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Devaneios sobre cinema e outras coisas!

Ally Collaço

Eu sou aquela que tem mais perguntas que respostas. Inquieta e curiosa. Apaixonada por cinema, novas experiências, histórias e uma boa prosa. Também curto poesia, comida, música, museu e fotografia. Intensidade já faz parte do meu dia. Bora?

5 filmes infantis imperdíveis!

Confira 5 filmes infantis que considero imperdíveis, com alguns direcionamentos leves para discussões e reflexões em família! =)


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A comédia francesa "O pequeno Nicolau" de Laurent Tirard (2010)

Inspirado na série literária infantil franco-belga, de tom humorístico, escrita por René Goscinny e ilustrada por Jean-Jacques Sempé, o filme retrata a perspectiva do menino Nicolau, sobre a escola, sobre os pais e sobre a vinda de um possível irmãozinho(a). O medo e o ciúme colocam Nicolau e seus amigos em situações engraçadíssimas, representando um pouco do universo infantil e suas típicas peripécias e travessuras.

É uma oportunidade bacana para falar sobre a vinda de um irmão ou irmã na família, e conversar sobre como a criança está se sentindo, suas expectativas e ansiedade. Se não for o caso, outros direcionamentos possíveis podem ser sobre a relação de Nicolau com seus amigos, a personalidade de cada um deles, o trabalho em grupo, a relação com a escola e o carinho pelos professores.

No filme, os pais de Nicolau tem papéis sociais bem definidos, como o pai que trabalha e sustenta a casa, e a mãe que cuida da criança e dos afazeres domésticos. Atualmente, estes papéis já não são tão definidos desta forma, e pode gerar uma conversa rica sobre como funciona a família da criança, semelhanças e diferenças, como pais que dividem tarefas ou mães que trabalham fora, etc.

Outra possibilidade interessante é reparar nas cores presentes no filme. O personagem principal, Nicolau, está sempre com roupas vermelhas, para chamar a atenção do espectador. E a história não se passa no presente, como podemos observar nos objetos e cenários do filme, e também não se passa na nossa realidade brasileira, mas em outro país, com outra língua e cultura. Observar estes pequenos detalhes é sensibilizar o olhar da criança para aspectos da linguagem cinematográfica, promovendo uma iniciação à alfabetização audiovisual de toda a família.

Observar estes detalhes no filme pode se tornar uma brincadeira educativa e bem divertida! Lembrando sempre que os pais devem deixar a criança se expressar primeiro sobre o que percebeu e achou do filme, para depois complementarem e aproveitarem a ocasião para uma conversa saudável, no tempo e ritmo da criança.

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O italiano "Vermelho como céu" de Cristiano Bortone (2006)

Este filme é inspirado na história real de Mirco Mencacci, um renomado editor de som da indústria cinematográfica italiana.

A história se passa na década de 70, quando Mirco acidentalmente provoca a própria cegueira, e diante da realidade educacional preconceituosa e despreparada da época, é obrigado a estudar num escola especial (bem conservadora) para meninos cegos.

É lá que Mirco contará com a ajuda de um professor para superar as próprias dificuldades de sua nova condição, e reinventará uma nova maneira de apreciar e fazer cinema, sua grande paixão, contando histórias através do SOM, elemento fundamental nas narrativas cinematográficas atuais.

É um filme muito bonito para discutir questões como a inclusão social e o papel essencial dos educadores, sejam eles professores ou pais, para encorajar ou desencorajar crianças e jovens a superarem suas próprias dificuldades.

Não é porque o menino é cego, que isso o impediu de encontrar novas maneiras de se expressar e realizar seu sonho de trabalhar com cinema. Se ele pode, todos podemos. Somos nosso próprio limite.

Os pais podem aproveitar a ocasião para delicadamente encorajar seus filhos em situações onde esteja realmente faltando um pouco de coragem. Enfrentar seus medos, aprender com os erros, buscar aliados e perseguir seus sonhos são características de seres empreendedores de ideias e projetos, então cabe aos pais encaminharem seus filhos nesta trajetória. Não pode ser um papel exclusivo apenas de professores e escolas! Além disso, perceber a importância dos sons nas construções narrativas pode ser mais uma forma de se alfabetizar audiovisualmente. Após a sessão, desafiar às crianças a pensarem em sons para construir pequenas histórias ou personagens, pode ser uma atividade educativa interessante, além de uma brincadeira divertida.

Fazer sons de bichos e a família tentar adivinhar qual é o bicho, por exemplo, seria uma forma de sensibilizar às crianças ao universo mágicos dos sons, como também é o das imagens. E utilizando vendas nos olhos, seria ainda mais divertido e aguçaria a percepção auditiva. As possibilidades são inúmeras, é só usar um pouquinho de criatividade e ter disposição!

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O divertido filme francês "A cidade das crianças" de Nicolas Bary (2008)

Imagine uma cidade onde não existam adultos, mas apenas crianças que não precisam ir à escola ou obedecer os pais e podem comer as 'besteiras' que quiserem!! Qual criança nunca 'sonhou' com uma vida assim?!

Pensando em dar uma lição nos filhos, sempre reclamando das regras e ordens, os adultos da cidade resolvem se ausentar por um tempo e num primeiro momento, as crianças adoram a ideia de não ter os pais por perto e viverem numa espécie de 'férias' infinitas. Mas é claro, que a falta de organização, de rotina e de responsabilidade vai fazê-los perceber a importância dos pais e da escola em suas vidas.

Este seria o gancho para dialogar com os pequenos, após a exibição do filme, sobre a importância de ter pausas, como as deliciosas férias, mas também da importância da rotina e das responsabilidades compartilhadas, como a escola, as tarefas de casa, tomar banho e comer bem.

Será que viver sempre de férias seria realmente tão legal? Será que frequentar a escola também não é importante em suas vidas? Poder fazer e encontrar os amigos, aprender coisas novas e desenvolver habilidades?

Será que seria legal só comer doces, refrigerantes e salgadinhos? As frutas e verduras, numa alimentação equilibrada, ajudam a manter o corpo saudável para brincar e aprender. O excesso de 'porcarias' poderia fazê-los adoecer.

Estas são algumas questões que poderiam ser levantadas num debate cinematográfico em família e fazer as crianças pensarem um pouquinho mais sobre a importância de cada etapa de suas vidas, sejam elas as férias, a escola, os pais e o desejo constante de liberdade!

O filme foi inspirado no romance "Timpetill: Die Stadt ohne Eltern" (1937) de Henry Winterfeld e é super divertido, sendo também uma ótima oportunidade para pensar em organizações sociais, rivalidade nas diferenças, estruturas de poder, hierarquia, importância de regras e vida familiar. Caberá a cada pai e mãe levantar os pontos mais interessantes na mediação do filme com os filhos!

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O nacional "O menino e o mundo" de Alê Abreu (2014).

A proposta de Alê era retratar o mundo, com todas as suas maravilhas e problemas, pela perspectiva de um menino. Considero este filme uma obra-prima, na medida em que ele foi feito sem falas, mas com uma riqueza visual impressionante e respeitando o caráter lúdico do universo infantil.

O menino do filme, precisa aprender a lidar com a ausência do pai, e com a dureza de envelhecer num mundo dominado por máquinas, que destroem a natureza e padronizam o homem como um robô.

O traço dos desenhos de Alê aproximam a criança do criador, já que parecem rabiscos que ganham vida, diferente das animações impecavelmente feitas atualmente, que quase não parecem ser feitas por seres humanos de tão 'perfeitas'. Essa fragilidade dos desenhos se mostra de extrema importância para a criança, já que ela consegue supor que ela mesma poderia os ter feito.

Este é um filme para ver em família e conversar bastante, já que os estímulos visuais são o ponto de partida para iniciar um bate papo. O que a criança entendeu? Ela percebeu que em alguns momentos o menino estava triste e alegre? Porquê? Como ela se sentiu vendo a animação? Porque o pai do menino teve que ir embora? Qual o papel da música no filme? E o papel das cores? São algumas questões possíveis para iniciar a conversa.

Mais do que um filme para criança, este é um filme que toca os adultos em seus mais diversos dilemas, a rotina de trabalho cansativa, a destruição do meio ambiente, a invasão das máquinas, a sociedade do 'descartável', a desigualdade social, as manifestações por um mundo melhor e mais livre, a repressão 'negra' da águia e dos policiais, o capitalismo selvagem, entre outros apontamentos. É um filme que mostra que animações não são somente para crianças, mas para a reflexão dos adultos também, ainda que seu caráter lúdico prevaleça.

A mensagem do filme é muito bonita, da educação e valores que os pais deixam para os filhos através da semente que o menino planta e coloca uma pedra colorida sobre ela. A música cumpre um papel semelhante, através da flauta do pai, que suavemente leva os ensinamentos ao filho, através de bolinhas de sabão que se espalham no ar, e prevalecem por toda sua vida.

Quais valores e mensagens estamos deixando para nossas crianças?

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A animação hollywoodiana "Diverta Mente" de Pete Docter (2015)

A animação retrata um pouquinho do que se passa na mente humana, através da jovem protagonista Riley, uma garota de 11 anos, que precisa lidar com as mudanças que estão ocorrendo na sua vida.

O bacana deste filme é a materialização das emoções básicas humanas, como a Alegria, o Medo, a Raiva, o Nojinho e a Tristeza, contribuindo para que a criança compreenda a importância de identificar cada uma delas e aprender a equilibrá-las de acordo com as suas experiências de vida.

O caráter lúdico e alegre costuma predominar na primeira infância, produzindo belíssimas memórias, como o próprio filme retrata, mas com o passar do tempo e com novas experiências, outras emoções começam a exercer certa influência em nossas atitudes, e é neste processo de transformação que precisamos encontrar equilíbrio entre todas as nossas emoções.

A criança precisa compreender que faz parte da vida ficar triste ou sentir medo, mas não deve jamais deixar que estes sentimentos dominem sua mente por completo, e encontrar este equilíbrio faz parte de amadurecer. O filme é ótimo para conversar sobre o assunto com as crianças, é super divertido e cumpre o mesmo papel entre os adultos, apresentando-se de maneira simples e lúdica, com uma história de aventura e expectativa, retratando um pouquinho do funcionamento da mente, da formação das nossas múltiplas personalidades e das mudanças que passamos na vida.

É realmente imperdível!!


Ally Collaço

Eu sou aquela que tem mais perguntas que respostas. Inquieta e curiosa. Apaixonada por cinema, novas experiências, histórias e uma boa prosa. Também curto poesia, comida, música, museu e fotografia. Intensidade já faz parte do meu dia. Bora?.
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