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Devaneios sobre cinema e outras coisas!

Ally Collaço

Eu sou aquela que tem mais perguntas que respostas. Inquieta e curiosa. Apaixonada por cinema, novas experiências, histórias e uma boa prosa. Também curto poesia, comida, música, museu e fotografia. Intensidade já faz parte do meu dia. Bora?

Oscar 2015 - Vapt Vupt - parte 2

Alguns breves comentários de mais alguns filmes que foram indicados ou saíram vencedores do Oscar 2015!


A cerimônia do Oscar aconteceu no dia 22 de fevereiro em Los Angeles, e ainda não consegui ver todos os filmes indicados, MAAAAS dos que já vi, já teci alguns breves comentários neste post aqui, e agora tecerei mais comentários sobre os filmes que assisti recentemente, na vida pós-Oscar.

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"A teoria de tudo" de James Marsh

Fui ao cinema despida de expectativas. Não esperava nada, acho. E me vi deslumbrada com um filme simples, porém delicado na medida certa.

Um dos melhores filmes de amor que já vi. Um amor real, nada meloso e fruto do 'impossível', típico das narrativas do cinema hollywoodiano. Frágil, impotente, incondicional. Um amor verdadeiro que representa entrega, mas também libertação do outro.

Com uma atuação perturbadora do premiado (merecido) Eddie Redmayne, a cinebiografia de Stephen Hawking conta também com uma trilha sonora belíssima, e apresenta a história de amor (real) dele com sua primeira esposa dedicada Jane, autora do livro que inspirou o filme.

"Enquanto houver vida. Haverá esperança!" foi a frase que mais me marcou de Stephen, em seu famoso discurso. Nós somos o nosso limite, poderia dizer o astrofísico com uma mente brilhante, porém preso ao seu corpo inválido. Com tão 'pouco', ele fez muito na vida, então o que realmente nos impede? Acho que nada, apenas nós mesmos!

Fica a lição e que belo filme!

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"Whiplash - em busca da perfeição" de Damien Chazelle

Então, um filme interessante para pensarmos sobre as escolhas que fazemos. Quando desafiados ou diante do fracasso, desistimos e seguimos em frente, como a maioria faz, ou buscamos nos aperfeiçoar a cada queda?! O que define um 'gênio' dos demais? Persistência? Sacrifício?

Apesar de retratar o universo da música, mais especificamente do (minucioso) jazz, poderíamos usar o filme para falar de empreendedorismo. "O que não nos mata, nos fortalece", diria Nietzsche. E com quantos "Whiplash" nos deparamos na vida para sairmos fortalecidos - ou enfraquecidos?

Um jovem garoto percursionista Andrew (Miles Teller), conquista a atenção do reverenciado professor (exigente) e maestro do jazz, Terence Fletcher (interpretado pelo premiado JK Simmons) e ao entrar para a orquestra principal do conservatório de Shaffer, a melhor escola de música dos Estados Unidos, é testado em todos os seus limites.

Simples. Com boa música. E acho que é isso. =)

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"Para sempre Alice" de Richard Glatzer

O filme faz uso de diversos clichês narrativos para retratar o drama (fictício) da Dra. Alice Howland (interpretada pela premiada Julianne Moore), professora renomada de linguística, diagnosticada precocemente com Alzheimer. Rica, bem sucedida profissionalmente, integrante de uma família 'feliz', Alice recebe a doença com choque e desespero.

Talvez tenha faltado um pouco mais de realismo (e verossimilhança) na construção dos personagens. Somos mais complexos do que o filme "nos" retrata! E diante desta doença, somos testados ao máximo em nossas fragilidades. Faltou uma boa dose disso no filme!

Acho que o mérito do filme está apenas na relação com suas duas filhas, essencialmente diferentes. Uma é Anna (Kate Bosworth), um reflexo quase equivalente da vida (estável) da mãe, e a outra é Lydia (Kirsten Stewart) a 'ovelha negra' da família, por abrir mão dos estudos e se dedicar ao universo (caótico) da arte, com o desejo de ser atriz, uma carreira considera incerta e instável por Alice e pela família.

Ao decorrer do filme, conforme a vida de Alice se transforma em caos e instabilidade em decorrência da doença que avança rapidamente, sua aproximação com a filha caótica se torna visível e o distanciamento da filha 'favorita' também.

E ao nos depararmos com o Alzheimer, sempre me fica a pergunta, se não podemos lembrar, qual o valor de termos vivenciado nossas experiências? O que realmente é real? Talvez só o agora importe realmente.

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"Foxcatcher: Uma história que chocou o mundo" de Bennett Miller

Uma história intrigantemente real. O comediante Steve Carrel conseguiu se desvencilhar dos papéis anteriores para construir o sombrio caráter do protagonista solitário e bilionário John E. Du Pont, que convida o atleta Mark, interpretado por Channing Tatum, que também surpreende com sua atuação de moço forte, porém frágil, para treinar num centro de treinamento construído na fazenda Foxcatcher, Pensilvânia.

A relação de dominação dos dois é confusa e sutil, assim como o filme. Vagarosamente, uma sensação de mal estar e desconforto nos invade, ainda que não possamos identificar exatamente quando e onde ela acontece.

A fala mansa de Du Pont, e os silêncios constantes, acompanhados das trocas de olhares, contribuem para criar a tensão que o filme necessita para chocar em seu desfecho, como o próprio acontecimento chocou os EUA.

Dave (Mark Ruffalo), o irmão protetor de Mark é quem contribui para desconstruir a relação de dominação entre os dois protagonistas, e provocar a inveja que move Du Pont às suas insanidades.

Intrigante. E só.

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"Dois dias, uma noite" de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne

Marion Cotillard interpreta Sandra, uma operária e jovem mãe de família de classe média baixa, que precisa convencer os colegas de que garantir seu emprego tem mais valor do que o bônus que eles irão ganhar, se ela for demitida. Ela tem apenas dois dias e uma noite para tal feito, justificando o título do filme.

Realista, o longa retrata o desespero daqueles que pouco tem e que precisam lutar para sobreviver diante das 'migalhas' que os endinheirados 'distribuem' aos assalariados.

Sandra se revela uma heroína no contexto contemporâneo, na medida em que corrompe o sistema que a aprisionou, enxergando acima do bem e do mal.

Ao pensar 'fora da caixa', quando há muito estava aprisionada nela, liberta-se de si mesma e decide percorrer o próprio caminho, para além daquilo que lhe foi imposto.

Não poderia haver final mais feliz! E melhor, realista! =)


Ally Collaço

Eu sou aquela que tem mais perguntas que respostas. Inquieta e curiosa. Apaixonada por cinema, novas experiências, histórias e uma boa prosa. Também curto poesia, comida, música, museu e fotografia. Intensidade já faz parte do meu dia. Bora?.
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