ally collaço

Devaneios sobre cinema e outras coisas!

Ally Collaço

Eu sou aquela que tem mais perguntas que respostas. Inquieta e curiosa. Apaixonada por cinema, novas experiências, histórias e uma boa prosa. Também curto poesia, comida, música, museu e fotografia. Intensidade já faz parte do meu dia. Bora?

Os melhores filmes de 2014 (ou não)!

Porque não existe filme bom ou ruim, existe a nossa opinião (e gosto) sobre eles, citando indiretamente Roland Barthes!


Seguem os 9 filmes que valeram cada segundo do meu tempo em 2014:

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"Ela" de Spike Jonze (EUA)

De forma delicada, Jonze nos mostra uma "improvável" história de amor num futuro "realista" (com impecável direção de arte) entre um homem chamado Theodore (Joaquin Phoenix) e um sistema operacional, chamado Samantha (voz de Scarlett Johansson). Um filme sobre o amor, sobre relacionamentos, solidão e sobre a reflexão do ser e o seu contraste com o universo virtual. Rendeu-me um texto aqui.

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"O menino e o mundo" de Alê Abreu (BRASIL)

A melhor animação que já assisti. Reúne uma excelente história, repleta de reflexões sobre a infância, pobreza, educação, esperança e desigualdade social. E tudo isso, materializado pelo traço do artista. Os 'rabiscos' humanizam os personagens e aproximam o público do criador, num momento em que as animações atuais parecem nem sofrer intervenção humana de tão "perfeitas" que são. É um filme imperdível, ganhou todos os principais prêmios de animação no mundo, sendo excluído erroneamente pelo mercado hollywoodiano (lógico) e pelo nosso próprio país que preferiu indicar o (apenas) bonitinho "Hoje eu quero voltar sozinho". Também rendeu-me um texto aqui.

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"Boyhood" de Richard Linklater (EUA)

Considerando um mercado cinematográfico impaciente, que produz filmes como quem troca de roupa, Boyhood celebra 'inovação' para uma linguagem já desgastada. Com desafiadores 12 anos de produção e mantendo o mesmo elenco, o diretor consegue de forma impecável retratar o amadurecimento e envelhecimento do ator-personagem e sua família comum problemática, em meras cenas do cotidiano. Destaque para os aparatos tecnológicos que são elementos-chave para retratar as transformações pelas quais as gerações passam através do tempo, desde a câmera analógica nos tempos escolares até os smartphones conectados dos tempos atuais.

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"Nebraska" de Alexander Payne (EUA)

Um filme que surpreendeu pela simplicidade e me arrancou boas risadas ao retratar a relação entre pai e filho, e as consequências do envelhecimento e sua respectiva teimosia. Vale a pena!

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"A grande beleza" de Paolo Sorrentino (ITÁLIA)

Uma divertida reflexão sobre o universo da arte e a delicadeza da vida, na perspectiva do escritor frustrado Jap Gambardella (Toni Servillo) . A sequência inicial surpreende e o filme revela uma Itália boêmia que pouco conhecemos, enquanto turistas!

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"Azul é a cor mais quente" de Abdellatif Kechiche (FRANÇA)

Um filme ousado sobre a descoberta da sexualidade e do amor pela jovem Adèle (Adèle Exarchopoulos), inspirado numa famosa HQ. Um romance lésbico escancarado visualmente (quase pornô) que consegue prender o espectador até o fim, na torcida pela reconciliação e redenção das personagens. Um realismo premiado!

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"O Mercado de notícias" de Jorge Furtado (BRASIL)

O inovador Furtado não desperdiça seu tempo no cinema. Apesar de didático, cada produção é carregada de reflexão, como um convite ao espectador. Essa produção pouco comentada, reinventa a linguagem documental, mesclando encenação, peça teatral, entrevistas, para falar sobre a perversa mídia e sua relação com a democracia.

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"Uma viagem extraordinária" de Jean Pierre Jeunet (EUA/FRANÇA)

Jeunet é meu cineasta favorito, porque ele acredita que o cinema representa o mundo dos sonhos e da imaginação, como também acreditava Méliès e o surrealista Luis Buñuel. Sempre com toque lúdico e uma impecável direção de arte, seus filmes narram histórias banais das maneiras mais fantásticas possíveis. Com leveza, ele traz questões sobre a indústria bélica (em Micmacs), a morte da infância (em Ladrão de sonhos) e sobre identidade (em Amèlie Poulain). Já no seu primeiro filme em língua inglesa, Jeunet problematiza o universo da pesquisa científica, através do pequeno T.S. Spivet (Kyle Catlett) que precisa provar sua improvável genialidade. "A mediocridade é o fungo da mente" proferida pela mãe (Helena Bonham Carter) foi uma das frases mais simples e marcantes que já vi em filme.

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"Blue Jasmine" de Woody Allen (EUA)

Se existe um diretor que sabe construir personagens sólidos com diálogos ricos, esse cara é Woody Allen. Seu estilo é um adjetivo para definir que tipo de filme assistir, afinal é preciso estar com paciência e disposição para lidar com seus consistentes e problemáticos personagens. E apesar de nem todos os seus filmes me agradarem, a premiada e protagonista Cate Blanchett consegue dar vida a uma mulher rica e frustrada que perde tudo quando seu marido é preso e se vê obrigada a morar com a irmã "suburbana". Seria cômica, se não fosse uma dramática situação. Pra ela, claro!


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