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Devaneios sobre cinema e outras coisas!

Ally Collaço

Eu sou aquela que tem mais perguntas que respostas. Inquieta e curiosa. Apaixonada por cinema, novas experiências, histórias e uma boa prosa. Também curto poesia, comida, música, museu e fotografia. Intensidade já faz parte do meu dia. Bora?

Oscar 2015 - Vapt Vupt - parte 1

Alguns breves comentários de alguns filmes indicados.


A cerimônia do Oscar acontece no dia 22 de fevereiro em Los Angeles, e ainda não consegui ver todos os filmes indicados, MAAAAS dos que já vi, permitam-me tecer alguns breves comentários.

boyhood-richard-linklater-4807.jpg "Boyhood: Da infância à juventude" de Richard Linklater

Meu favorito ao Oscar, por ir na contramão das produções 'em massa' hollywoodianas e trazer a vida cotidiana como protagonista. A inovação reside na negação da lógica cinematográfica industrial, e na adoção de um ritmo lento e incomum no cinema (de circuito comercial).

Considerando um mercado cinematográfico impaciente, que produz filmes como quem troca de roupa, Boyhood celebra 'inovação' para uma linguagem já desgastada. Com desafiadores 12 anos de produção e mantendo o mesmo elenco, o diretor consegue de forma impecável retratar o amadurecimento e envelhecimento do ator-personagem e sua família comum 'problemática', em meras cenas do cotidiano. Destaque para os aparatos tecnológicos que são elementos-chave para retratar as transformações pelas quais as gerações passam através do tempo, desde a câmera analógica nos tempos escolares até os smartphones conectados dos tempos atuais. Mesmo papel que exerce a nostálgica trilha sonora!

macguffilms_grand-budapest_mendels.jpg "O grande hotel Budapeste" de Wes Anderson

Este filme não me surpreendeu, mas (felizmente) reforça o estilo singular do diretor de contar histórias do jeito mais original possível. Assim como o francês Jeunet, Anderson investe pesado na impecável direção de arte que ajuda a compor os personagens peculiares, além de abusar dos planos gerais e movimentação de câmera na simétrica fotografia. Para quem já enjoou dos previsíveis filmes hollywoodianos, Anderson e Jeunet podem ser boas alternativas. E para quem ainda não enjoou dos filmes açucarados, mantenha a mente e gostos abertos para apreciar um suspense bem cômico!

2014-10-18-keaton.jpeg "Birdman (ou a inesperada virtude da ignorância)" de Alejandro González Iñárritu

Este filme é uma porrada no cérebro. Já começa pelo título, que brinca com uma proposta de nome 'blockbuster' clichê e seu subtítulo provocador e desconexo. Definitivamente não é um filme de entretenimento! De Arte? Talvez! Num grande e desafiador (falso) "plano-sequência", Iñarritu explora a complexidade humana (tão presente em seus filmes anteriores, como Babel, Amores Brutos e 21 gramas) em personagens que transitam entre o 'real e a ficção', numa metalinguagem provocativa semelhante aos cortes bruscos de Godard e cia. "Espectador acorde! Isto é só um filme!" Com diálogos densos, ilustrando vários lados da indústria cinematográfica e artística, repleto de críticas e problematizações, Iñarritu nos faz pensar exaustivamente, apresentando contrastes (indústria x arte) e bastidores de um universo que nem sempre temos consciência. Beirando ao 'no sense', Iñarritu nos esgota, entrando e saindo da trama, tal e qual sua trilha sonora. É cansativo, estranhamente engraçado, provocativo e necessário. Está acima do meu gosto. Talvez eu nem esteja pronta pra esse filme ainda, como ainda não estou para Glauber e Godard. Ruminarei por um bom tempo

5205.jpg "Sniper americano" de Clint Eastwood

Que decepção! Homenagear 'heróis' de guerra ainda está em alta nos EUA, seja fazendo filmes, seja reconhecendo estes filmes com indicações ao Oscar, quando outras obras interessantes ficaram de fora, como "Grandes olhos" de Tim Burton, por exemplo. Mas sabemos que o Oscar nunca foi parâmetro para os melhores filmes (do mundo), certo?! De Eastwood eu esperava minimamente uma problematização de tema e personagem, mas isso não aconteceu. Ao final, temos certeza que o filme foi uma bela de uma homenagem, com a tendência atual de mostrar imagens 'da vida real' para dar veracidade à história. Numa das cenas mais 'dramáticas' entre marido e mulher, a equipe falhou feio ao usar um bebê de borracha (totalmente perceptível), quando a tensão exigia certo realismo. E pelo visto, essa cena virou piada internacional!

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Agora falta assistir "O jogo da imitação", "Selma", "A teoria de tudo" e "Whiplash" para formular uma opinião mais completa e compreender a 'mente coletiva' da (indústria cinematográfica) Academia, para o que eles consideram os 'melhores filmes produzidos' no ano que se passou. Mesmo a gente discordando, néam?! =)


Ally Collaço

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