inexperiente (artista pop) Miyavi em seu personagem Mutsushiro Watanabe - ou como o maquiavélico Bird. Já pude até vislumbrar as sátiras hollywoodianas sobre filmes de guerra e seus personagens bizarros. Se a intenção foi nos fazer estremecer, foi é de riso, a cada olhada (de desejo) de Bird para Louis. Houveram momentos em que achei que rolaria um beijo mal correspondido, mas não. Foi só impressão!

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E porque tanta acidez para falar de um filme?! Porque minha irritação em tratar soldados como heróis só aumenta. Guerras são assassinatos consentidos. Não há heróis e continuarão não havendo. A única coisa que o ser humano deveria ter direito de 'matar' deveria ser a fome ou a sede (e olhe lá!), por mais que as circunstâncias em nosso mundo sejam lamentáveis.

É por causa desses filmes que incitam a violência e o heroísmo em torno dela, lembrando-me até dos famosos games de tiros, dos quais tenho aversão, que nossos jovens continuam consumindo violência, seja no jornal, nos filmes, nas telas, no esporte, em todo lugar. A banalização da violência me irrita. Ela deveria ser pensada, questionada, refletida, problematizada, e não ser pano de fundo de histórias supostamente heróicas e exemplares.

Guerras são acontecimentos lamentáveis e me entristece ver uma atriz que se mostra envolvida em causas humanitárias, ver tanto 'heroísmo' num evento que deveríamos sentir vergonha de já ter acontecido. Parabéns ao Louis que se agarrou à vida, quando eu já teria (acho) sido comida pelos tubarões no começo do filme.


Ally Collaço

Eu sou aquela que tem mais perguntas que respostas. Inquieta e curiosa. Apaixonada por cinema, novas experiências, histórias e uma boa prosa. Também curto poesia, comida, música, museu e fotografia. Intensidade já faz parte do meu dia. Bora?.
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